Dra. Fernanda Barbosa

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Dra. Fernanda Barbosa Mastologista
Cirurgia da mama / reconstrução
Medica e sobrevivente de câncer de mama
Cuidado baseado em ciência, técnica e empatia. CRM 122139 | RQE 129348

12/10/2026

Algumas decisões não chegam prontas. Elas se constroem ao longo de muitas conversas, muitos prós e contras, muitas noites pensando.

Essa paciente tinha um histórico que justif**ava atenção redobrada. E ao longo do acompanhamento, ela manifestou o desejo de avaliar uma opção mais definitiva: a adenomastectomia bilateral redutora de risco.

Não foi uma decisão rápida. Foi um processo, com explicações, dúvidas, idas e vindas, até que ela se sentiu segura o suficiente para escolher.

E quando a decisão foi tomada, o que ela me disse ficou comigo: queria encerrar esse ciclo de biópsias e preocupações recorrentes. Porque cada biópsia são noites sem dormir.

A cirurgia preventiva não é a escolha certa para todas as pacientes. Mas para algumas, ela é exatamente o que devolve a paz.

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11/10/2026

Tenho 30 anos e recebi um diagnóstico de câncer de mama. Por onde começo?

Essa é uma das perguntas mais importantes que uma paciente jovem pode fazer. E a resposta envolve mais do que escolher o tratamento.
Antes de qualquer coisa, o tratamento oncológico precisa de planejamento. Não pode ser atropelado, mesmo que a urgência seja real.

Para uma paciente de 30 anos, existem duas decisões que não podem ser esquecidas antes de começar:

A primeira é o teste genético. Toda paciente nessa faixa etária tem indicação. Sem exceção.

A segunda é a conversa sobre desejo reprodutivo. Se ela ainda quer ter filhos, o momento de avaliar o congelamento de óvulos é agora, antes da quimioterapia, não depois.

Além disso, a definição do tratamento completo, se começa pela cirurgia ou pela quimioterapia neoadjuvante, pelos exames de imagem adequados, pela avaliação do oncologista, tudo isso precisa estar organizado antes de dar o primeiro passo.

Receber um diagnóstico com 30 anos é assustador. Mas com as decisões certas tomadas na ordem certa, o caminho f**a mais claro.

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Uma das perguntas que mais escuto no consultório é se retirar também a mama saudável melhora a sobrevida e na maioria do...
10/10/2026

Uma das perguntas que mais escuto no consultório é se retirar também a mama saudável melhora a sobrevida e na maioria dos casos, a resposta é não.

Esse procedimento reduz o risco de a outra mama desenvolver um câncer no futuro, mas não muda o prognóstico do câncer que já existe. São raras as situações em que isso interfere na cura.

Ainda assim, essa pode ser uma decisão legítima quando ela é bem informada. O problema está em decidir movida pelo medo, sem entender exatamente o que a cirurgia faz e o que ela não faz.

Meu papel é garantir que cada paciente chegue a essa escolha com informação de qualidade e segurança, e que a decisão seja realmente dela.

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09/10/2026

BI-RADS 4 não é sinônimo de câncer, mas também não é um resultado para ignorar.

Na mastologia, o BI-RADS 4 é uma lesão suspeita, que precisa ser investigada. Na prática, isso signif**a que preciso fazer uma biópsia para esclarecer o que realmente está acontecendo e é esse caminho que traz respostas e permite decidir os próximos passos com segurança.

Ele não chega a ser um BI-RADS 5. Nesse caso, a lesão é tão suspeita que, mesmo que a biópsia venha benigna, ainda será necessário fazer alguma conduta, porque a suspeita continua muito alta.

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Sem histórico familiar de câncer de mama. Fora da idade de início do rastreamento. E mesmo assim, há cinco anos, eu rece...
05/10/2026

Sem histórico familiar de câncer de mama. Fora da idade de início do rastreamento. E mesmo assim, há cinco anos, eu recebi o meu próprio diagnóstico.

Descobri por acaso, num ultrassom de rotina que eu fazia sem nenhuma indicação formal, só porque fazia. Foi ali que palpei a alteração que mudou os próximos meses da minha vida.

Câncer de mama não escolhe só quem "tem risco". Por isso a informação e o acompanhamento importam pra todo mundo, não só pra quem tem histórico familiar.

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02/10/2026

Diante de um câncer, a cirurgia faz parte do caminho.

Quando o diagnóstico é de câncer de mama, a pergunta raramente é se vamos operar. Pode não ser agora, a ordem do tratamento varia de caso para caso, mas em algum momento a cirurgia costuma estar presente.

Com as lesões pré-cancerígenas, aquelas que podem ou não evoluir para um câncer, a conversa é outra. Existem muito mais fatores envolvidos, e a decisão não é óbvia.

Essa paciente precisa de tempo e muitas vezes, de várias consultas. Porque ela precisa compreender com profundidade dois riscos que caminham lado a lado: o risco que ela tem de desenvolver um câncer e o risco que ela assume ao optar pela cirurgia.

Só com essa clareza a decisão deixa de ser minha e passa a ser nossa.

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28/09/2026

Nem toda lesão suspeita termina em cirurgia.

O BI-RADS 4 indica uma lesão suspeita, e por isso ela precisa ser biopsiada. Foi o caso de uma paciente que acompanho, ela tinha uma lesão assim, fez a biópsia e o resultado veio benigno.

Não era uma lesão pequena, mas os exames foram feitos em um local seguro e o resultado da biópsia era compatível com o que víamos nas imagens, porque no caso dela também era necessário fazer uma ressonância.

Com todos os exames em mãos, conversei com ela: você não precisa operar, vamos acompanhar essa lesão. E foi o que fizemos. Depois de seis meses, repetimos os exames e seguimos acompanhando de perto.

Decidir não operar também é uma decisão médica, e ela só é segura quando cada etapa é feita com rigor.

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Não importa se sou a segunda opinião ou a sexta. Eu sempre começo do zero.Isso não é desconfiança em relação ao colega q...
23/09/2026

Não importa se sou a segunda opinião ou a sexta. Eu sempre começo do zero.

Isso não é desconfiança em relação ao colega que atendeu antes. É respeito pela decisão que a paciente ainda vai tomar.

Quando alguém chega até mim depois de já ter passado por outros médicos, eu poderia presumir o que ela já sabe e ir direto ao ponto. Seria mais rápido. Mas alguma informação importante f**aria pelo caminho, e ela tomaria uma decisão baseada em fragmentos de conversas diferentes, não em um entendimento completo do próprio caso.

Por isso, eu explico desde o começo, como se ela estivesse ouvindo tudo pela primeira vez. Porque ela está ouvindo pela primeira vez na minha voz, com a minha leitura, com o que eu avaliei.

Você está aqui para ouvir a minha opinião, não a minha opinião sobre a opinião do outro médico.

Informação completa é o que permite uma decisão segura. E essa é sempre a minha prioridade.

22/09/2026

Um ponto importante sobre como fazer os exames de mama da forma certa.

Aquele check-up completo que faz tireoide, mama, abdômen e outros exames num só dia é prático e facilita a rotina. Não está errado para quem não tem queixas específ**as.

Mas quando existe alguma alteração, uma queixa, um achado que precisa de investigação mais detalhada, o ideal é marcar o exame de mama de forma direcionada, com um radiologista especialista em mama.

Hoje a maioria dos serviços tem equipes dedicadas exclusivamente à mama. Profissionais que fazem só isso, que não dividem a atenção com tireoide, fígado ou abdômen. E na mama, como na cirurgia, quem faz faz diferença.

Se você tem alguma queixa específ**a, não deixe para o check-up geral. Marque com especialista.

18/09/2026

Por que eu gosto de contar a minha história? Primeiro, porque a minha narrativa não é a narrativa de ninguém. Eu conto da maneira como eu vivi.

Mas o segundo ponto é que, naquele momento, precisei tomar uma das decisões mais importantes: quem ia me tratar. Mastologista, oncologista, equipe de reconstrução. Conheço muita gente, tenho acesso a muita gente. Mas mesmo assim, não é uma decisão fácil.

E eu atendo médicas. Eu atendo colegas. Sei o quanto é difícil para qualquer paciente receber um diagnóstico. Mas para quem é médico, é diferente. Você sabe demais. E às vezes saber demais pesa.

Ter clareza sobre em quem confiar foi o que me permitiu, naquele momento, parar de ser médica e começar a ser paciente.

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