31/07/2026
O ruído dos transportes tem sido proposto como fator de risco para a doença de Parkinson, mas as evidências epidemiológicas eram limitadas. Estudo de coorte nacional prospectivo publicado na JAMA Neurology avaliou a associação entre exposição residencial a ruído do tráfego rodoviário e risco de Parkinson na Dinamarca.
Foram incluídos 3.103.577 residentes com 40 anos ou mais (idade média 50,9 anos; 51,2% mulheres), acompanhados de 2000 a 2017. Estimou-se a exposição ao ruído (LDEN) em média ponderada de 10 anos na fachada mais e na menos exposta. Durante o seguimento, 20.587 pessoas desenvolveram Parkinson. Na análise ajustada por variáveis sociodemográficas, poluição do ar por material particulado fino e ultrafino e áreas verdes, o ruído na fachada mais exposta associou-se a maior risco de Parkinson (razão de risco 1,03; intervalo de confiança de 95% 1,00 a 1,05) por incremento interquartil de 11,5 dB. A associação foi mais forte após ajuste pela diferença de ruído entre as fachadas (razão de risco 1,06; intervalo 1,02 a 1,09). O ruído na fachada menos exposta, indicador provável da exposição no quarto de dormir, associou-se a razão de risco de 1,04 (intervalo 1,02 a 1,07). Diferença de ruído entre fachadas de 10 dB ou mais reduziu o risco de Parkinson acima de 50 dB na fachada mais exposta.
As associações foram consistentes entre subgrupos definidos por s**o, escolaridade, renda, coabitação e densidade populacional, e mantiveram-se após ajuste por tabagismo e atividade física.
O ruído do tráfego rodoviário associou-se a maior risco de Parkinson, sobretudo em residências sem fachada silenciosa. Os achados apoiam estratégias de planejamento urbano que garantam áreas silenciosas nas moradias como medida de prevenção.
Referência
SØRENSEN, M. et al. Road Traffic Noise, Noise Difference Between Residential Facades, and Risk of Parkinson Disease. JAMA Neurology, publicação online, 20 jul. 2026. doi:10.1001/jamaneurol.2026.2262.