Monique Carvalho - Psicanalista

Monique Carvalho - Psicanalista Psicóloga|Psicanalista Clínica e Escolar! Atendimento psicológico infantil e adulto. Próximo a

Fazer análise é poder tornar consciente o que gera angústia, sofrimento, ansiedade... suas repetições, escolhas, relações, sintomas, a fim de poder elaborá-los. No entanto, sabemos que, muitas vezes, não é fácil procurar por um psicólogo; seja pelas fantasias que se tem sobre o fazer análise/psicoterapia, seja por preconceito (é raro, mas ainda existe quem pense que é "para loucos") e até mesmo p

or receio de entrar em contato com questões difíceis e sofridas. Mas ao transpor os obstáculos, sejam quais forem, o resultado é um caminhar para si e a surpresa de se descobrir. É sentir-se empoderado sobre si mesmo, integrado. É poder deixar o passado no passado, e viver o presente de maneira autêntica. Sempre é tempo para nos encontrarmos conosco de maneira verdadeira, genuína. Fazer análise é uma aventura pessoal que nos reconcilia, de modo duradouro, com nossa própria história.

Amor por si só não garante uma experiência interessante de sermos sós. Porque amar alguém não significa, necessariamente...
01/09/2026

Amor por si só não garante uma experiência interessante de sermos sós.

Porque amar alguém não significa, necessariamente, ter condições emocionais de oferecer a sustentação de que essa pessoa necessita.

Uma mãe pode amar profundamente seu bebê e, ainda assim, não conseguir oferecer uma presença suficientemente boa para que ele se sinta seguro. Ou seja, reconhecer suas necessidades emocionais e atendê-las minimamente.

A capacidade de estar só tem início justamente nessa relação mãe–bebê. Quando o bebê pode estar só na presença de alguém que se constitui como um ambiente suficientemente bom, estar só pode se tornar uma experiência segura - e posteriormente, interessante.

Quando essa experiência não pôde ser vivida, a solidão pode ser experienciada como uma grande ameaça de desamparo, angústia, sensação de vazio, abandono, invasão e até de aniquilação.

É dessa experiência que muitas pessoas passam a vida tentando fugir: da angústia que aparece quando não há alguém por perto, do vazio que precisa ser rapidamente preenchido, do pavor de se perceber só e também da ameaça que a presença e a proximidade do outro podem representar.

Mas não é a simples presença de alguém que transforma essa experiência. São relações suficientemente boas que podem oferecer as condições emocionais para que estar só deixe de ser vivido como ameaça.

E é também por isso que há algo de ilusório na ideia de que essa capacidade possa ser conquistada sozinha. Somos seres relacionais: se é na relação com o outro que a capacidade de estar só começa a se constituir, é também em outras relações que ela pode encontrar novas condições para se desenvolver ao longo da vida.

Um processo de análise suficientemente bom pode oferecer justamente uma dessas experiências: uma relação na qual nem a ausência do outro precise ser vivida como abandono, nem sua presença como invasão e na qual, pouco a pouco, estar só possa se tornar uma experiência possível, segura e também interessante.

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Talvez a esperança apavore porque nos coloca diante da vulnerabilidade de desejar que algo dê certo. Desejar é gesto esp...
24/08/2026

Talvez a esperança apavore porque nos coloca diante da vulnerabilidade de desejar que algo dê certo. Desejar é gesto espontâneo; é se envolver, investir, criar expectativas — e aceitar que aquilo também pode nos frustrar, nos faltar, nos fazer sofrer.

Para Winnicott, a saúde emocional nunca significou uma vida protegida da dor. A dor faz parte do viver. A questão é podermos atravessá-la sem precisar nos defender da própria vida para evitá-la.

Amadurecer emocionalmente também é atravessar frustrações, perdas e desilusões sem que isso ameace a continuidade do próprio viver. É conquistar a confiança de que podemos sobreviver à dor sem precisar desistir daquilo que desejamos viver.

Talvez seja justamente essa confiança que nos permita continuar tendo esperança.

Um processo de análise possibilita essa conquista!

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A psicanálise winnicottiana nos ajuda a compreender que nem sempre aquilo que desejamos pôde, de fato, ser descoberto a ...
12/08/2026

A psicanálise winnicottiana nos ajuda a compreender que nem sempre aquilo que desejamos pôde, de fato, ser descoberto a partir de nós mesmos.

Desde muito cedo, aprendemos também a desejar, escolher e agir levando em conta aquilo que o ambiente podia acolher, sustentar ou suportar.

Por isso, aquilo que na vida adulta reconhecemos como “eu sou assim” pode carregar tanto algo que verdadeiramente parte de nós quanto formas de nos proteger que foram construídas a partir das experiências que vivemos.

Um processo de análise possibilita reconhecer essas antigas formas de proteção (defesas) e, aos poucos, descobrir quais escolhas, desejos e modos de viver podem partir mais verdadeiramente de nós mesmos.

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A psicanálise winnicottiana podemos compreender que Nem sempre aquilo que desejamos pôde, de fato, ser descoberto a part...
12/08/2026

A psicanálise winnicottiana podemos compreender que Nem sempre aquilo que desejamos pôde, de fato, ser descoberto a partir de nós mesmos. Desde muito cedo, aprendemos também a desejar, escolher e agir levando em conta aquilo que o ambiente podia acolher, sustentar ou suportar.

Por isso, aquilo que na vida adulta reconhecemos como “eu sou assim” pode carregar tanto algo que verdadeiramente parte de nós, quanto formas de nos proteger que foram construídas a partir das experiências que vivemos.

Um processo de análise possibilita reconhecer essas antigas formas de proteção (defesas) e, aos poucos, descobrir quais escolhas, desejos e modos de viver podem partir mais verdadeiramente de nós mesmos.

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Há algo que escapa ao racional nas escolhas mais importantes da vida. O que vem do coração é bússola. Mas Winnicott acre...
03/08/2026

Há algo que escapa ao racional nas escolhas mais importantes da vida. O que vem do coração é bússola. Mas Winnicott acrescentaria uma pergunta: o que esse impulso está expressando?

Muitas vezes, aquilo que sentimos também pode nascer de antigas defesas que um dia precisaram nos proteger. Nem sempre é fácil distinguir o impulso que nasce das defesas daquele que parte do gesto espontâneo, daquilo que parte de si mesma(o).

O gesto espontâneo costuma produzir um alívio quando se descobre que é possível decepcionar, frustrar ou desagradar alguém sem sentir que, por isso, o vínculo foi colocado em risco. Já a defesa tenta aliviar uma angústia, uma dor, um desconforto, mas não os resolve.

Por isso, mais do que perguntar se a escolha é racional ou intuitiva, Winnicott nos convidaria a observar a experiência que ela produz. É ela que, muitas vezes, nos ajuda a reconhecer se estamos agindo para nos proteger de uma antiga angústia ou se conseguimos, finalmente, sustentar um gesto que parte de nós mesmos.

Um processo de análise possibilita reconhecer as defesas e conquistar a possibilidade de sustentar o gesto espontâneo nas relações sem precisar abrir mão de si mesma(o) para preservar um vínculo.

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A experiência emocional continuará pedindo compreensão independentemente do termo dado a ela.A psicanálise segue nos con...
29/07/2026

A experiência emocional continuará pedindo compreensão independentemente do termo dado a ela.

A psicanálise segue nos convidando a olhar para aquilo que está sendo vivido e para as ‘condições emocionais’ que sustentam essa experiência.

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Não importa o termo que se dê, a experiência emocional continuará pedindo compreensão. A psicanálise segue nos convidand...
29/07/2026

Não importa o termo que se dê, a experiência emocional continuará pedindo compreensão.

A psicanálise segue nos convidando a olhar para aquilo que está sendo vivido e para as condições emocionais que sustentam essa experiência.

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Quando dizer “não” ameaça o vínculo, o “sim” deixa de ser uma escolha verdadeira, autêntica, e passa a ser uma adaptação...
17/07/2026

Quando dizer “não” ameaça o vínculo, o “sim” deixa de ser uma escolha verdadeira, autêntica, e passa a ser uma adaptação.

E, quando a adaptação se torna necessária, a espontaneidade perde espaço.

Pois há o medo de perder o amor do outro ao estabelecer os próprios limites que o “não” nos garante. Significa frustrar o outro, decepcionar, desagradar, ser mal-vista(o).

Por isso, dizer “não” é uma conquista do amadurecimento emocional. É poder atender a própria demanda e, ainda assim, confiar que o vínculo pode sobreviver a isso.

Um processo de análise possibilita essa conquista! Reconhecer e estabelecer os próprios limites, as próprias necessidades emocionais e os próprios sentimentos, sem que uma parte de si precise ficar de fora da relação.

É sobre integração e inteireza.

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Escolher a partir de si mesma(o) é um grande desafio quando, inconscientemente, as escolhas estão sendo feitas a partir ...
14/07/2026

Escolher a partir de si mesma(o) é um grande desafio quando, inconscientemente, as escolhas estão sendo feitas a partir de um lugar subjetivo no qual foi preciso se adaptar às expectativas do outro, ao que imagina que esperam de você.

Também pela necessidade emocional de repetir padrões vividos na infância, na esperança de que, dessa vez, o desfecho seja diferente, por exemplo.

Ou seja, de um lugar subjetivo no qual o amadurecimento emocional foi interrompido - em vez de poder simplesmente Ser, foi preciso sobreviver emocionalmente.

O processo de análise possibilita a retomada desse amadurecimento e, pouco a pouco, o contato verdadeiro consigo mesma(o): com o próprio gesto espontâneo, com os próprios sentimentos e desejos.

O amadurecimento emocional modifica o lugar subjetivo a partir do qual vivemos, escolhemos e construímos nossos vínculos.

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Quando falamos em ambiente, é comum associá-lo ao espaço físico. No entanto,  o ambiente é o outro com o qual nos relaci...
10/07/2026

Quando falamos em ambiente, é comum associá-lo ao espaço físico. No entanto, o ambiente é o outro com o qual nos relacionamos.

A mãe para seu bebê. A professora para seus alunos. A liderança para sua equipe. Nós, uns para os outros.

No fim das contas, o ambiente é crucial para o nosso amadurecimento emocional. Pode facilitá-lo, favorecendo a saúde emocional, ou dificultá-lo, contribuindo para o sofrimento emocional.

Porque alguns ambientes favorecem nossa espontaneidade; outros nos afastam, pouco a pouco, de quem somos.

Às vezes, “encontrar um novo” não é tão simples, porém, não se perder de si mesma(o) na relação com o outro tem início pelo amadurecimento emocional; pela construção de recursos internos que nos permitam também reconhecer quando um ambiente favorece ou dificulta nosso desenvolvimento e, sobretudo, como não permanecermos subjetivamente submetidos a ele enquanto uma mudança ainda não é possível.

Essa é uma contribuição importante da psicanálise winnicottiana: ampliar nossa compreensão sobre a importância do ambiente para o amadurecimento emocional e para a construção de relações saudáveis, ‘suficientemente boas’. Seja através da clínica, seja através das instituições.


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