25/05/2026
A maternidade muda prioridades, reorganiza o cotidiano, altera o corpo e transforma profundamente a percepção de tempo. Mas existe uma mudança mais silenciosa, que frequentemente passa despercebida: a forma como muitas mulheres deixam de se perceber enquanto sustentam tudo ao redor.
Pouco a pouco, perguntas importantes desaparecem da experiência cotidiana. O que eu sinto deixa de ser uma pergunta possível. O desejo perde espaço entre tarefas, demandas e necessidades alheias. O próprio corpo passa a ser atravessado mais pela funcionalidade do que pela presença.
Em muitos casos, esse afastamento de si é interpretado como algo natural da maternidade, quase como um preço inevitável do cuidado. Mas naturalizar isso talvez seja uma das formas mais profundas de silenciamento feminino.
Maio, na Casa Pulsar, surge como um convite para olhar para essas experiências sem idealização e sem culpa. Não para negar a maternidade, romantizá-la ou transformá-la em identidade única, mas para criar espaço de escuta diante das partes de si que foram ficando para depois.
Nem todas as mulheres desejam a maternidade. Nem todas vivem esse processo da mesma maneira. Ainda assim, existe algo que atravessa muitas experiências femininas: a aprendizagem constante de se afastar de si mesma para sustentar o mundo ao redor.
Os conteúdos voltados para maternidade deste mês nascem dessa percepção. Não como promessa de resposta rápida, mas como possibilidade de olhar para o reencontro com a própria experiência, com o corpo e com aquilo que permaneceu silencioso por tempo demais.