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Dr Bruno Halpern - Clínica Halpern Endocrinologia e Metabologia

Dr. Bruno Halpern
CRM-SP 124.905

Informações de saúde fornecidas pelo Dr. Bruno Halpern
Atual Editor da Revista "Evidências em Obesidade" da Associação Brasileira de Estudos de Obesidade (ABESO)
Diretor da Associação Brasileira de Estudos de Obesidade (ABESO)
Diretor da Federación Latinoamericana de Sociedads de Obesidade (FLASO), representando o Brasil na entidade
Chefe do Centro de Controle de Peso do Hospital 9 de Julho
Graduado em Medicina, Especialista em Clínica Médica e Endocrinologia - Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo/ Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Especialista em Endocrinologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e sócio ativo dessa sociedade

O foco da página é em Metabolismo (Obesidade, Diabetes, Colesterol e risco cardiovascular) e Endocrinologia Geral

02/10/2026

OBESIDADE EM MULHERES: quais barreiras ainda dificultam o acesso e a continuidade do tratamento?

Embora o tratamento da obesidade tenha como objetivo melhorar a saúde e a qualidade de vida, fatores econômicos, sociais e culturais ainda podem dificultar sua continuidade entre as mulheres.

No EASD 2026, Fernando Valente conversou com Bruno Halpern sobre um artigo recente que discute desigualdades de gênero no tratamento farmacológico da obesidade. Entre os pontos abordados estão a maior dificuldade de manutenção do tratamento em países de baixa e média renda, o risco de reganho de peso após a interrupção e as lacunas de evidência em fases como gestação, lactação e menopausa.

O debate reforça a importância de considerar acesso, continuidade do cuidado e diferentes fases da vida da mulher na escolha e no acompanhamento do tratamento.

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▫️ EASD 2026 · Milão, Itália · 28 de setembro a 2 de outubro
🔬 Cobertura científica SBD | SBEM | ABESO
Três sociedades. Múltiplas vozes.

02/10/2026

REMISSÃO DO DIABETES TIPO 2: o desafio está na manutenção

A remissão do diabetes tipo 2 está diretamente relacionada à normalização dos níveis de glicose e hemoglobina glicada sem o uso de medicamentos. Os estudos mostram que, especialmente nos primeiros anos da doença, uma perda importante de peso pode aumentar a chance de alcançar esse objetivo.

Os estudos de remissão também ajudaram a reforçar a relação entre obesidade, ganho de peso e diabetes tipo 2. No entanto, estratégias baseadas em dietas de muito baixa caloria podem ser difíceis de sustentar a longo prazo, já que a recuperação do peso envolve mudanças fisiológicas, como aumento da fome e redução do gasto energético.

O DIRECT, por exemplo, mostrou que a manutenção da remissão é um desafio: no seguimento de cinco anos, apenas 13% dos participantes permaneciam em remissão. Já o RETUNE, de Roy Taylor, mostrou que uma perda de 6,5 kg também pode levar à remissão em pessoas com diabetes tipo 2 e excesso de adiposidade, mesmo sem obesidade.

Os dados reforçam a importância de estratégias sustentáveis para o controle do peso e do diabetes, considerando a fisiologia da recuperação de peso e os mecanismos que estão na base da doença.

📌 Importante: remissão significa manter níveis normais de glicemia sem medicamentos. A manutenção desses resultados continua sendo um dos principais desafios.

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02/10/2026

Recuperar peso após a perda é fisiológico, e não uma “falha”. Entender isso é fundamental para que possamos pensar em estratégias de longo prazo para a manutenção do peso, em pessoas com e sem diabetes.

👉 Como alguém que há mais de uma década frequenta congressos de diabetes, é excelente ver a obesidade ganhar cada vez mais destaque, depois de tantos anos sendo praticamente esquecida. E poder organizar e coordenar uma mesa sobre o assunto é indescritível.

👉 Lembro que, há 14 anos, no meu primeiro Congresso Europeu de Diabetes, fiquei surpreso com a falta de discussão sobre obesidade. Hoje, estou do outro lado: organizando uma mesa sobre o tema, vendo essa discussão acontecer e com a sala cheia!

02/10/2026

Você sabia que mulheres representam 80% do consumo de medicamentos para obesidade? E em situações de dificuldades econômicos, o tratamento das mulheres é um dos primeiros a ser interrompidos? Esse foi o o tema de um artigo que fui co-autor publicado no Lancet Obstetrics & Gynecology, é apresentado durante o Congresso Europeu de Diabetes! Ref: Meeks. Global barriers to GLP-1 receptor agonist treatment in
women: access, safety, and equity. Lancet GO 2026

01/10/2026

Medicamentos para obesidade cada vez mais potentes. Ótima notícia, mas vamos lembrar que nem todo mundo precisa perder mais que 30% do peso. Medicamentos mais potentes significa também mais pessoas atingindo perdas expressivas (mesmo quem responde abaixo da média) e que eventuais doses baixas, com boa tolerabilidade, podem ser úteis, sendo bom para quem sofre com efeitos colaterais. O dado mais novo apresentado no Easd em Milão é o estudo fase 2 com a combinação de tirzepatida com eloralintida que levou em 36 semanas a quase 30% de perda de peso. A maioria vai ficar bem com doses mais baixas!

29/09/2026

Riscos oculares com GLP1 - colocando sob perspectiva. Não há comprovação de riscos aumentados, e mesmo eventuais riscos são raríssimos. Benefícios muito maiorespara quem tem indicação. E que bom que temos estudos de farmacovigilância - essa é uma das razões porque medicamentos regulados são recomendados: pois pôde-se sempre fazer escrutínio de segurança, o que não acontece com produtos de procedência duvidosa.

Sempre digo que manter o peso perdido requer esforços contínuos, pois o corpo tem adaptações fisiológicas que quer nos l...
28/09/2026

Sempre digo que manter o peso perdido requer esforços contínuos, pois o corpo tem adaptações fisiológicas que quer nos levar ao peso máximo: aumento da fome e redução do gasto energético.

👉Essas adaptações crescem conforme se perde mais e mais, de forma semelhante a uma mola. Quanto mais eu aperto, mais força tenho q fazer para que a mola se mexa mais, e devo manter o esforço para que ela não volte a subir (a analogia não é perfeita, pois se solto a mola, ela volta imediatamente ao ponto de origem, o que em geral não ocorre com o peso, mas é fácil de entender). Assim, paradoxalmente, quanto mais peso uma pessoa perdeu, e melhor ela está, mais cuidados devemos ter para que ali permaneça.

👉Além das questões biológicas, a dificuldade de manter o peso também ocorre por questões relacionadas ao mundo que vivemos e nossos hábitos. E talvez o mais cruel deles seja exatamente a visão das pessoas ao redor que, se alguém perdeu muito peso e “está bem”, não precisa mais nos preocupar com alimentação e até mesmo o exercício, e por vezes, se ouve que “está paranóico”, ou “ficou chato”. Ou seja, a manutenção do peso acaba se tornando acima de tudo, um caminho solitário, com muitos esforços, pouca recompensa percebida (embora ela exista) e muitas forças externas agindo contra. Claro que devemos avaliar se nossa qualidade de vida melhorou: se o esforço para manter um determjnado peso é tanto q a vida se torna chata, talvez o peso “ideal” não seja aquele.

👉Nesse sentido, reforço que um bom acompanhamento profissional pode ajudar, para ajustas expectativas e para que os esforços da manutenção sejam bem canalizados e menos solitários! E para que se possa lidar melhor com os “sabotadores” (que podem ser muitas vezes aqueles que nos querem muito bem e não se percebem assim).

27/09/2026

Depois da minha 4a Assembleia Geral da ONU em Nova York, uma lição essencial: seja humildade, há muita vida lá fora - e quando digo lá fora, não é em outros países, é fora do nosso círculo de convivência; e há pessoas que sabem muito mais que a gente nos assuntos que eles estudam! Se juntar a quem sabe é o que faz a diferença, e não se julgar especialista supremo! Uma reflexão de domingo!

A fibromialgia é uma doença pouco compreendida, mas extremamente limitantes para quem vive com ela, com dores crônicas, ...
26/09/2026

A fibromialgia é uma doença pouco compreendida, mas extremamente limitantes para quem vive com ela, com dores crônicas, humor depressivo e péssima qualidade de vida.

👉Existe uma relação entre obesidade e fibromialgia, e pesquisas foram feitas para avaliar se haveria benefício clínico de planos de perda de peso. E os resultados foram positivos.

👉Um estudo, publicado em 2012, avaliou pessoas com obesidade e fibromialgia (IMC médio de 32) e dividiu em dois grupos, um que recebeu tratamento para peso e outro não por 6 meses.

👉Após esse período, os resultados foram positivos: o grupo em tratamento teve uma redução de 3kg/m2 se IMC (uma média de 10kgs, aproximadamente) e ao serem avaliados apresentaram melhoras em vários parâmetros.

👉Entre os mais importantes, houve redução da dor, redução de número de pontos dolorosos, humor depressivo, fadiga, qualidade do sono e qualidade de vida medida por questionários.

👉O estudo também mediu marcadores inflamatórios, que se reduziram no grupo que perdeu peso; como a fibromialgia é uma doença associada a maior inflamação, essa seria uma sugestão de porque a perda de peso foi útil, mas claro que outros pontos, como o maior nível de exercício, também podem explicar.

👉A fibromialgia é uma doença de difícil tratamento e não estou dizendo que “basta emagrecer e tudo se resolve”, afinal, em alguns parâmetros a melhora existiu, mas não foi completa, e em outros não houve. Ou seja, o tratamento é muito mais amplo, mas o estudo sugere que ofertar estratégias baseadas em evidências com objetivo de perda de peso para pessoas com fibromialgia e sobrepeso/obesidade pode contribuir para a melhora do quadro geral!

Ref: Senna. Effect of weight reduction on QOL in obese patients with fibromyalgia: a RCT. Clin Rheumatol 2012

Hoje, a World Obesity Federation organizou um café da manhã, durante a Assembleia Geral da ONU, com diversos líderes em ...
23/09/2026

Hoje, a World Obesity Federation organizou um café da manhã, durante a Assembleia Geral da ONU, com diversos líderes em obesidade ao redor do mundo, para falar sobre a importância de incluirmos a obesidade entre as prioridades da cobertura universal de saúde. Esse é um tema que será objeto de uma Declaração da ONU em um ano, mas que precisa começar a ser debatido desde já.

👉 Tive a honra, como presidente da WOF, de ser o moderador do evento, que contou com representantes dos Ministérios da Saúde de países que apoiam essa causa e enxergam a obesidade como ela é: uma doença crônica que merece ser priorizada. Entre eles, Egito, Filipinas, Tailândia, Quênia e África do Sul.

Também tivemos representantes da sociedade civil e de organizações parceiras, como Organização Mundial da Saúde e UNICEF, além de diversas organizações focadas em doenças crônicas, incluindo a participação da Paula Johns, que faz um brilhante trabalho com a ACT Promoção da Saúde em prevenção.

É importante lembrar que cobertura universal de saúde não significa apenas tratamento, mas uma visão integrada dos sistemas de saúde, incluindo prevenção, diagnóstico precoce e cuidado adequado.

👉 Uma honra enorme participar dessa sessão e ver o futuro sendo construído: ouvir representantes de alto nível de vários países se comprometendo a colocar a obesidade no radar. Hoje, muitas vezes, uma pessoa só tem acesso ao cuidado quando já desenvolveu alguma doença associada à obesidade, o que é absurdo. E é muito significativo perceber como as grandes agências internacionais estão reconhecendo a dimensão do problema.

Hoje, a UNICEF reconhece a obesidade infantil como uma forma de má nutrição, e o excesso de peso entre crianças e adolescentes em idade escolar já ultrapassou o baixo peso globalmente. E obesidade não é uma doença de países ricos: 80% das pessoas que vivem com obesidade no mundo estão em países de baixa e média renda.

Não oferecer acesso ao cuidado pelos sistemas públicos tem consequências não apenas para a saúde, mas também econômicas e sociais.

Há tempo para mudanças, e esperamos que elas já estejam refletidas na Declaração do próximo ano!

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