19/02/2026
O movimento identitário, ou identitarismo, caracteriza-se pela organização de grupos sociais baseados em identidades compartilhadas - como raça, gênero, orientação sexual e cultura - para lutar por visibilidade e direitos específicos. Esse movimento consolidou-se principalmente a partir dos anos 1970/1980, com raízes em movimentos de libertação negra, feminista e LGBTQ+ nos EUA. Esse movimento é fundamental para a ampliação e conquista dos direitos de grupos minoritários na transformação da sociedade mais igualitária (na medida do possível). O que chama a atenção é o uso indiscriminado dessas ideias como uma forma de vitimização para esconder falhas éticas e morais nas relações interpessoais. Como se fosse possível uma hierarquização das categorias em mais ou menos vulneráveis. Trata-se de grupos distintos lutando por direitos e a verticalização em posições de mais ou menos importância pode implodir o movimento de dentro para fora, deslegitimando-o perante a sociedade.
Infelizmente esse movimento de acusar pessoas de racismo, por exemplo, pode esconder a real natureza da problemática, como um quadro de misoginia. Seria como se o racismo tivesse mais força e visibilidade que um caso de misoginia. Seria uma carta com poderes maiores, que derrotaria o movimento das mulheres, como no jogo de Super Trunfo, onde as cartas competem por categorias. A carta do homem negro seria mais poderosa que a de uma mulher branca (exemplo fictício que surgiu na minha cabeça após observar as relações de grupos).
Seria fundamental, antes de julgar antecipadamente, suspender a ideologia para averiguar com atenção a natureza dos fatos. Podemos pensar que tal atitude, de acusar para se defender, demonstra como as relações atuais estão baseadas no benefício próprio a qualquer custo. Isso demonstra como a relação contemporânea é influenciada pelo neoliberalismo, ou seja, pelo individualismo supremo, a qualquer preço. Nadir Lara Jr, aborda profundamente essa temática no seu novo livro "A era dos canalhas. Psicanálise: Clínica e Política", esmiuçando a contemporaneidade e nos fazendo pensar em como lidar com isso, mas de antemão, se omitir é uma resposta covarde.