Telma Ferraracio - Consultório de Psicanálise

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Telma Ferraracio -  Consultório de Psicanálise Psicanalista
Especialista em Saúde Mental pela UNIFESP
Mmbro Efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo

Telma Ferraracio cel. 98445-5263

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13/09/2026

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A entrevista concedida por Adam Phillips à Veja, em 2003, permanece extraordinariamente atual. Um dos mais influentes psicanalistas britânicos, editor da nova tradução das obras de Freud e autor de diversos livros, Phillips parece menos um cientista da mente e mais um profeta que anteviu a lógica emocional e cultural do século XXI. Suas observações, feitas há mais de vinte anos, descrevem com precisão desconcertante um mal-estar que se intensificou: vivemos em uma sociedade que teme a própria condição humana. A morte, o envelhecimento, a doença e o acaso, antes compreendidos como inevitáveis, são hoje encarados como inimigos pessoais. A fantasia coletiva de controle absoluto — do corpo, da saúde, do destino — substituiu a aceitação madura de nossas fragilidades, transformando o medo em atmosfera permanente.

Nesse deslocamento, a antiga busca por uma vida boa foi engolida pela necessidade de uma vida invejável. Não desejamos tanto viver bem, mas sermos vistos como alguém que vive bem. A lógica do espetáculo colonizou o intimamente humano. Até o s**o, que poderia ser uma experiência complexa, singular e inesgotável, foi reduzido a um discurso estereotipado. Fala-se muito, mas diz-se pouco. Exagera-se cedo: crianças reproduzem coreografias sensuais ou entram prematuramente no universo adulto. O resultado não é libertação, mas um deserto de insatisfação. Como afirma Phillips, estamos cada vez mais desesperados com o estilo de vida que nós mesmos construímos.

Essa redução também atinge o sofrimento. Nos consultórios, qualquer tristeza vira depressão. O mal-estar comum, parte constitutiva do viver, transforma-se rapidamente em patologia, como se a vida emocional só pudesse existir nas extremidades. Paralelamente, as crianças são empurradas para a corrida pelo sucesso tão cedo que deixam de ter tempo para sonhar — justamente aquilo que alimenta a subjetividade e a imaginação. Enquanto isso, o ideal de salvação que movia o homem medieval foi trocado por uma promessa muito mais rasa: riqueza e fama. Phillips observa que esse culto ao reconhecimento público impede que as pessoas percebam o que realmente desejam. Vivemos perseguindo o aplauso que imaginamos que os outros darão.

A contradição se agrava quando se analisam as relações entre cultura, mídia e educação. Pais tentam impor limites — alimentação, comportamento, responsabilidade — mas esses limites não encontram amparo na cultura. Enquanto a família tenta ensinar equilíbrio, a publicidade grita o contrário. Enquanto pais pedem prudência, a mídia legitima o excesso. Não se trata, portanto, de vigiar crianças, mas de ensiná-las a ler criticamente a cultura, a saber que propaganda não é ordem, que desejo não é destino. Sem essa mediação, as crianças se veem simultaneamente poderosas e perdidas, entregues a uma liberdade que não sabem manejar. Daí a sensação — tão frequente — de pais com medo dos próprios filhos.

Por fim, Phillips critica a mercantilização da psicanálise. Para ele, ninguém deveria escolher essa profissão para enriquecer. A terapia não pode seguir a lógica consumista do “quanto mais caro, melhor”. O espaço analítico — esse lugar de fala, de silêncio e de elaboração — deveria ser acessível, porque a reflexão sobre a própria vida é uma necessidade humana, não um artigo de luxo.

O diagnóstico de Phillips permanece contundente: somos uma sociedade que produz excesso, pressa e ansiedade, mas que não ensina a interpretar o mundo que fabrica. Entre a cultura que estimula sem freios e as subjetividades que tentam sobreviver a esse turbilhão, sua crítica ressoa como convite e advertência: não basta viver, é preciso compreender os códigos que moldam nosso desejo, nossos medos e nossos sonhos.

05/08/2026
09/03/2026
26/12/2025

Assista os vídeos sobre a série “Homens pelo fim da violência!”, que a Febrapsi postará em suas redes sociais. Neste vídeo, Sérgio Lewkowicz (SPPA) menciona ...

26/12/2025


📷 Louise Bourgeois’s list of wants from her diary, 1962

12/09/2025

Otto Kernberg, appointed as Honorary President of the IPA, at the recent IPA Congress in Lisbon
An honor reserved for individuals whose work both scientifically and organisationally has achieved truly exceptional international recognition.
We celebrate also Dr Kernberg’s birthday, today, 10 September 1928

09/09/2025
08/09/2025

O Ciclo de Cinema e Psicanálise, programa realizado pelo MIS em parceria com a SBPSP e a Folha de S. Paulo, exibirá o filme O Bom Professor (Dir. Teddy Lussi-Modeste, França, 2023), seguido de debate.

O filme acompanha Julien, um jovem professor de literatura acusado por sua aluna de conduta sexualmente imprópria. A narrativa explora como rumores podem afetar a reputação e a subjetividade, lançando luz sobre alguns desafios da clínica contemporânea, a partir de reflexões sobre assédio, julgamento social e a complexidade das relações escolares.

O bate-papo contará com a participação da psicanalista Cláudia Suannes (SBPSP) e do doutor em história social Daniel Helene (USP), com a mediação de Luciana Saddi (SBPSP).

📅 Data: 09/09 (terça-feira)
⏰ Horário: 19h
📍 Local: MIS – Museu da Imagem e do Som (Jardim Europa, São Paulo)
🎟️ Evento gratuito. Retirada de ingressos na bilheteria do museu, com 1 hora de antecedência. | Transmissão ao vivo pelo canal do MIS no YouTube. Após o debate, o vídeo ficará disponível no mesmo link.

04/09/2025

“On that afternoon of August 26, 1910, Freud delved into Mahler's childhood until he found some clues that explained both his inner conflicts and his musical inspiration.”
The day of the composer, Gustav Mahler’s therapy session with Sigmund Freud

More info here:
https://buff.ly/gmPdgjF

Art by ULISES CULEBRO

03/09/2025

Leituras sobre passado... Sigmund Freud - Moisés e o monoteísmo: três ensaios Irvin D. Yalom - Os desafios da terapia: reflexões para a nova geração de pacientes e terapeutas Edith Wharton - A idade da inocência Maurice Chabas (1892 - 1947) - Devaneio sobre o passado Sigmund Freud - Cinco li....

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Rua Campevas, 461/Perdizes
São Paulo, SP
05016-010

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