08/09/2026
Hoje, 8 de setembro, minha mãe completaria 71 anos.
É um daqueles dias em que a saudade vem me visitar, dos raros momentos em que me percebo conjugando o verbo no pretérito imperfeito, como uma forma de dar passagem a toda a saudade que sinto.
Minha mãe partiu em 2018 e, diante da ilusão que construímos sobre a perspectiva vida, ela foi “cedo” e “jovem”. Com 62 anos, eu não a enxergava como uma pessoa idosa.
Dar permissão a imaginar e visualizar é permitir “fazer de conta”. E eu fico tentando imaginar como ela estaria hoje aos 71, se minha percepção seria diferente e como eu me relacionaria com o envelhecer dela. Imagino como ela seria sendo a avó da minha filha nesta fase de pré puberdade e como seria a relação delas. Imagino como seria comigo, se o fato d´eu já ter desempenhado mais de década o papel de mãe, daria um novo contorno à nossa relação. Imagino tantas coisas, que não caberiam descrever todas aqui. E este meu imaginar me conduz a um sentir profundo .... Faço uma pausa e puxo uma respiração mais profunda... Ao tomar fôlego, lembranças de quando ela ainda estava entre nós emergem. Memórias tão vivas que eu poderia até tocá-las agora. Sinto a espessura do seu cabelo, o cheiro do seu perfume e do feijão que só ela sabia fazer...
Hoje a saudade veio me visitar. E eu não apenas abri a porta e dei passagem para que entrasse. Eu também a convidei para um café no cômodo principal da minha vida: o meu coração.
O luto transforma a nossa relação com o mundo e este é um dos grandes paradoxos da vida: a morte de quem amamos também pode ser um lembrete e um convite à vida. O importante lembrete de que a vida é frágil, efêmera e não nos traz garantia do amanhã.
Se hoje vivo com mais consciência, presença e conexão, devo isso a ela. Pois a morte da minha mãe me deixou o mais importante dos convites, que eu renovo a cada amanhecer: o de viver no tempo presente, no aqui-agora e por meio dele construir a vida que eu nasci para viver: uma vida intencional, com significado e propósito.
Todos os dias minha mãe é fundo: é presença em meio a ausência, é a voz que fala da coxia, o conselho que encontra um meio de chegar. Mas hoje, minha mãe é figura, que se apresenta a frente do palco da minha vida, como uma grande homenageada. E eu a contemplo da primeira fila, ainda com os olhos marejados de lágrimas, celebrando a beleza e a grandiosidade de quem foi e segue sendo pra mim.
Mãe, se você estivesse aqui, eu diria o que digo ainda não estando: Que sou grata! E que eu sou porque você é! E assim, você segue sendo e vivendo esta existência através de mim!
Te amo! ❤️ Feliz 71, contados aqui no tempo de Cronos.
De sua filha,
Priscila.