30/09/2026
Tem paciente que chega no consultório dizendo:
“Tem dia que eu como e não sinto nada. Em outro, como praticamente a mesma coisa e passo mal.”
Dor de cabeça, estufamento, vermelhidão na pele, palpitações, alterações intestinais… sintomas que, à primeira vista, parecem não ter relação entre si.
Em alguns casos, a histamina pode ser uma das peças dessa investigação.
E quando surge essa suspeita, a primeira pergunta costuma ser: “o que eu preciso tirar da alimentação?”
Mas talvez a pergunta mais importante seja outra: por que eu passei a reagir assim?
A resposta não depende apenas do alimento. A quantidade de histamina, a combinação dos alimentos, o álcool, a atividade da DAO, a integridade da mucosa intestinal, alguns medicamentos e características individuais podem interferir na tolerância.
Isso ajuda a entender por que um alimento pode ser bem tolerado em um dia e provocar sintomas em outro.
A própria microbiota intestinal também pode produzir histamina, e variações genéticas podem estar associadas à atividade da DAO — embora o impacto clínico desses fatores ainda esteja sendo estudado.
E aqui existe um ponto importante: há exames que avaliam a concentração e a capacidade de degradação da DAO, mas eles, isoladamente, não confirmam o diagnóstico.
É preciso olhar para a história clínica, entender o padrão dos sintomas e os possíveis gatilhos, excluir outras causas e, quando indicado, fazer uma redução temporária seguida de reintrodução.
O objetivo não é restringir cada vez mais alimentos. É entender o que está acontecendo com aquela pessoa e conduzir a alimentação a partir disso.
A avaliação e a conduta devem ser individualizadas, com acompanhamento médico e nutricional.
Você já percebeu que o mesmo alimento às vezes cai bem e outras vezes não? Me conta aqui.
Investigar antes de restringir.
Eu não trato exames. Eu trato pessoas.