09/07/2026
Você provavelmente se lembra de alguma piada, de um comentário disfarçado de preocupação ou daquele apelido que parecia inofensivo quando você era criança ou adolescente. "Gordinha", "fofinha", "cheinha".
Na mesa de jantar, as pessoas que deveriam te proteger eram as mesmas que comentavam sobre o tamanho do seu prato ou sobre como a sua roupa estava justa. O tempo passou, você chegou aos quarenta, cinquenta ou sessenta anos, mudou a sua vida, mas aquela velha sensação de inadequação continua viva dentro de você.
Isso acontece porque o bullying familiar deixa marcas profundas na nossa identidade. Quando as pessoas mais importantes da sua vida apontam para o seu peso corporal como se ele fosse um defeito, o seu cérebro aprende que, para ser aceita e amada, você precisa ser perfeita.
O exemplo clássico que vejo no consultório é a mulher que passa a vida inteira brigando com a balança porque, no fundo, ela ainda está tentando provar para os pais, para os irmãos ou para os tios que ela tem valor, mesmo que essas pessoas já nem estejam mais por perto.
Como especialista em obesidade, eu preciso te dizer que esse peso emocional é o que realmente impede o seu emagrecimento na maturidade. Toda vez que você se olha no espelho e repete os mesmos insultos que ouvia na juventude, você ativa um ciclo de estresse e rejeição. E a forma mais rápida que a sua mente conhece para anestesiar essa dor é buscando o conforto imediato na comida. Você não come por fome, come para tentar calar a voz daquela crítica antiga.
O meu conselho para você hoje é:
Faça as pazes com a sua história e devolva esse peso para o passado. Aquele apelido que te deram na infância dizia muito mais sobre as limitações e a falta de sensibilidade deles do que sobre quem você é. O seu valor não é medido pelo seu tamanho e a sua saúde na longevidade depende da sua capacidade de se acolher agora. Pare de carregar as expectativas e os comentários dos outros nas suas costas.
Você ainda consegue se lembrar do primeiro comentário que te fez sentir vergonha do seu próprio corpo?
Psicóloga Sonia Regina