29/09/2026
Existe uma ideia bastante comum de que ser resiliente no luto é aguentar firme, manter a rotina e não se abalar. A forma como o luto é compreendido hoje aponta para outro caminho.
Quem vive uma perda costuma alternar entre dois movimentos. Em alguns momentos, a atenção vai para a falta: as lembranças, a saudade, tudo o que mudou. Em outros, ela volta para a vida que continua: o trabalho, as pessoas, os pequenos planos. Esse vai e vem, que muitas vezes acontece no mesmo dia, ajuda a pessoa a se reorganizar aos poucos, sem precisar escolher entre lembrar e seguir.
Esse movimento aparece também antes da despedida, quando se acompanha um animal envelhecendo ou adoecendo. Tem dias em que tudo parece mais pesado, e outros em que dá para rir das manias dele como sempre.
Ser resiliente, nesse sentido, é permitir esse ir e vir. É não se cobrar para estar bem o tempo todo, e também não enxergar um dia mais leve como falta de amor.
Se você já sentiu culpa por um dia mais leve, conta aqui nos comentários.