02/10/2026
A paralisia do terceiro par craniano (III NC) é condição extremamente incapacitante com etiologias e apresentações clínicas variadas. Estudo retrospectivo publicado nos Arquivos de Neuro-Psiquiatria analisou fatores associados à paralisia do III NC, estimou taxas de recuperação por etiologia e identificou preditores independentes de recuperação em 50 pacientes atendidos entre 2010 e 2020 na Universidade Federal de São Paulo.
A idade média foi de 48,4 anos, com 42% apresentando paralisia do lado direito. As etiologias mais frequentes foram microangiopatia (36%), miscelânea (36%), trauma (12%), tumor (10%) e aneurisma (6%). As comorbidades predominantes foram hipertensão (50%), diabetes mellitus (34%) e doenças cardiovasculares (14%). Ptose foi observada em 62% e envolvimento pupilar em 30% dos pacientes. A recuperação total ocorreu em 46%, parcial em 28% e ausente em 26%.
A análise de Kaplan-Meier revelou diferenças significativas no tempo de recuperação conforme a etiologia (p=0,031), com pacientes de microangiopatia e miscelânea apresentando recuperação mais rápida (2,8 e 1,6 meses, respectivamente) e casos traumáticos com curva mais plana. Na análise de regressão logística multivariada, idade avançada (razão de chances 1,05) e envolvimento pupilar (razão de chances 0,02) mantiveram-se como preditores independentes de menor probabilidade de
recuperação completa. A hipertensão também emergiu como fator prognóstico desfavorável na análise univariada.
Os autores concluem que a etiologia influencia significativamente as estimativas de recuperação e recomendam protocolo individualizado baseado em características do paciente para orientar prognóstico e manejo terapêutico.
Referência
WILLING, D. L. et al. Recovery estimates and prognostic factors for oculomotor nerve palsy. Arquivos de Neuro-Psiquiatria, v. 84, n. 8, s00461827066, 2026.