02/09/2026
Na perspectiva psicanalítica, encontrar um propósito não significa descobrir uma resposta pronta sobre quem devemos ser.
É, antes, um processo de aproximação de si, de reconhecimento dos próprios desejos, limites e valores.
Muitas vezes, na tentativa de sermos amados, aceitos ou reconhecidos pelo outro, vamos nos afastando daquilo que realmente faz sentido para nós.
Passamos a viver a partir das expectativas alheias, buscando agradar, corresponder e evitar o desapontamento.
Mas agradar o outro o tempo todo pode ter um preço: abrir mão de si mesmo.
Autoestima não é acreditar que somos melhores que os outros. É poder reconhecer o próprio valor sem precisar da aprovação constante do olhar alheio.
Na psicanálise, tornar-se quem se é envolve justamente esse movimento de escutar o próprio desejo, diferenciando aquilo que genuinamente nos constitui daquilo que aprendemos que deveríamos ser para sermos aceitos.
Talvez propósito seja também isso: construir uma vida que faça sentido para você, mesmo quando ela não corresponde às expectativas de quem está ao redor.
Porque quando, para agradar o outro, você precisa se diminuir, silenciar seus desejos ou abandonar seus valores, talvez não esteja apenas cedendo ao outro — esteja se afastando de si.