09/09/2026
A importância de cultivar otimismo na adolescência.
Otimismo não é ensinar ao adolescente a pensar que “tudo vai dar certo”. É ajudá-lo a compreender que uma dificuldade não determina todo o seu futuro e que mesmo diante de situações difíceis, existem recursos, escolhas e possibilidades de ação.
Isso é especialmente importante na adolescência, pois expectativas mais negativas sobre o futuro estão associadas ao desenvolvimento posterior de sintomas depressivos. Em contrapartida, otimismo e esperança aparecem na literatura como importantes recursos psicológicos.
E essa forma de pensar pode ser desenvolvida no trabalho psicoterapêutico. Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), não ensinamos o adolescente a substituir pensamentos negativos por frases positivas. O trabalho é muito mais consistente.
O adolescente aprende a identificar pensamentos automáticos, reconhecer distorções cognitivas, avaliar evidências, construir interpretações mais flexíveis e desenvolver estratégias para lidar com problemas reais.
Em vez de:
“Eu fui mal. Sou incapaz.”
podemos ajudá-lo a chegar a:
“Eu fui mal dessa vez. O que aconteceu e o que posso fazer diferente?”
Parece uma mudança pequena. Cognitivamente, não é!
A psicoterapia também cria oportunidades para que o adolescente estabeleça metas, enfrente situações que vinha evitando, desenvolva habilidades e acumule experiências concretas de competência.
Aos poucos o “eu não consigo” pode dar lugar a algo mais realista:
“Isso pode ser difícil, mas eu posso aprender a lidar com isso.”
É importante lembrar: otimismo saudável não é negar tristeza, medo, frustração ou fracasso. Também não significa prometer que tudo terminará bem.
É desenvolver flexibilidade para não transformar um momento difícil em uma conclusão permanente sobre si mesmo ou sobre a própria vida.
Na adolescência, enquanto tantas crenças sobre identidade, capacidade e futuro ainda estão sendo construídas, cultivar otimismo não é ensinar o adolescente a enxergar um mundo sem dificuldades.
É ajudá-lo a perceber que as dificuldades não precisam definir todas as possibilidades do