23/09/2026
“Ele era normal.” É uma das respostas mais comuns quando pergunto aos pais sobre a infância de um paciente adulto. Ela quase nunca está errada, mas não me ajuda muito.
Normal e patológico não são separados por uma linha nítida. Na maior parte das vezes, a diferença está em intensidade, frequência e no quanto o comportamento interfere na vida da pessoa. Toda criança esquece coisas. A pergunta clínica é quantas vezes, em quais contextos e com qual custo.
Isso pesa especialmente na avaliação de adultos. Condições do neurodesenvolvimento, como TDAH e autismo, pressupõem que os sinais estejam presentes desde cedo. Muitos adultos crescem compensando dificuldades com esforço, estrutura escolar ou apoio familiar, e o que acaba passando como “normal”.
Por isso, na entrevista, peço descrição e exemplos. Como a criança fazia a lição de casa. O que os professores escreviam nos boletins. Como ela brincava, com quem, por quanto tempo.
Se você é familiar de alguém que vai passar por avaliação, o comportamento observado vale mais do que a palavra que você escolheria para resumi-lo.
Priscila Klein, neuropsicóloga. Mestre em Distúrbios do Desenvolvimento. Avaliação neuropsicológica de adultos e idosos em Pinheiros, São Paulo.
Avaliação neuropsicológica; TDAH; TEA; autismo; neuropsicologia; São Paulo; transtornos do neurodesenvolvimento; saúde mental; adultos
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