Academia Brasileira de Neurologia

Academia Brasileira de Neurologia A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) é a maior e mais importante associação dos neurologistas do

A Academia Brasileira de Neurologia (ABN) é a maior e mais importante associação dos neurologistas do Brasil. É uma sociedade civil, sem fins lucrativos, de duração inderteminada, congregadora dos que exercem e/ou cultivam a Neurologia e ciências afins no Brasil. Foi fundada na cidade do Rio de Janeiro em 5 de maio de 1962 e registrada no Primeiro Oficio de Registro de Títulos e Documentos da cida

de de São Paulo. Representa a Neurologia Brasileira na "World Fereration of Neurology" e dirige a sessão de Neurologia da Associação Médica Brasileira, no Conselho das Especialidades. Tem como fundamento a promoção do desenvolvimento cientifico da Neurologia Brasileira. Através de suas comissões, discute assuntos amplos, como a Residência Médica em Neurologia e Programas de Ensino da Neurologia a nível de Graduação e Pós-graduação, além de ser um foro de discussão científica e de assuntos relacionados às atividades profissionais do Neurologista. Promove o Congresso Brasileiro de Neurologia e apoia diversos outros de subespecialidades neurológicas organizados pelos respectivos Grupos de Trabalho

O ruído dos transportes tem sido proposto como fator de risco para a doença de Parkinson, mas as evidências epidemiológi...
31/07/2026

O ruído dos transportes tem sido proposto como fator de risco para a doença de Parkinson, mas as evidências epidemiológicas eram limitadas. Estudo de coorte nacional prospectivo publicado na JAMA Neurology avaliou a associação entre exposição residencial a ruído do tráfego rodoviário e risco de Parkinson na Dinamarca.

Foram incluídos 3.103.577 residentes com 40 anos ou mais (idade média 50,9 anos; 51,2% mulheres), acompanhados de 2000 a 2017. Estimou-se a exposição ao ruído (LDEN) em média ponderada de 10 anos na fachada mais e na menos exposta. Durante o seguimento, 20.587 pessoas desenvolveram Parkinson. Na análise ajustada por variáveis sociodemográficas, poluição do ar por material particulado fino e ultrafino e áreas verdes, o ruído na fachada mais exposta associou-se a maior risco de Parkinson (razão de risco 1,03; intervalo de confiança de 95% 1,00 a 1,05) por incremento interquartil de 11,5 dB. A associação foi mais forte após ajuste pela diferença de ruído entre as fachadas (razão de risco 1,06; intervalo 1,02 a 1,09). O ruído na fachada menos exposta, indicador provável da exposição no quarto de dormir, associou-se a razão de risco de 1,04 (intervalo 1,02 a 1,07). Diferença de ruído entre fachadas de 10 dB ou mais reduziu o risco de Parkinson acima de 50 dB na fachada mais exposta.

As associações foram consistentes entre subgrupos definidos por s**o, escolaridade, renda, coabitação e densidade populacional, e mantiveram-se após ajuste por tabagismo e atividade física.

O ruído do tráfego rodoviário associou-se a maior risco de Parkinson, sobretudo em residências sem fachada silenciosa. Os achados apoiam estratégias de planejamento urbano que garantam áreas silenciosas nas moradias como medida de prevenção.

Referência

SØRENSEN, M. et al. Road Traffic Noise, Noise Difference Between Residential Facades, and Risk of Parkinson Disease. JAMA Neurology, publicação online, 20 jul. 2026. doi:10.1001/jamaneurol.2026.2262.

O hantavírus causa surtos periódicos de doença humana, com elevada letalidade e transmissão predominantemente a partir d...
30/07/2026

O hantavírus causa surtos periódicos de doença humana, com elevada letalidade e transmissão predominantemente a partir de roedores; apenas a espécie Andes transmite pessoa a pessoa. Revisão publicada na JAMA Neurology sumariza a epidemiologia, a estrutura viral, a fisiopatologia e as manifestações neurológicas das infecções por hantavírus.

Duas grandes síndromes são reconhecidas. A síndrome pulmonar por hantavírus, mais comum nas Américas, evolui rapidamente com edema pulmonar, insuficiência respiratória e choque cardiogênico, com letalidade de 35% a 50%. O envolvimento neurológico costuma ser secundário à hipóxia, à hipoperfusão cerebral e à disfunção metabólica, mas há relatos de encefalite pós-viral pelo vírus Andes, mielite transversa e encefalomielite disseminada aguda.

A febre hemorrágica com síndrome renal, endêmica na Ásia e Europa, é causada principalmente pelos vírus Hantaan, Dobrava, Seoul e Puumala. Cursa em cinco fases (febril, hipotensiva, oligúrica, poliúrica e convalescente), com letalidade de 1% a 15%. As complicações neurológicas são mais frequentes: cefaleia intensa, meningite, meningoencefalite, hemorragia intracraniana por trombocitopenia, sintomas visuais e apoplexia hipofisária com pan-hipopituitarismo tardio. Podem ocorrer síndrome da encefalopatia posterior reversível, crises convulsivas, encefalomielite disseminada aguda, polirradiculoneuropatia desmielinizante responsiva a imunoglobulina e mielite transversa longitudinalmente extensa.

Não há antiviral aprovado nem vacina licenciada, e o manejo é sintomático e de suporte. Ribavirina, favipiravir, molnupiravir, griffithsin, plasma convalescente e anticorpos monoclonais neutralizantes vêm sendo investigados. O reconhecimento das manifestações neurológicas, a avaliação hipofisária e o suporte intensivo são essenciais.

Referência

NATH, A. Neurological Manifestations of Hantavirus Infection: A Review. JAMA Neurology, publicação online, 14 jul. 2026. doi:10.1001/jamaneurol.2026.2437.

Os principais destaques do AAIC 2026 estarão em pauta no próximo ABN Lab.No dia 4 de agosto, especialistas se reúnem par...
29/07/2026

Os principais destaques do AAIC 2026 estarão em pauta no próximo ABN Lab.

No dia 4 de agosto, especialistas se reúnem para compartilhar os principais avanços, discussões e novidades apresentados no congresso internacional dedicado à pesquisa sobre Alzheimer e outras demências.

Participam do encontro Raphael Ribeiro Spera, Elisa de Paula França Resende, Raphael Machado Castilhos, Paulo Caramelli e Sônia Brucki.

Data: 4 de agosto
Horário: das 19h às 20h30
Evento online e exclusivo para prescritores.

Inscreva-se pelo link da bio.

O vírus Zika é um flavivírus transmitido pelo mosquito Aedes, com relatos de associação a síndromes neurológicas em adul...
29/07/2026

O vírus Zika é um flavivírus transmitido pelo mosquito Aedes, com relatos de associação a síndromes neurológicas em adultos. Estudo de coorte prospectivo publicado na JAMA Neurology avaliou a incidência e o espectro dessas manifestações em pacientes hospitalizados no Rio de Janeiro entre dezembro de 2015 e maio de 2016.

Foram incluídos 40 pacientes adultos consecutivos com doença parainfecciosa ou neuroinflamatória aguda de início recente (idade mediana 44 anos; 15 mulheres). Vinte e nove (73%) apresentaram síndrome de Guillain-Barré, sete (18%) encefalite, três (8%) mielite transversa e um (3%) polirradiculoneuropatia inflamatória desmielinizante crônica. Amostras de soro e líquor foram testadas para o vírus Zika por PCR em tempo real e ELISA para IgM.

Trinta e cinco pacientes (88%) apresentaram evidência molecular ou sorológica de infecção recente pelo vírus Zika em soro ou líquor. Entre eles, 27 tinham Guillain-Barré (18 desmielinizantes, 8 axonais e 1 síndrome de Miller Fisher), 5 encefalite (3 com doença neuromuscular concomitante), 2 mielite transversa e 1 polirradiculoneuropatia crônica. Comparado ao mesmo período de 2013-2014, as admissões por Guillain-Barré aumentaram de 1,0 para 5,6 casos por mês, e as por encefalite, de 0,4 para 1,4 por mês. Nove pacientes positivos para Zika (26%) foram internados em unidade de terapia intensiva e cinco (14%) necessitaram ventilação mecânica. Aos três meses, dois pacientes positivos para Zika (6%) morreram; 18 (51%) apresentavam dor crônica.

O vírus Zika associou-se ao aumento na incidência de um espectro diverso de síndromes neurológicas graves. O teste sorológico e molecular em soro e líquor pode servir como estratégia diagnóstica alternativa em países endêmicos.

Referência

DA SILVA, I. R. F. et al. Neurologic Complications Associated With the Zika Virus in Brazilian Adults. JAMA Neurology, v. 74, n. 10, p. 1190-1198, 2017.

🎬 ABNCultura | Quando a Guerra Acabar (Before It Ends)Nem todo filme sobre medicina se passa dentro de um hospital.Ambie...
28/07/2026

🎬 ABNCultura | Quando a Guerra Acabar (Before It Ends)

Nem todo filme sobre medicina se passa dentro de um hospital.

Ambientado nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, Quando a Guerra Acabar acompanha o dilema ético de um diretor de escola obrigado a acolher refugiados alemães em uma comunidade marcada pelos traumas da ocupação nazista. Em meio à guerra, a obra provoca uma reflexão profunda: o cuidado médico pode ser condicionado pela história, pela ideologia ou pelo julgamento da sociedade?

Na edição de maio/junho da ABNews, o Dr. Eduardo Uchôa analisa como o filme dialoga com temas essenciais para a prática médica, como ética, humanização, justiça em saúde e os impactos das crises humanitárias na neurologia.

📖 Acesse a nova edição da ABNews no site da ABN e confira esta resenha, além de muitos outros conteúdos preparados com dedicação, conhecimento científico e discussões relevantes para a Neurologia brasileira.

O neurofilamento leve plasmático (pNfL) é biomarcador sanguíneo de lesão axonal elevado em várias doenças neuromusculare...
28/07/2026

O neurofilamento leve plasmático (pNfL) é biomarcador sanguíneo de lesão axonal elevado em várias doenças neuromusculares, mas seu desempenho em cenários clínicos reais permanecia incerto, sobretudo na distinção entre neuropatias ativas e inativas. Estudo transversal publicado na Neurology avaliou a associação entre pNfL ajustado pela idade e categorias diagnósticas em coorte neuromuscular de referência.

Foram incluídos 306 pacientes avaliados na Mayo Clinic entre 2022 e 2024 (idade média 62,2 anos; 41,5% mulheres); 179 tinham doença do neurônio motor, 28 neuropatia clinicamente ativa, 75 neuropatia inativa e 24 etiologia estrutural. Neuropatia ativa foi definida por critérios operacionais que consideravam progressão clínica, status de tratamento e evidência objetiva de recaída ou inflamação, sem incorporar o próprio pNfL.

As concentrações medianas de pNfL diferiram entre grupos (p

Os anticorpos anti-PD-1, como pembrolizumabe e nivolumabe, ampliaram o tratamento de tumores sólidos, mas complicações n...
27/07/2026

Os anticorpos anti-PD-1, como pembrolizumabe e nivolumabe, ampliaram o tratamento de tumores sólidos, mas complicações neurológicas imunomediadas vêm sendo reconhecidas. Estudo de coorte retrospectivo publicado na JAMA Neurology avaliou a frequência, o espectro clínico e o manejo dessas complicações em pacientes atendidos na Mayo Clinic entre 2014 e 2016.

De 347 pacientes tratados, 10 (2,9%) desenvolveram complicações neurológicas de início subagudo (idade mediana 71 anos; 8 homens). Sete recebiam pembrolizumabe e três nivolumabe. Os eventos ocorreram após mediana de 5,5 ciclos (1 a 20). As manifestações incluíram miopatia (n=2), neuropatias variadas (n=4), ataxia cerebelar (n=1), retinopatia autoimune (n=1), oftalmoplegia internuclear bilateral (n=1) e cefaleia (n=1). As neuropatias compreenderam polirradiculoneuropatias axonais ou desmielinizantes (n=2), neuropatia comprimento-dependente (n=1) e neuropatia vasculítica assimétrica com vasculite necrotizante confirmada em biópsia (n=1). Uma paciente apresentou miopatia necrotizante grave com envolvimento bulbar, respiratório e ocular. Cinco pacientes tiveram outras complicações imunomediadas: hipotireoidismo (n=3), colite (n=2) e hepatite (n=1). O escore de Rankin modificado mediano foi 2,5.

O anti-PD-1 foi descontinuado em sete pacientes. Sete receberam corticosteroides, três imunoglobulina intravenosa e um plasmaférese. Nove pacientes melhoraram; um com miopatia necrotizante grave morreu.

Os eventos adversos neurológicos têm fenótipo diverso, com predomínio de complicações neuromusculares. O reconhecimento precoce, a descontinuação da terapia e a imunossupressão são recomendados.

Referência

KAO, J. C. et al. Neurological Complications Associated With Anti-Programmed Death 1 (PD-1) Antibodies. JAMA Neurology, v. 74, n. 10, p. 1216-1222, 2017.

Aprender um novo idioma, ler um livro, tocar um instrumento, iniciar um curso ou até mudar pequenos hábitos da rotina sã...
24/07/2026

Aprender um novo idioma, ler um livro, tocar um instrumento, iniciar um curso ou até mudar pequenos hábitos da rotina são experiências que desafiam o cérebro e estimulam a formação de novas conexões neurais.

Ao longo da vida, esses estímulos podem contribuir para o desenvolvimento da chamada reserva cognitiva, um conceito estudado pela neurologia e pela neurociência que descreve a capacidade do cérebro de utilizar diferentes estratégias para lidar melhor com o envelhecimento e com alterações cerebrais.

É importante destacar que a reserva cognitiva não impede o surgimento de doenças neurológicas. No entanto, evidências científicas mostram que ela pode contribuir para que algumas pessoas mantenham suas funções cognitivas por mais tempo, mesmo diante de determinadas alterações cerebrais.

Cuidar do cérebro também é manter a curiosidade, aprender continuamente e buscar novos desafios ao longo da vida.

Mês do Cérebro ABN | Tudo começa no cérebro.

Você já acordou com a sensação de ter sonhado com uma pessoa completamente desconhecida?Embora esse seja um tema que ain...
23/07/2026

Você já acordou com a sensação de ter sonhado com uma pessoa completamente desconhecida?
Embora esse seja um tema que ainda desperta muitas pesquisas, a neurociência sugere que os rostos presentes nos sonhos costumam ser construídos a partir de informações que o cérebro armazenou ao longo da vida.

Todos os dias, nosso cérebro registra uma enorme quantidade de estímulos visuais: pessoas que cruzam nosso caminho, aparecem na televisão, em fotografias ou em redes sociais. Muitas dessas imagens são armazenadas sem que tenhamos consciência.

Durante o sono, especialmente nas fases em que os sonhos são mais intensos, o cérebro reorganiza memórias, emoções e experiências. Nesse processo, ele pode recuperar rostos já vistos ou até combinar características de diferentes pessoas, criando a impressão de que estamos diante de alguém totalmente novo.

Ainda há muito que a ciência busca compreender sobre os sonhos, mas uma coisa já sabemos: eles não são histórias aleatórias. São resultado de um cérebro que continua trabalhando, organizando informações e construindo conexões mesmo enquanto dormimos.

Mês do Cérebro ABN | Tudo começa no cérebro.

A embolização da artéria meníngea média (MMAE) é tratamento adjuvante minimamente invasivo do hematoma subdural crônico....
22/07/2026

A embolização da artéria meníngea média (MMAE) é tratamento adjuvante minimamente invasivo do hematoma subdural crônico. Ensaio clínico multicêntrico, aberto, randomizado, publicado na JAMA Neurology, avaliou a segurança e a eficácia do sistema embolizante TRUFILL de n-butil cianoacrilato associado ao cuidado padrão em comparação ao cuidado padrão isolado.

O estudo MEMBRANE, conduzido em 30 hospitais (28 nos EUA e 2 na China) entre 2021 e 2024, incluiu 376 pacientes com hematoma subdural crônico sintomático e escala de Rankin modificada de até 3. Os pacientes foram alocados para manejo cirúrgico ou conservador e, dentro de cada coorte, randomizados 1:1 para receber ou não a embolização. O desfecho primário foi hematoma residual ou recorrência maior que 10 mm aos 6 meses ou necessidade de procedimento cirúrgico no período.

Ocorreu o desfecho primário em 11,6% dos pacientes do grupo embolização mais cuidado padrão e 22,1% do grupo cuidado padrão isolado (razão de chances comum 0,53; intervalo de confiança de 90% 0,31-0,91). Eventos adversos ocorreram em 71,8% dos pacientes do grupo intervenção e 65,3% do grupo controle, sem aumento significativo de eventos graves. A embolização mostrou-se não inferior ao cuidado padrão isolado quanto ao desfecho funcional favorável em três meses.

A embolização da artéria meníngea média associada ao cuidado padrão reduziu significativamente as taxas de recorrência e reoperação, sem aumento significativo de eventos adversos, reforçando seu papel adjuvante no tratamento do hematoma subdural crônico.

Referência

KELLNER, C. P. et al. Middle Meningeal Artery Embolization With n-Butyl Cyanoacrylate in Patients With Chronic Subdural Hematoma: A Randomized Clinical Trial. JAMA Neurology, publicação online, 15 jun. 2026. doi:10.1001/jamaneurol.2026.1542.

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