25/04/2026
Crescemos com contos de fadas, filmes, músicas, que vendem a ideia da “alma gêmea” ou “metade da laranja”, acreditando que amar é encontrar alguém que nos complete, alguém que dê conta de tudo o que nos falta - a busca por alguém que preencha nossos vazios e nos faça felizes.
Mas, na prática, não é assim.
A gente ama a partir das nossas faltas, do que não tivemos, do que ainda dói. Do que gostaríamos de ter tido.
E, o outro, também é assim, um sujeito faltante. Que, assim como nós, também não tem tudo para dar.
Entramos nas relações tentando então, muitas vezes - sem perceber - preencher histórias passadas, buscando no outro aquilo que um dia nos faltou. A questão é que nenhuma relação sustenta essa posição por muito tempo, exatamente porque assim como nós, o outro é um sujeito faltante (com suas vivências, dores, traumas, medos, angústias).
E é aí que surge a frustração dentro de nós: Quando a realidade (o que o outro realmente pode dar) bate de frente com a fantasia (o que imaginamos que ele deve dar). Esperamos do outro algo que ele simplesmente não tem, e que deveria vir de nós.
Adoecemos, muitas vezes, não com a ausência do outro, mas na insistência em esperar o que o outro não tem para oferecer. Colocamos nossas vidas nas mãos de alguém que não tem como sustentar isso.
Veja, nem sempre é porque a outra pessoa é “ruim”. É, só que, às vezes, aquilo que desejamos/queremos não faz parte dela. Cobramos do outro algo que, na prática, é responsabilidade nossa. Não temos como controlar o que o outro nos oferece, mas temos total responsabilidade com o que aceitamos, sustentamos e permitimos nas nossas vidas.
Passamos a perceber, portanto, que amar é sobre duas pessoas diferentes, incompletas, mas INTEIRAS, que decidem caminhar juntas. É reconhecer que o amor não floresce na cobrança, mas sim na reciprocidade, na conversa, no diálogo, no respeito.
“Amar é o que a gente tem de melhor na vida. Isso não quer dizer que as relações amorosas sejam fáceis ou que resolvam alguma coisa. Pelo contrário, nunca temos tantas notícias dos nossos calcanhares de Aquiles quanto quando amamos. Ainda assim, é o que temos de melhor na vida.”
[Ana Suy]