Pâmella Lima - Psicóloga

Pâmella Lima - Psicóloga Bem-vindo á página! Espaço dedicado à saúde emocional. Pâmella Lima
Psicóloga e terapeuta sexual

O casamento ocupa um lugar de enorme valor simbólico. É um ritual de passagem. Um momento em que duas pessoas, diante da...
02/08/2026

O casamento ocupa um lugar de enorme valor simbólico. É um ritual de passagem. Um momento em que duas pessoas, diante da família, dos amigos e da comunidade, fazem votos públicos de respeito, cuidado, compromisso e construção de uma vida compartilhada.

Os rituais nunca são apenas cerimônias. Eles produzem significados. Eles reafirmam normas. Eles comunicam quais formas de amar e de se relacionar são socialmente valorizadas. Por isso, vale observar quais discursos costumam ocupar esse espaço.

Quando esse tipo de humor se repete geração após geração, ele deixa de ser apenas uma escolha individual. Ele passa a produzir cultura.

O sociólogo Pierre Bourdieu chamou de violência simbólica as formas de violência que se perpetuam justamente porque parecem naturais, legítimas ou inofensivas. Elas não precisam da força física para existir. Operam por meio de discursos, costumes, rituais e práticas que deixam de ser questionados porque são recebidos com risadas, aplausos ou a justificativa de que “sempre foi assim”.

O humor faz parte das relações humanas. Ele aproxima, cria cumplicidade e produz afeto. Mas ele também pode reforçar desigualdades e naturalizar formas de tratamento que dificilmente seriam aceitas em outros contextos.

Essa reflexão não pretende afirmar que todo casamento reproduz esse roteiro ou que toda brincadeira seja violenta.

O convite é outro.

Perguntar o que estamos legitimando quando, justamente no momento em que duas pessoas prometem respeito e cuidado, o constrangimento passa a ser celebrado como entretenimento.

Porque os votos comunicam um compromisso.

Os rituais comunicam valores.

E aquilo que escolhemos aplaudir também ajuda a definir a cultura que estamos construindo.

01/08/2026

Existe uma expectativa silenciosa de que, depois de certa idade, mulheres deixem de ocupar espaços, escondam seus corpos, silenciem sua sexualidade e envelheçam sem chamar atenção.

Quando isso não acontece, surgem os insultos.

A Organização Mundial da Saúde estima que uma em cada duas pessoas manifesta atitudes etaristas. E, quando o etarismo se cruza com o machismo, o envelhecimento feminino passa a ser tratado quase como uma transgressão.

Simone de Beauvoir escreveu, há mais de cinquenta anos, que a velhice não é apenas uma condição biológica, mas uma construção social. Susan Sontag mostrou como existe um “duplo padrão do envelhecimento”: aquilo que torna um homem “maduro” frequentemente transforma uma mulher em “ridícula”.

Por isso, o problema nunca foi uma roupa.

Foi o incômodo que ainda causa uma mulher com mais de 60 anos ocupando um palco sem pedir licença para existir.

A forma como falamos sobre o corpo de uma mulher também produz violência.

E naturalizar essa violência nunca será uma opção por aqui.

Julho Dump. 2026
01/08/2026

Julho Dump. 2026

Se a maioria das mulheres é biologicamente capaz de ter orgasmo, por que justamente as mulheres heterossexuais são as qu...
31/07/2026

Se a maioria das mulheres é biologicamente capaz de ter orgasmo, por que justamente as mulheres heterossexuais são as que menos chegam lá?

Essa pergunta deu origem a um dos fenômenos mais estudados da sexualidade: o Or**sm Gap.

O problema não está, em primeiro lugar, no corpo feminino. Está na forma como aprendemos a viver a sexualidade.

Durante muito tempo, fomos ensinados que s**o começa com a penetração, termina com a ejaculação masculina e que o prazer da mulher é um “bônus”, não parte central do encontro.

Mas a ciência aponta outro caminho.

O orgasmo feminino está fortemente associado à estimulação do clitóris, ao tempo dedicado à excitação, à comunicação sobre desejos, à diversidade de estímulos e à qualidade da interação entre as pessoas.

Não por acaso, pesquisas mostram que mulheres que se relacionam com mulheres relatam, em média, maior frequência de or****os. Não porque exista uma orientação sexual “melhor”, mas porque esses encontros tendem a incluir mais comunicação, maior diversidade de práticas e menos centralidade exclusiva na penetração.

Isso revela algo importante: o prazer não é apenas uma resposta biológica. Ele também é atravessado pela cultura.

O Or**sm Gap é um retrato de como fomos socializados para entender o s**o e de como ainda colocamos o prazer masculino como referência para o que significa uma relação sexual “completa”.

Falar sobre prazer feminino não é criar uma competição entre homens e mulheres.

É defender educação sexual baseada em evidências, informação de qualidade, comunicação, reciprocidade e cuidado.

Porque uma sexualidade mais consciente começa quando deixamos de perguntar apenas “como fazer s**o?” e passamos a perguntar “como construímos encontros em que o prazer de todas as pessoas importa?”

30/07/2026

Existe um luto que quase nunca é reconhecido.

O luto de descobrir uma traição.

Quando uma infidelidade acontece, não é apenas a relação que é abalada. Também se rompe a história que existia sobre aquela relação, a confiança construída ao longo do tempo e, muitas vezes, a própria percepção de realidade.

Como escreve Esther Perel, a traição não ameaça apenas o vínculo amoroso. Ela desorganiza nossa sensação de segurança, identidade e previsibilidade. Por isso, muitas pessoas descrevem a experiência como um trauma relacional.

É comum viver um turbilhão de emoções: tristeza, raiva, vergonha, culpa, confusão, desejo de ir embora e, ao mesmo tempo, vontade de permanecer.

Nada disso é sinal de fraqueza.

É o corpo e a mente tentando reorganizar uma realidade que mudou de forma abrupta.

Nem toda relação sobrevive a uma traição.

E nem toda separação é inevitável.

O que define o futuro da relação não é apenas o acontecimento em si, mas a disposição de ambos para enfrentar as consequências, reconstruir a confiança — se isso fizer sentido para quem foi ferido — e criar uma nova narrativa para o vínculo.

Antes de decidir ficar ou partir, existe algo que precisa ser atravessado: o luto.

Porque nenhuma decisão consistente nasce enquanto a dor ainda está tentando entender o que aconteceu.

Referência:
Esther Perel. The State of Affairs: Rethinking Infidelity (2017).

28/07/2026

Se tantas pessoas confundiram a virilha com os pequenos lábios, temos um problema de informação.

Educação sexual também é aprender anatomia.

É saber nomear corretamente as partes do corpo, compreender como ele funciona e reconhecer o que é saudável. Parece algo básico, mas ainda existe muita desinformação quando o assunto é o corpo humano — inclusive entre adultos.

Conhecer a anatomia não serve apenas para responder a uma polêmica da internet.

Serve para cuidar da própria saúde, comunicar sintomas com clareza, identificar alterações, reduzir medos, romper tabus e desenvolver autonomia sobre o próprio corpo.

Nomear corretamente o corpo também é uma forma de cuidado.

Talvez essa discussão diga muito menos sobre a roupa de uma mulher e muito mais sobre a urgência de falarmos, com seriedade e responsabilidade, sobre educação sexual.

Porque informação também protege.

Sexologia

27/07/2026

simplesmente acende.

Por muito tempo, aprendemos que sentir desejo significava ter vontade de fazer s**o “do nada”. Como se esse fosse o único jeito saudável de desejar.

Mas a ciência mostra que existem diferentes formas de o desejo acontecer.

✨ Desejo espontâneo: é aquele que surge antes de qualquer estímulo. A vontade aparece primeiro, sem que nada precise acontecer.

✨ Desejo responsivo: nasce em resposta a um contexto de segurança, conexão, carinho, intimidade, toque ou estímulos eróticos. A vontade não vem antes. Ela vai sendo construída durante a experiência.

E isso é especialmente importante quando falamos da sexualidade feminina.

Muitas mulheres cresceram acreditando que deveriam sentir desejo da mesma forma que veem representado em filmes, novelas ou até em discursos sobre sexualidade: uma vontade intensa, imediata e constante.

Mas, para muitas delas, o desejo é predominantemente responsivo. Ou seja, ele costuma surgir quando existe tempo, presença, segurança emocional, conexão, descanso e espaço para o prazer.

Isso não significa que exista um “desejo feminino” e um “desejo masculino”. Homens e mulheres podem experimentar tanto o desejo espontâneo quanto o responsivo. No entanto, estudos mostram que, em média, o desejo responsivo é mais frequentemente relatado por mulheres, especialmente em relacionamentos de longa duração.

Por isso, esperar que o desejo apareça sozinho, em meio ao cansaço, à sobrecarga mental, às preocupações e às demandas do cotidiano pode gerar frustração e uma sensação injusta de que “há algo errado”.

Na maioria das vezes, não há.

Talvez o desejo não tenha desaparecido.

Talvez ele apenas esteja esperando um contexto em que possa surgir.

Cuidar da relação, da saúde física e mental, do descanso, da comunicação e da intimidade também é uma forma de cuidar do desejo.

Porque o desejo não é apenas um impulso.

Ele também é uma experiência que se constrói no encontro consigo e com o outro.

26/07/2026

Quem um dia ensinou tantas crianças a sonhar, hoje também nos lembra que um mundo melhor só existe quando há espaço para todas as formas de existir.

Ontem, minha criança interior estava em festa.

Cantei cada música ao lado da minha irmã, das minhas primas e da minha sobrinha. Em alguns momentos, parecia que o tempo tinha voltado. Em outros, percebi o quanto ele passou e como é bonito ver que algumas histórias crescem junto com a gente.

A Xuxa marcou a infância de muitas gerações. E hoje, ao usar sua voz para defender a inclusão, a diversidade e o respeito, também nos convida a imaginar um futuro em que nenhuma criança precise esconder quem é para se sentir pertencente.

Talvez esse seja um dos maiores presentes que podemos deixar para as próximas gerações: um mundo onde todas as formas de existir encontrem espaço, acolhimento e dignidade.

Que a nossa infância continue nos lembrando da leveza. E a vida adulta, da responsabilidade de construir um mundo em que todas as pessoas possam viver essa mesma alegria.

24 de julho é o Dia Mundial do B**M.Uma data que, mais do que celebrar uma prática, convida à informação.Durante muito t...
24/07/2026

24 de julho é o Dia Mundial do B**M.

Uma data que, mais do que celebrar uma prática, convida à informação.

Durante muito tempo, o B**M foi reduzido a estereótipos, preconceitos e interpretações equivocadas. Mas a realidade é mais complexa.

Quando falamos de B**M, alguns princípios são centrais: consentimento, negociação, comunicação, respeito aos limites e possibilidade de interromper a prática a qualquer momento.

Esses elementos diferenciam práticas consensuais de situações de violência ou abuso.

Ao mesmo tempo, é importante reconhecer que nenhuma prática está imune a dinâmicas de poder, manipulação ou coerção. Por isso, o consentimento não é apenas um “sim”: ele precisa ser livre, informado, específico, contínuo e revogável.

Na clínica, mais do que classificar desejos como certos ou errados, buscamos compreender como cada pessoa constrói sua sexualidade, seus limites, seus acordos e suas formas de viver o prazer com segurança e responsabilidade.

Falar sobre B**M é, antes de tudo, falar sobre educação sexual baseada em evidências, ética nas relações e autonomia sobre o próprio corpo.

Porque o maior tabu continua sendo a desinformação.

**M

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São Paulo, SP

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