07/05/2026
Versos do trajeto
Faltou leite e botijão
Meus pais trabalhavam
E com muito suor traziam o pão
Minha mãe estudou até a quarta
Meu pai a oitava
O que será da nossa estrada?
Enquanto papai e mamãe trabalhava
Quase fiz dos cuidados da casa
A minha sala de aula
Era muito sofrimento, dor e lamento
No meu doce lar
O álcool e a violência vieram habitar
Papai e mamãe se separaram
Cada um pro seu lado
Meu coração ficou em pedaços
Um novo casamento a mãe se aventurou
Um padrasto nos apresentou
Dessa relação duas filhas gerou
Sou a mais velha de quatro meninas
Fui também uma mãe
E quando dava era menina
Era criança, era adulta
Queria brincar com bonequinhas
Mas era tempo de trocar
A fralda da irmãzinha
Tive a sorte na escola
A paixão pela história
Brincando com as letras
Para descrever a minha trajetória
Abrir as janelas dos livros
E vislumbrar outro mundo possível
Mas os livros
Ah! Os livros, os capítulos...
Que inspiram a escrever um novo destino
Era uma vez...
uma menina que decidia
Que um alto preço iria pagar
Pela faculdade de Psicologia
Entrei na Uninove
Lá me apresentaram Skinner e Freud
Novos olhos, para enxergar um novo mundo
Queria entender o comportamento dos mundos
Faltou dinheiro para o boleto, metro e alimento
Mas essas dificuldades não seriam um tropeço
Na Anhembi tive a honra e a alegria
De conhecer a galera mais louca da Psicologia
Ah! Esses churras fez história...
Nossa como foi da hora
A saudade bate a porta
Dos caminhos que se cruzaram
Durante o curso realizado
De tudo levo três ensinamentos
Que podemos mudar o que vivemos
Dificuldade é oportunidade para crescimento
Professores são mestres do conhecimento
Gratidão tenho no coração
Por todos aqueles que participaram da minha formação
amigos, mestres, pais, irmãos
Falta muito pouco, a Psicologia em breve será a minha profissão!
Resumo da ópera, porque o resto é história:
“O valor das coisas não estão no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis” Fernando Pessoa.
Viviane Santos | São Paulo, Junho de 2013.
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