Canto Baobá

Canto Baobá Somos um espaço especializado em saúde mental e diversidade, com ênfase no enfrentamento às violências estruturais. Somos plurais. Somos Baobá!

Quando um homem sente raiva, ele é visto como decidido. Quando uma mulher sente raiva, ela é vista como exagerada.Vocês ...
03/08/2026

Quando um homem sente raiva, ele é visto como decidido. Quando uma mulher sente raiva, ela é vista como exagerada.

Vocês sabem que nesse caso, a diferença não mora na emoção, né? A função da raiva é a mesma: mostrar que há algo errado, reagir diante de uma injustiça ou sinalizar a invasão de um limite. A raiva funciona como um alarme de proteção, indicando que algo não está certo e que precisa mudar. 

Mas, desde cedo, mulheres são ensinadas a serem compreensivas, gentis, pacientes e agradáveis, inclusive quando estão feridas. Essa expectativa de docilidade também é uma forma social e política de tentar apagar o incômodo que elas sentem. 

Também é importante fazer esse recorte quando falamos com mulheres negras, que além de silenciadas, são desumanizadas. A Sueli Carneiro nos ajuda a entender como o racismo e o sexismo produzem formas específ**as de silenciamento. Por isso, quando falamos da raiva feminina, também precisamos nos perguntar: quais mulheres têm ainda menos direito de se indignar? 

Chamar uma mulher com raiva de louca é uma forma de desqualif**ar o que ela está sentindo ou tentando expressar. O foco deixa de ser o que aconteceu e passa a ser o quanto sua reação incomodou.

Isso não signif**a romantizar explosões ou negar responsabilidades. Toda emoção precisa encontrar formas éticas de expressão. Mas será que, muitas vezes, a raiva feminina não é punida antes mesmo de ser escutada?

"Engole o choro.” “É tua obrigação. ““Se não resolver por bem, vai ser por mal."Talvez você já tenha ouvido frases como ...
29/07/2026

"Engole o choro.”
“É tua obrigação. “
“Se não resolver por bem, vai ser por mal."

Talvez você já tenha ouvido frases como essas. Talvez, você tenha crescido em um ambiente em que ser homem era não demonstrar fragilidade, não pedir ajuda, não errar e não depender de ninguém desde cedo.

Mas, ser homem não é uma caixa universal. E enquanto não falarmos sobre as violências submetidas aos homens (e seus privilégios), ainda estaremos reproduzindo o machismo nas relações. A masculinidade não machuca apenas mulheres.

Ela ensina, desde cedo, que homem não pode ser outra coisa além de inflexível, violento, autossuficiente e descuidado. E os desdobramentos disso refletem na clínica: cuidamos de 760 vidas por aqui, e mais de 70% do público é feminino.

Então f**a a pergunta: onde estão os homens na clínica, cuidando de si, aprendendo a lidar com suas frustrações, seus sentimentos, e cuidando ativamente de suas próprias vidas?

Você ainda é homem quando se permite ser ser humano. Não esquece disso.

No 25 de julho, a memória das mulheres negras que vieram antes é essencial. Mas queríamos olhar para quem está aqui agor...
25/07/2026

No 25 de julho, a memória das mulheres negras que vieram antes é essencial. Mas queríamos olhar para quem está aqui agora, abrindo caminho, produzindo pensamento, arte, política, cuidado e futuro.

Quem são as mulheres negras da nova geração que continuam mudando o mundo hoje? Onde elas estão? Quem você consome, lê, escuta, acompanha?

Celebrar mulheres negras não pode ser só recordar as que vieram antes. Também é sustentar as que estão vivas, em movimento, disputando espaço, linguagem e poder no presente.

Deixe aqui nos comentários outras mulheres negras da nova geração que você tem acompanhado.

Quando o corpo passa muito tempo longe da natureza, ele perde algumas formas instintivas de regulação emocional.Um estud...
22/07/2026

Quando o corpo passa muito tempo longe da natureza, ele perde algumas formas instintivas de regulação emocional.

Um estudo publicado na Nature identificou que quem cresce em grandes centros urbanos tem maior ativação da amígdala, área do cérebro que processa medo e ameaça, sob estresse. A cidade recalibra o sistema nervoso pro alerta ser permanente.

O barulho constante entra nessa conta: a OMS estima que a poluição sonora urbana custa mais de 1 milhão de anos de vida saudável perdidos por ano só na Europa Ocidental. O ar poluído também tem sido associado a mais sintomas de ansiedade e depressão. 

Para regular esse sistema, é preciso se adaptar a ele. Incluir pequenas pausas na rotina, contato com o verde, e o direito de ter onde fazer isso perto de casa. 

📚 Referências

NCD RISK FACTOR COLLABORATION (NCD-RisC). Diminishing benefits of urban living for children and adolescents’ growth and development

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Regional Office for Europe. Environmental noise guidelines for the European Region.

Na vida adulta, as amizades não sobrevivem apenas de boas intenções. Elas sobrevivem de convites, mensagens, delivery de...
20/07/2026

Na vida adulta, as amizades não sobrevivem apenas de boas intenções. Elas sobrevivem de convites, mensagens, delivery de comida quando você está mal, acabou de ter bebê ou terminou um namoro.

Sobrevivem também de compartilhar uma leitura, uma música ou uma playlist que você sabe que o outro vai gostar.

Mas, acima de tudo, amizade é respeitar o espaço do outro, sustentar conversas difíceis e, mesmo discordando, lembrar que a vida não precisa ser vivida sozinho.

E hoje é dia do amigo! Pode ir marcando aqui quem faz parte da sua rede de apoio. ❤️

A relação com o corpo pode se tornar um lugar de sofrimento quando a aparência, o peso ou a comida passam a ocupar espaç...
16/07/2026

A relação com o corpo pode se tornar um lugar de sofrimento quando a aparência, o peso ou a comida passam a ocupar espaço demais nos seus pensamentos.

No transtorno dismórfico corporal, a pessoa desenvolve uma preocupação obsessiva com alguma característica da própria aparência, mesmo que ela pareça imperceptível para outras pessoas. Esse incômodo pode afetar a autoestima, as relações e a rotina, tornando tudo uma busca constante por correções e mudanças que, muitas vezes, não aliviam a angústia. 

Já os transtornos alimentares envolvem alterações importantes na relação com a comida, com o peso, com a imagem corporal e com a sensação de controle. Podem aparecer em forma de restrições, compulsões, culpa ao comer, medo intenso de modif**ar o corpo, comportamentos alimentares que colocam a saúde em risco e práticas intensas de exercícios físicos.

São quadros diferentes, mas que podem se aproximar e requerem cuidado multiprofissional, com psicoterapia, acompanhamento nutricional e psiquiatria.

Também é importante lembrar que vivemos em uma cultura que transforma o emagrecimento em promessa de felicidade, controle e sucesso. Os discursos de dietas malucas dos anos 90 e a banalização do uso de medicamentos voltados ao tratamento de obesidade como estratégia rápida para “perder uns quilinhos”, se tornam uma pressão quase que silenciosa, mas que não é inofensiva e pode intensif**ar a insatisfação corporal, reforçar comportamentos obsessivos e dificultar uma relação mais saudável com o próprio corpo e peso.

A psicoterapia pode auxiliar a identif**ar pensamentos disfuncionais, padrões de comportamento que geram adoecimento e distorções na forma como a pessoa percebe a própria aparência. A psiquiatria pode contribuir na avaliação clínica, no tratamento dos sintomas como a ansiedade, a depressão e a impulsividade e, quando necessário, na indicação e acompanhamento do uso de medicamentos.Já o acompanhamento nutricional é fundamental para construir uma relação mais segura, consciente e menos punitiva com a alimentação.

Cuidar do corpo não deveria signif**ar viver em guerra com ele.

Receber um diagnóstico pode ser um passo importante para entender melhor a própria história. Ele ajuda a nomear dificuld...
13/07/2026

Receber um diagnóstico pode ser um passo importante para entender melhor a própria história. Ele ajuda a nomear dificuldades, reconhecer padrões e construir estratégias de cuidado mais adequadas e personalizadas.

Mas essa resposta não deve resumir a identidade e nem se tornar justif**ativa para erros e desvios morais. Ela vem para explicar sintomas, comportamentos e formas de funcionamento, mas não elimina a responsabilidade e atenção ao impacto que nossas ações têm no outro. 

A avaliação Neuropsicológica é um caminho para compreender melhor a atenção, memória, linguagem, emoções, regulação e comportamento, auxiliando principalmente na investigação de  TDAH, TEA, dislexia, transtornos de aprendizagem, alterações cognitivas e outros quadros.

O serviço de Neuropsicologia está disponível no Canto Baobá.

Informações e agendamentos no link da bio.

A gente precisa acreditar que a vida há de ser mais do que dar conta. Porque “dar conta”, do jeito que aprendemos, quase...
10/07/2026

A gente precisa acreditar que a vida há de ser mais do que dar conta. 

Porque “dar conta”, do jeito que aprendemos, quase nunca signif**a cumprir tarefas. Signif**a sustentar uma vida sob a lógica da performance: trabalhar, produzir, responder, cuidar, resolver, sorrir e continuar, mesmo quando a exaustão deixou de ser exceção e passa a ser natural na rotina. 

O cansaço não é só individual, ele é histórico, social e político. Vivemos em uma cultura capitalista que mede valor por produtividade, associa sucesso ao desempenho e dignidade à capacidade de continuar funcionando. Nesse cenário, descansar traz culpa e desacelerar parece errado, como se fosse sinal de fraqueza.

A psicologia social nos ajuda a nomear esse fenômeno, pois nem todo sofrimento nasce sem motivos. Muitas dores são estruturais e fazem a gente se sentir insuficiente, inferior, descartável e sempre em dívida. Bader Sawaia chama atenção para o sofrimento ético-político: aquele que surge quando alguém é tratado como menos digno, menos importante, menos humano. É o sofrimento de viver tentando caber em uma sociedade que cobra potência de quem, muitas vezes, está apenas tentando sobreviver. 

A esperança não pode ser confundida e nem deve ser resumida a repetir frases bonitas ou espiritualismo. Esperança não é fingir que está tudo bem, nem transformar dor em motivação obrigatória. A esperança, do ponto de vista psíquico, é a possibilidade de imaginar caminhos quando tudo parece estreito demais. É sustentar algum caminho mesmo diante do esgotamento. É lembrar que a vida não precisa ser reduzida à administração do impossível.

E, politicamente, esperança também é recusa. Recusa de aceitar que existir seja apenas produzir. Recusa de normalizar corpos cansados, vínculos frágeis, tempo escasso e subjetividades adoecidas pela obrigação de performar estabilidade.

Acreditar que a vida há de ser mais do que dar conta é uma forma de resistência íntima e coletiva.

É dizer: eu não quero apenas produzir.
Eu quero viver.
Eu quero sonhar.
Eu quero existir em um mundo onde descansar não seja privilégio, mas condição de existência.

Porque a esperança também pode começar aí: quando a gente para de chamar exaustã

Você provavelmente já disse ou pensou “eu não sou ra***ta” como se isso encerrasse o assunto. E, ainda assim, pode ter s...
08/07/2026

Você provavelmente já disse ou pensou “eu não sou ra***ta” como se isso encerrasse o assunto. E, ainda assim, pode ter sido conivente com o racismo pelo silêncio.

Sueli Carneiro nos ajuda a entender que a ascensão social de pessoas negras não depende apenas do esforço individual. Em uma sociedade estruturalmente ra***ta, o acesso à educação e aos espaços de poder também é organizado por mecanismos de exclusão social. 

Ou seja: quando uma pessoa negra chega a um lugar de destaque, isso não signif**a que as violências deixam de existir. Por isso, a prática antirra***ta não pode f**ar só no discurso. Ela precisa aparecer nas escolhas, nas atitudes, nas conversas e nos posicionamentos que você sustenta. 

Então, sim, é importante ler, estudar e se informar. Mas também é preciso agir: repreender falas ra***tas, não rir de piadas, apoiar políticas de reparação, reconhecer privilégios e enxergar pessoas negras para além da dor, da cor ou dos estereótipos.

Inclusive, temos um exemplo vivo no futebol: Vini Jr.! Não é incomum as pessoas fazerem comentários sobre a aparência do jogador de forma extremamente enviesada e… Racista! 

E essa é a mesma lógica que sustenta as piadas sobre cabelo, boca, nariz ou tom de pele na sua roda de amigos. O racismo não começa apenas quando vira caso público. Ele também está presente quando alguém ri, silencia ou deixa passar.

Antirracismo é prática contínua, então, interrompa falas ra***tas, se recuse a rir de piadas, reconheça seus privilégios e se posicione sempre que possível, principalmente quando ninguém está olhando.

Nós sabemos: você emagrece, passa a ser aceito socialmente, todo mundo te trata melhor, as roupas de departamento servem...
02/07/2026

Nós sabemos: você emagrece, passa a ser aceito socialmente, todo mundo te trata melhor, as roupas de departamento servem e a capa da invisibilidade some. 

‌E é aí que mora um perigo. Porque, em vez de olhar para a violência que existia antes, muita gente aprende a repetir essa violência contra o próprio corpo que teve. 

Depois que fizemos um post sobre gordofobia, alguns comentários deixaram isso muito evidente: a ideia de que emagrecer autoriza desprezar o corpo gordo que ficou para trás. Teve gente dizendo que o corpo de antes era “um peso”, que falar dele com nojo seria só sinceridade, que não existe problema em ser gordofóbico depois de emagrecer. Teve também quem reconhecesse o contrário: que emagrecer pode trazer alívio, mas não precisa vir acompanhado de humilhação do corpo que sustentou a vida até ali.

O estigma de peso não some com a perda de peso. Em estudo com mulheres brasileiras após cirurgia bariátrica, a aceitação social aumentou, mas a vigilância, o medo de reganho e o esforço para se afastar do corpo anterior continuaram aparecendo. Outra pesquisa brasileira mostra que a internalização do estigma de peso se associa a maior insatisfação corporal, mais autodepreciação e pior autoestima.

Ou seja: o problema não é o corpo, é como aprendemos a tratá-lo. 

Quando alguém diz que o corpo gordo era um fracasso, não está só falando de si (como muitos tentaram defender no nosso post). Está reforçando a ideia de que existir num corpo gordo é menos digno, menos bonito, menos aceitável. E isso machuca quem emagreceu, quem não emagreceu, quem tentou, quem não conseguiu, quem vive esse corpo hoje.

Emagrecer pode ser um processo de alívio. Pode ser uma conquista. Pode ser um gesto sério de cuidado com a própria saúde.

Mas não precisa virar um ritual de desprezo pelo corpo que você teve e nem pelo corpo do outro.

Porque o corpo anterior também era você.
E transformar essa parte da sua história em vergonha pública só mantém viva a mesma violência que te feriu.

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