04/02/2021
Com a internet, muitas famílias e escolas se colocam na zona de conforto, acreditando que o adolescente sabe tudo... Se por um lado sobra informação, por outro, a informação nem sempre é bem compreendida, ou ainda de fonte fidedigna, o que pode gerar dúvidas sobre prevenção de doenças e gravidez. A ginecologista Maria Maldonado explica que, quanto menos informação as pessoas têm, mais vulneráveis estão em relação a questões de saúde reprodutiva, como gravidez não desejada, uso de métodos contraceptivos e Aids.
Respeitando questões culturais e religiosas, e pensando que ainda vivenciamos um machismo estrutural em nossa sociedade, escola e família precisam refletir que retardar a iniciação sexual dos adolescentes a todo custo, pode levá-los a exercer a sexualidade com irresponsabilidade, e em segredo. Especialistas relatam que quanto mais se fala de s**o e sexualidade sem preconceitos há um retardo de até 2 anos no início da vida sexual.
Educação sexual deve acontecer em igualdade de informações para meninos e meninas. Estudo realizado com adolescentes entre 11 e 15 anos, Schor et al aponta que a maioria das meninas afirmou ter usado método para evitar filho na primeira relação, já mais de 50% dos meninos afirmaram o contrário. A diferença reflete que a responsabilidade da contracepção é julgada como pertencente ao s**o feminino. Afirma também que as meninas se mostram mais receosas quanto a ter filho cedo, em relação aos garotos, e mostram-se mais abertas ao compromisso.
Meninos e meninas podem ter diferentes projeções em relação à vida sexual, contudo, devem entender que possuem a mesma responsabilidade de cuidado e prevenção. É papel da família, escola e profissionais de saúde despertá-los para esta realidade.
Elaborado por Ana Paula do Patrocínio
Fontes:
Fatores associados à idade da primeira relação sexual em jovens: estudo de base populacional (scielo.br)
Adolescência, vida sexual e planejamento reprodutivo de escolares de Serra Pelada, Pará | Journal of Human Growth and Development (usp.br)