07/07/2026
Confesso aqui: junho começou pesado.
As mensagens de pacientes triplicaram. Meu parceiro também estava numa fase intensa de trabalho. E eu, no meio de uma mudança importante na minha vida profissional.
Tudo isso na mesma semana.
Aí eu percebi uma coisa meio engraçada e meio dura: eu, que falo o tempo todo aqui sobre sobrecarga, estava bem dentro de uma.
Em alguns dias daquela semana, eu olhei para agenda e não soube por onde começar. E aí me perguntei, se uma paciente me contasse essa rotina, eu diria para ela respirar, dividir e pedir ajuda. Por que eu não estava fazendo isso comigo?
Tem um filme antigo, O Preço do Amanhã, que sempre volta na minha cabeça em momentos assim. Nele, tempo é a moeda da vida, você não paga com dinheiro, paga com horas. E é meio que assim mesmo. Tempo é um recurso finito. Quando a gente entrega demais sem repor, o corpo, a cabeça e as relações cobram.
Naquela semana, eu apliquei o que eu sempre falo, comprei tempo onde dava (pedi ajuda em coisas práticas), dividi cargas em casa (conversei com meu parceiro sobre como nós dois estávamos no limite) e aceitei que algumas coisas iam ter que esperar, sem culpa.
Não foi uma virada mágica. Mas a sensação de “vou explodir” cedeu, o sono melhorou em três noites, e eu lembrei de algo importante: sobrecarga é um estado que tem soluções, e quase nenhuma delas é sozinha.
Compartilho isso porque existe uma fantasia de que médicas de saúde mental não vivem o que tratam. A gente vive. E acho importante dizer para mostrar que cuidar de si é parte do trabalho de quem cuida dos outros.
Se você está em uma semana parecida, deixo uma pergunta: o que você está pagando com tempo que poderia ser pago de outro jeito? E o que da sua carga poderia ser dividido com alguém? 🤍
⠀
Dra. Camila Mozart • CRM-SP 246.686
Médica | Saúde mental feminina
📍 SJC e SP | Atendimentos presenciais e online