01/08/2026
Julho terminou me lembrando de uma coisa que eu nunca quero esquecer.
Na saúde, é fácil medir o que fazemos por exames, sintomas, diagnósticos e resultados.
Mas existe uma parte do nosso trabalho que nunca aparece no prontuário.
São as marcas que o tempo não apaga.
Há 7 anos, atendi essa paciente no Mato Grosso, estado onde morei por quase dois anos.
Depois disso, nossos caminhos seguiram rumos diferentes.
Ela seguiu construindo a vida dela, e eu construindo a minha.
Quinze dias atrás, ela veio a São Paulo para um compromisso. Poderia ter ocupado cada hora da viagem com tantas outras coisas.
Mas escolheu separar um tempo para voltar ao meu consultório.
Ao receber sua mensagem, que dizia:
“Você me ajudou tanto em uma fase extremamente delicada da minha vida. E, neste momento, gostaria de agendar um atendimento com você…”
Eu fiquei pensando…
Quantas vezes nem imaginamos que um cuidado, uma escuta ou uma consulta continuam vivendo dentro da história de alguém?
Talvez o nosso trabalho nunca tenha sido apenas tratar uma dor, seja ela física ou emocional.
Talvez seja oferecer um lugar seguro, que as pessoas carregam na memória mesmo quando a vida muda completamente.
Julho terminou. Agosto chegou.
E, curiosamente, me lembrou que alguns ciclos se encerram, mas o bem que fazemos continua encontrando o caminho de volta.
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Seja bem-vindo, agosto. Que venha ao gosto de Deus. 🙏🏽💙