21/09/2026
O dia 21 de setembro é marcado no calendário como uma data de luta, resistência e reivindicação por direitos. Mais do que uma data comemorativa, é um convite à reflexão sobre como a sociedade lida com a diversidade humana e sobre os caminhos que ainda precisam ser construídos rumo a uma inclusão real.
Um dos avanços mais importantes nas últimas décadas foi a mudança de compreensão sobre o que é a deficiência. Durante muito tempo, prevaleceu uma visão que colocava a limitação exclusivamente na pessoa, como se o “problema” estivesse nela e nela devesse ser resolvido. Hoje, entende-se a deficiência de outra forma: como um fenômeno socialmente construído, que surge da interação entre a pessoa e as barreiras existentes no ambiente.
Essa mudança de perspectiva é central. Como aponta a Organização Mundial da Saúde, a deficiência resulta da relação entre a condição de saúde de um indivíduo e os fatores ambientais e pessoais que o cercam. Ou seja, uma escada sem rampa, uma informação sem legenda, um espaço sem sinalização em Braille, uma atitude preconceituosa, tudo isso são barreiras que produzem exclusão, tanto quanto qualquer condição física, sensorial ou intelectual.
Por isso, transformar a realidade das pessoas com deficiência não depende apenas de “superação individual”, mas, sobretudo, da coletividade: de ambientes acessíveis, de políticas públicas efetivas, de tecnologia assistiva disponível, de atitudes que respeitem a autonomia e a dignidade de cada pessoa. Quando o ambiente muda, a participação social se torna possível.
Neste 21 de setembro, celebrar é também lutar: lutar por acessibilidade nas ruas, nas escolas, nos ambientes de trabalho e na cultura; lutar contra o capacitismo; lutar por uma sociedade que reconheça que incluir não é fazer um favor, é garantir um direito.
Referência: COOK, A. M.; POLGAR, J. M. Assistive Technologies: Principles and Practice. 4. ed. St. Louis: Mosby, 2015.