03/08/2026
Quando um homem sente raiva, ele é visto como decidido. Quando uma mulher sente raiva, ela é vista como exagerada.
Vocês sabem que nesse caso, a diferença não mora na emoção, né? A função da raiva é a mesma: mostrar que há algo errado, reagir diante de uma injustiça ou sinalizar a invasão de um limite. A raiva funciona como um alarme de proteção, indicando que algo não está certo e que precisa mudar.
Mas, desde cedo, mulheres são ensinadas a serem compreensivas, gentis, pacientes e agradáveis, inclusive quando estão feridas. Essa expectativa de docilidade também é uma forma social e política de tentar apagar o incômodo que elas sentem.
Também é importante fazer esse recorte quando falamos com mulheres negras, que além de silenciadas, são desumanizadas. A Sueli Carneiro nos ajuda a entender como o racismo e o sexismo produzem formas específ**as de silenciamento. Por isso, quando falamos da raiva feminina, também precisamos nos perguntar: quais mulheres têm ainda menos direito de se indignar?
Chamar uma mulher com raiva de louca é uma forma de desqualif**ar o que ela está sentindo ou tentando expressar. O foco deixa de ser o que aconteceu e passa a ser o quanto sua reação incomodou.
Isso não signif**a romantizar explosões ou negar responsabilidades. Toda emoção precisa encontrar formas éticas de expressão. Mas será que, muitas vezes, a raiva feminina não é punida antes mesmo de ser escutada?