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Psicanálise Viva BR Profissional da psicanálise que tem como objetivo levar o sujeito a se conhecer e assim viver de forma mais autêntica, consciente e mais leve.

Ajudo pacientes na diminuição dos sofrimentos causados pela ansiedade. Juliana Corazza Scalabrin

01/10/2026

Pensamento meio livre sobre como não sermos colonizados pelos outros nem pela discussão política nem pela não existência dentro do casamento.

Desde quando é preciso se separar para viver seu desejo? Estudar, dançar, até a comida preferida não precisa ser deixada de lado. E possível se priorizar, aliás as pequenas separações são mega necessárias para se continuar inteiro no casamento…

Dar conta da própria vida é uma conquista preciosa. Trabalhar, decidir, ganhar dinheiro, sustentar escolhas e saber que ...
29/09/2026

Dar conta da própria vida é uma conquista preciosa. Trabalhar, decidir, ganhar dinheiro, sustentar escolhas e saber que é possível seguir sem esperar que alguém venha resolver produz uma liberdade real. Para muitas mulheres, isso também carrega uma conquista histórica: nossas mães e avós tiveram muito menos acesso a essa autonomia.

A coisa se complica quando poder se sustentar começa a se confundir com precisar se sustentar sozinha. A posição fálica toca nesse ponto: permanecer do lado de quem sabe, pode e resolve, f**ando menos exposta à falta e à dependência.

Amar mexe justamente nessa organização, porque alguém passa a ter poder de nos afetar. Pode frustrar, contrariar, desejar outra coisa. Amar contém uma dose inevitável de passividade: alguma coisa do outro nos acontece e escapa ao nosso controle.

Às vezes, é quando alguém começa a importar demais que aparece a vontade de diminuí-lo. Vêm a ironia, a impaciência, a piada, um certo desprezo. Tornar o outro menor também diminui o poder que ele passou a ter de nos afetar.

Num casamento, isso pode levar anos para se instalar. Ela assume, decide, corrige; ele começa a perguntar mais, arriscar menos, deixar escolhas nas mãos dela. Aos poucos, a potência f**a de um lado e a dúvida, a dependência e a impotência se concentram do outro.

Até que aparece a queixa conhecida: “ele não decide nada, virou um banana”.

O homem que parece não sustentar nada pode estar sustentando algo importante na organização do casal: enquanto ele ocupa a fragilidade, ela continua se reconhecendo como aquela que aguenta, resolve e precisa pouco.

E aí vem o paradoxo: o mesmo homem que deixou de ameaçar sua autonomia também pode deixar de despertar admiração e desejo.

É difícil desejar alguém que foi f**ando pequeno na relação. Mais difícil ainda é perceber quanto da própria potência passou a se apoiar nessa diferença.

Estou quase nas bodas de prata com a clínica e, nesses anos, ouvi tantas histórias de traição que fui f**ando menos inte...
25/09/2026

Estou quase nas bodas de prata com a clínica e, nesses anos, ouvi tantas histórias de traição que fui f**ando menos interessada em explicações rápidas. Há a dor de quem descobre um acordo rompido, mas há também a complexidade de quem trai sem conseguir dizer o que buscava. Talvez por isso psicanálise e moralismo combinem tão pouco: compreender não é absolver nem transformar uma experiência humana em sentença.

Foi desse lugar que li Do amor e seu avesso: uma apologia da traição, de Lucas Charafeddine Bulamah. É um livro corajoso porque pergunta, sem recorrer à moral, por que alguém trai mesmo quando ama e a relação funciona. Quando tudo vai mal, encontramos uma narrativa; mais difícil é admitir que ser feliz com alguém não pacif**a tudo o que se passa no desejo.

Bulamah retoma Laplanche para pensar essa parte de nós que nunca conhecemos por inteiro. Desde cedo, recebemos do outro cuidado e afeto, mas também algo atravessado pelo inconsciente, que tentamos traduzir sem conseguir por completo. “Sedução”, aqui, não signif**a abuso nem intenção de seduzir, mas esse encontro com algo do outro que nos constitui antes que possamos compreender.

Daí a força da frase: “Governar o sexual parece ser a nossa última utopia”. Relações precisam de acordos, mas nenhum acordo elimina a ambivalência; até uma relação aberta tem regras.

Enquanto lia, lembrei de A alma imoral, de Nilton Bonder, e da tensão entre tradição e transgressão. Nem toda transgressão transforma. Às vezes, conserva, permitindo viver algo fora sem mexer no que está dentro.

O livro questiona a ideia de que se trai em busca de mais vida, intensidade e desejo. E se houver também uma busca por mais morte? Não morte literal, mas repetição, destrutividade, desligamento. A pergunta deixa de ser apenas o que faltava na relação e passa a incluir o que ali se tornou difícil de sustentar.

A fidelidade também pode carregar uma expectativa de permanência, como se amar implicasse que o outro não mudasse demais e que seus desejos não se afastassem tanto do roteiro construído a dois. Talvez seja esse o paradoxo que mais me interessa: uma traição pode romper uma relação, mas pode também ser uma maneira de não romper.

18/09/2026

Dos stories pro feed

12/09/2026

Dos stories pro feed…

11/09/2026

Freud chamou de narcisismo das pequenas diferenças essa hostilidade que pode aparecer justamente diante de quem está perto, se parece conosco, mas não é igual.

E eu tenho pensado bastante nisso porque, às vezes, não é a diferença enorme que mais nos incomoda. É a pequena.

A mãe que educa diferente.
O amigo que pensa quase como a gente, mas não exatamente.
A família que tolera um tipo de bagunça que a nossa não tolera.
A pessoa que faz escolhas muito parecidas com as nossas, mas por outros critérios.

Talvez porque a pequena diferença mexa mais com a fantasia de que o nosso jeito é o jeito certo.

E aí a gente começa a transformar preferência em princípio, incômodo em ameaça, diferença em erro.

Conviver também exige suportar um pouco disso: o outro não vai confirmar o tempo todo que a nossa forma de viver é a melhor.

Será que estamos editando demais a vida real e tolerando cada vez menos o que escapa do roteiro.  Você é a favor de cria...
06/09/2026

Será que estamos editando demais a vida real e tolerando cada vez menos o que escapa do roteiro. Você é a favor de criança em festa de casamento?

03/09/2026

Um pouquinho de Bion por aqui do lado da minha coca zero, pq ninguém é de ferro!

02/09/2026

Quando parece que tudo no seu filho virou problema, às vezes vale olhar de novo, não para passar pano, mas para entender o que é dele e o que a sua irritação também está contando. Se achou interessante mande para alguém que está na precisando ver alguém mais inteiro.

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