21/05/2026
Quem me acompanha por aqui sabe que este perfil silenciou em novembro do ano passado. Às vezes, a vida nos impõe pausas que não estão no script. Mas existe um abismo gigante entre oq a gente mostra na internet e oq realmente acontece nos nossos bastidores.
A verdade é que, por trás de uma página profissional, existe um ser humano. E, enquanto o feed estava estático, a minha vida pessoal estava virando do avesso.
É doloroso perceber como, muitas vezes, as pessoas julgam o sumiço, a ausência ou as mudanças sem fazer a menor ideia do que o outro está atravessando. Julga-se a "falta de constância" sem saber que, do lado de cá, a batalha era simplesmente pra conseguir respirar.
E, pra mim, o peso foi ainda maior. É extremamente doloroso ser uma profissional que vive pra cuidar dos outros e perceber que, naquele momento, eu não tinha a menor condição de me doar inteiramente a quem precisava de mim. Entendi, na pele, que para oferecer o meu melhor cuidado ao outro, eu precisava, primeiro, salvar a mim mesma. É o tal do "não se dá de beber ao outro em um copo vazio"...
Os últimos meses foram o capítulo mais desafiador da minha história. Vivi o luto profundo de uma separação, a dor dilacerante de ter que abrir mão da minha cachorra, a vertigem de mudar completamente de vida e recomeçar do zero enquanto crio minhas duas crianças.
O corpo sentiu o peso da alma: vieram as crises de pânico, a ansiedade, a piora da depressão, queda de cabelo e 10 kg que se foram pela falta de apetite.
Olhar no espelho e não se reconhecer dói. Mas carregar essa dor em silêncio, sabendo que o mundo lá fora continua cobrando e julgando, dói muito mais.
Felizmente, o fundo do poço também tem mola. Com paciência, terapia, rede de apoio e respeitando o tempo de cada cicatriz, eu fui recolhendo meus pedaços. Redescobri que a vulnerabilidade não nos faz fracos; ela nos torna reais. E essa travessia transformou completamente a minha forma de exercer a minha profissão.
Hoje, não trago pros meus atendimentos apenas a minha bagagem técnica, os meus títulos e estudos. Trago uma escuta ainda mais apurada, um olhar despido de julgamentos e a certeza viva de que é possível se regenerar. Quem passou pelo deserto sabe exatamente o valor de uma mão estendida.
Estou de volta. Com o coração cheio de esperança, novos planos saindo do papel, realizações a caminho e uma vontade genuína de fazer a diferença na vida de vocês — lembrando sempre que empatia não é um conceito teórico, é prática diária.
Obrigada a quem soube esperar com respeito, a quem mandou energia positiva e a quem está chegando agora. É muito bom estar viva, feliz e pronta para recomeçar. 🌟