03/08/2026
Há algo que escapa ao racional nas escolhas mais importantes da vida. O que vem do coração é bússola. Mas Winnicott acrescentaria uma pergunta: o que esse impulso está expressando?
Muitas vezes, aquilo que sentimos também pode nascer de antigas defesas que um dia precisaram nos proteger. Nem sempre é fácil distinguir o impulso que nasce das defesas daquele que parte do gesto espontâneo, daquilo que parte de si mesma(o).
O gesto espontâneo costuma produzir um alívio quando se descobre que é possível decepcionar, frustrar ou desagradar alguém sem sentir que, por isso, o vínculo foi colocado em risco. Já a defesa tenta aliviar uma angústia, uma dor, um desconforto, mas não os resolve.
Por isso, mais do que perguntar se a escolha é racional ou intuitiva, Winnicott nos convidaria a observar a experiência que ela produz. É ela que, muitas vezes, nos ajuda a reconhecer se estamos agindo para nos proteger de uma antiga angústia ou se conseguimos, finalmente, sustentar um gesto que parte de nós mesmos.
Um processo de análise possibilita reconhecer as defesas e conquistar a possibilidade de sustentar o gesto espontâneo nas relações sem precisar abrir mão de si mesma(o) para preservar um vínculo.
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