31/07/2026
Quando se fala em sonhos e Jung, muita gente imagina um dicionário de símbolos: cobra signif**a isto, cair signif**a aquilo. Na clínica junguiana, não é assim que se trabalha.
Não existe um signif**ado universal, pronto, esperando para ser consultado. O sentido de um sonho não está num dicionário. Está na pessoa que sonhou.
O sonho não usa a lógica da vida desperta: ele se expressa por imagens, cenas e afetos, numa linguagem simbólica, não literal. Por isso o trabalho começa pelo próprio sonhador. O que aquela imagem evoca nele? Que lembranças e sensações desperta? Uma mesma figura signif**a coisas distintas para cada um, conforme sua história e seu momento.
A partir dessas associações pessoais, a imagem pode ser ampliada — enriquecida com paralelos simbólicos e culturais mais amplos. Não para impor um signif**ado de fora, mas para abrir o campo de sentidos possíveis, sempre voltando à ressonância que faz sentido para aquela pessoa.
E isso não se faz sozinho. O sonho, na clínica junguiana, é trabalhado na relação, entre o sonhador e o analista, ao longo do tempo. Um sonho isolado diz pouco. Uma série de sonhos, acompanhada com cuidado, revela movimento.
O sonho não é um enigma a ser resolvido de fora. É uma expressão da psique que pede para ser escutada, com método e com tempo.
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