07/12/2020
Na última noite passei todo o rolo do Fotos pra descobrir que eu não tinha fotos que mostrassem meu corpo. Exceto em uma ou outra foto da gravidez, eu tenho selfies e as fotos em que meu corpo deveria aparecer, eu estou sempre atrás de algo ou alguém.
Acontece que há alguns anos namorei um cara que deixou o amigo dizer: "Ela é linda, mas tá engordando! Vai f**ar feia, fala pra ela se cuidar!".
Eu tinha 16 anos, 2kg acima do meu peso habitual (me recuso a escrever peso normal) e tomada por todas as inseguranças do mundo eu levei aquilo pra minha vida.
Ouvi alguém dizer que meu corpo era inadequedo e acreditei. Mas era só a ponta do iceberg. Abaixo da linha do mar existia uma sociedade inteira me dizendo que se eu não parecesse com as capas das revistas eu não seria digna de nada! Não seria querida, amada, desejada…
Passei anos me odiando, odiando meu corpo. Anos fazendo coro com o sistema e me taxando inadequada, indigna, problemática. Anos sentindo medo de ser quem eu sou!
Até que tive um filho, e ah os filhos! Eles mudam tudo… e o meu mudou meu olhar! Depois que o Anthony nasceu eu escolhi estabelecer uma outra relação comigo, queria ensiná-lo desde sempre a amar e cuidar do seu corpinho.
Nada melhor que o exemplo, e eu escolhi enxergar cada marca da gravidez como o registro da chegada dele, uma inscrição, uma tatuagem… E assim passei a olhar todo o resto! Cada cicatriz, mancha, excesso ou falta, são registros das minhas escolhas, ao longo de toda uma vida.
Eu não havia percebido o quanto fui cruel comigo mesma nesses últimos anos, sempre me disfarçando, escondendo, camuflado... Ignorando meu corpo ao invés de ser a primeira a amá-lo… Me choquei com a percepção, mas decidi agir. Acordei hoje e já tirei uma série de fotos.
Essa aí em cima é uma delas, e dessa vez eu escolho fazer dessa ação um hábito. Eu amo e honro as minhas escolhas!
E a mais importante delas, agora, é amar a mim mesma exatamente por ser quem eu sou, como sou, e não permitir que nenhuma pessoa, nem de dentro nem de fora dos meus círculos sociais, tente me fazer sentir mal comigo.
Experimente contrariar o mundo e amar a si mesma. É libertador!