Psicanálise, poesia,literatura,fotografia e abstrações.

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08/09/2026
08/09/2026

Dentro de cada um de nós existe a criança que fomos.

07/09/2026

O perigo de fingir ser “bom demais” habita no silêncio daquilo que escondemos de nós mesmos. Carl Jung alertou que a busca cega pela perfeição moral é uma armadilha psíquica. Quando moldamos uma máscara de virtude impecável para agradar ao mundo, exilamos nossa essência. A bondade que nasce da repressão não é virtude, é medo. É uma tentativa de silenciar a Sombra, onde residem nossas falhas, raivas e desejos ocultos. O preço de ignorar a própria escuridão é o desequilíbrio. Quanto mais luz tentamos projetar artificialmente, mais densa se torna a sombra no inconsciente. Quem se veste de santidade estica uma corda que um dia arrebenta, explodindo em autossabotagem. Incapaz de encarar a própria feiura, a pessoa “boa demais” torna-se juíza implacável do mundo. Ela enxerga nos outros os defeitos que se recusa a admitir em si mesma. O julgamento agressivo é apenas o horror de ver o próprio reflexo no espelho da humanidade. Jung ofereceu a cura para essa neurose com uma premissa revolucionária: “Eu prefiro ser completo a ser bom”. Ser completo exige a coragem de abraçar a totalidade do ser, reconhecendo as nossas fraquezas. A saúde mental não reside em eliminar o erro, mas em integrá-lo. Ao aceitar nossa sombra, tiramos dela o poder de nos controlar. Olhar para as próprias trevas com honestidade gera compaixão real pelos outros, pois quem conhece as próprias fraquezas não apedreja o vizinho. Escolha a liberdade de ser inteiro. Créditos

07/09/2026

Se tudo dizemos saber,
onde guardamos a humildade
de nem tudo conhecer?

Talvez seja no silêncio
que começa a verdadeira escuta.

A escuta psicanalítica não se apressa
em preencher o vazio com respostas.
Ela não corre para explicar a dor,
não oferece ao outro um sentido pronto,
não transforma cada palavra
em uma certeza.

Ela espera.

Espera aquilo que ainda não encontrou nome.
O tropeço da fala.
A palavra que escapa.
A repetição que insiste.
O silêncio que diz mais do que parecia dizer.

Porque escutar, em psicanálise,
é também suportar não saber
o que o outro ainda não sabe de si.

É não ocupar depressa
o lugar daquele que sabe.

É permitir que uma pergunta permaneça aberta
tempo suficiente para que algo do sujeito
possa aparecer.

Há uma ética delicada nisso:
não violentar o mistério
com a pressa de compreendê-lo.

Talvez por isso o analista precise
abrir mão de uma certa onipotência do saber.

Não saber não significa nada saber.

Significa saber que há algo
que só poderá ser descoberto
na própria experiência da escuta.

E então a palavra deixa de ser apenas resposta.
Torna-se caminho.

O sujeito fala
e, enquanto fala,
pode encontrar aquilo que não sabia
que estava procurando.

Talvez seja essa uma das maiores delicadezas
da psicanálise:

não dizer ao outro quem ele é,
mas oferecer escuta suficiente
para que ele possa começar
a escutar a si mesmo.

Porque onde o saber se fecha,
a pergunta morre.

Mas onde alguém sustenta, com humildade,
a beleza de não saber,

o inconsciente pode falar.

Às vezes, o que mais nos prende a alguém não é exatamente o amor que recebemos, mas o desejo de sermos escolhidos por el...
04/09/2026

Às vezes, o que mais nos prende a alguém não é exatamente o amor que recebemos, mas o desejo de sermos escolhidos por ele.

Quando o outro não está tão a fim, podemos transformar sua falta de desejo em uma pergunta sobre o nosso próprio valor. Mas o desejo do outro não é medida daquilo que somos.

Talvez valha a pena se perguntar: o que estou buscando quando insisto em ser escolhida por quem não me escolhe?

Há perguntas que, quando encontram um espaço de escuta, podem nos levar a lugares novos.

Se em algum momento você sentir que é hora de olhar para isso com mais cuidado, minha agenda está aberta para alguns horários de análise pessoal.

Agendamentos por mensagem 💛

04/09/2026

O amor não é simplesmente encontro entre duas pessoas que se desejam na mesma medida. O amor envolve falta, desencontro, fantasia e a dimensão do desejo do outro.
Quando um homem não está muito a fim, podemos sofrer não apenas porque ele não nos deseja, mas porque isso toca a pergunta: “O que falta em mim para que ele me queira?” É aí que o desejo pelo outro pode se misturar com o desejo de ser desejada.
E há algo ainda mais delicado: às vezes, o pouco que o outro oferece sustenta muito mais fantasia do que uma relação efetivamente construída. Um gesto, uma mensagem, uma aproximação ocasional podem manter aberta a possibilidade de que “agora vai”. A pessoa passa a se relacionar não apenas com o homem real, mas com aquilo que imagina que ele poderia vir a ser.
Amar é também lidar com a impossibilidade de fazer o outro desejar exatamente como desejamos. O outro nunca é completamente nosso; seu desejo escapa.
Então, quando alguém não está suficientemente interessado, talvez a questão não seja convencer, insistir ou descobrir “o que fazer para ele gostar”. É poder suportar a ferida narcísica que o desencontro provoca e reconhecer: não ser desejada por alguém não é o mesmo que não ser desejável.
E talvez essa seja uma das tarefas mais difíceis do amor: não transformar a falta de desejo do outro numa sentença sobre o nosso próprio valor.”

O leitor.
30/08/2026

O leitor.

30/08/2026

“Só se arriscando para saber.”

23/08/2026

“Então eu trago das minhas raízes crianceiras
a visão comungante e oblíqua das coisas.” M. De Barros

Estar em análise é, entre outras coisas, saber-se humano, que pode se enganar, reelaborar, resignificar, olhar outros ân...
23/08/2026

Estar em análise é, entre outras coisas, saber-se humano, que pode se enganar, reelaborar, resignificar, olhar outros ângulos, flexibilizar-se internamente, e tantas outras alternativas.
É reconhecer que estar na vida e vivo implica correr riscos.
É aprender a levar em consideração as próprias percepções e verificar seus eventuais enganos.
É saber que encontros, quando de fato acontecem, são raros e sofisticados (portanto, exercite a paciência).

É não sentir-se sozinho, pois se aprende a conviver com os próprios fantasmas, a ver-se a si mesmo e a fazer-se companhia sem se assustar, acolhendo as inquietações.
É não se assustar por ter vida psíquica pensamos coisas terríveis, mas não só.
É saber-se com limites e aprender a reconhecer os limites do outro.
É pensar pensamentos e, ao usar a condição de filtrar o que se diz, aprender a ser mais cuidadoso.

É cuidar dos sentimentos mais profundos e transformá-los.
É lembrar que fazemos o que podemos emocionalmente. Sempre haverá quem diga que existem outros jeitos, mas não há manual de instrução nem “bola de cristal” capaz de prever e controlar o enigma da vida. Se assim fosse, qual seria a possibilidade de nos surpreender e, quem sabe, nos encantar?

Saber que fazer diferente é trabalhoso; repetimos para não sair da zona de conforto, mas também por nem nos darmos conta do que repetimos.
É autorizar-se e apropriar-se da própria vida.
É aprender a seguir vivendo, experienciando cada momento como único, sabendo que ele não volta mais e que fizemos o que podíamos fazer.

O surpreendente na psicanálise é a descoberta do que é absolutamente singular do ponto de vista psíquico.

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