Nos Eixos - Ricardo Lauricella

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🧠 Psicoterapia & Análise Junguiana
📖 Analista - em formação
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www.noseixos.com.br

24/09/2026

Eu já falei aqui sobre os perigos da rotina, não como um problema, mas como o risco de viver no automático. Hoje quero olhar para o outro lado: a rotina como algo bom.

E isso surgiu depois de assistir a Dias Perfeitos (recomendo se ainda não viu).

Quando falamos em rotina, logo associamos à monotonia. A repetição dos mesmos caminhos, fazer as mesmas coisas, encontrar as mesmas pessoas. Chega a parecer que a vida que se repete é uma vida que precisa mudar.

O protagonista, Hirayama, repete muita coisa todos os dias. O trabalho, os hábitos, a rota, o almoço no parque, as músicas... E, mesmo assim, parece estar muito mais atento ao que acontece do que muita gente que passa o dia inteiro procurando alguma coisa nova.

Foi isso que me pegou no filme.

Ao vivermos apressados para o próximo compromisso, para a próxima viagem, para o próximo projeto, para a próxima mudança, acabamos não vendo o que está acontecendo no caminho.

O mesmo lugar não é o mesmo todos os dias. A mesma música também não. Nem a gente.

“Da próxima vez é da próxima vez. Agora é agora.”

Quando encontrei essa história de Nise da Silveira, o que me chamou atenção não foi exatamente o cachorro. Foi o que ela...
13/09/2026

Quando encontrei essa história de Nise da Silveira, o que me chamou atenção não foi exatamente o cachorro. Foi o que ela percebeu.

Um paciente que quase não se comunicava começou a mudar a partir do vínculo que estabeleceu com uma cadela que apareceu no hospital. Nise percebeu aquilo antes que houvesse uma explicação pronta para o que estava acontecendo.

E levou a sério.

Tanto que, quando os animais foram retirados do hospital durante uma de suas férias, sua reação não foi simplesmente aceitar uma decisão administrativa arbitrária. Nise pediu demissão. A repercussão do caso acabou levando o diretor-geral de Saúde a pedir que ela retornasse.

Ela voltou.

Gosto desse episódio porque ele diz muito sobre a diferença entre aplicar alguma coisa e perceber o que está acontecendo.

Nise não inventou uma técnica para fazer aquele paciente se comunicar. Ela encontrou uma situação que produziu alguma coisa e prestou atenção.
Isso me faz pensar em quantas vezes procuramos a intervenção certa quando talvez devêssemos primeiro olhar melhor para aquilo que já está acontecendo.

Nem todas as coisas que produzem uma mudança precisam terem sido planejadas para produzi-la.

Mas relações sempre produzem algo.

Fonte: Nise da Silveira: caminhos de uma psiquiatria rebelde, Luiz Carlos Mello.
As imagens e a história apresentadas neste post foram retiradas da obra.

05/09/2026
28/08/2026
19/08/2026

OS NORMAIS - Uma cena com exagero cômico, mas retrata bem o tribunal que abre sessão na nossa cabeça toda vez que baixamos a guarda.

​Todo mundo conhece o desgaste de começar a repassar conversas do dia, recalculando frases, editando entonações e buscando formas impossíveis de recolher o que já foi dito. A ideia é que esse circuito mental dê controle sobre a impressão causada no outro. Uma ilusão.

​O esforço vem da dificuldade em bancar a própria espontaneidade depois da exposição como se não houvesse nenhum tropeço verbal.

De vez em quando é bom para fortalecer a autocrítica. Tempo demais vira insônia.

A inteligência artificial pode nos oferecer algo que as relações humanas raramente conseguem: disponibilidade quase imed...
19/08/2026

A inteligência artificial pode nos oferecer algo que as relações humanas raramente conseguem: disponibilidade quase imediata, respostas, atenção e adaptação ao que precisamos. Confortável, né?!

Acontece que uma relação humana também nos coloca diante de alguém que deseja coisas diferentes, que impõe limites, que silencia, que discorda.

Aí vem o famoso "atravessamento".

Porque o encontro com o outro também mostra aquilo que preferíamos não encontrar em nós.

O que a IA pode fazer por nós, já sabemos. Mas o que podemos deixar de encontrar em nós quando escolhemos relações que nunca nos contrariam é o que não podemos nos esquecer.

Voltei recentemente de um retiro biográfico com uma impressão que ainda não consegui organizar completamente. Achei que ...
13/08/2026

Voltei recentemente de um retiro biográfico com uma impressão que ainda não consegui organizar completamente. Achei que passaria alguns dias lembrando do passado.

Agora entendi que o trabalho não é sobre o passado. Fala do presente. As lembranças eram as mesmas, cada vez mais ricas. Já o lugar de onde eu as observava... mudou.

Isso foi o mais bacana em revisitar a minha própria história. Não voltamos para recontar a vida, mas para perceber que a leitura que contamos sobre ela muda.

Um mesmo acontecimento pode atravessar décadas sendo apenas uma perda, um fracasso ou uma injustiça. Em outro momento, sem que o fato tenha mudado, ele passa a ocupar um lugar completamente diferente em nossa vida.

Tenho a impressão de que tanto a Antroposofia quanto a Psicologia Analítica se encontram justamente nesse ponto. Nenhuma delas parece interessada em transformar a biografia em um inventário de acontecimentos. O interesse está em compreender como uma vida vai adquirindo sentido à medida que continua sendo vivida. A biografia para de ser uma sequência de fatos e passa a ser um processo.

Revisitar a própria história pode ser doloroso. Lembrar pode doer, depois disso nós podemos mudar e a mesma lembrança revelar outra coisa.

Obrigado pela condução Karina Schmidt Brancher/Instituto Fio Vermelho Biografia Viviane Baldace Astrologa kármica Biográfica e a todas as companheiras de jornada.

O mais curioso nas nossas convicções é que elas parecem muito firmes quando estão julgando alguém.Quando a decisão é nos...
13/08/2026

O mais curioso nas nossas convicções é que elas parecem muito firmes quando estão julgando alguém.

Quando a decisão é nossa, quase sempre aparece uma boa razão para abrir uma exceção.

A questão não é apenas aquilo que condenamos nos outros, mas aquilo que conseguimos justificar em nós.

Sua régua anda mudando quando é você quem está sendo medido?

Será que uma teoria substitui a outra, que depois é superada pela seguinte? Tenho pensado de outra forma.Cada abordagem ...
12/08/2026

Será que uma teoria substitui a outra, que depois é superada pela seguinte?

Tenho pensado de outra forma.

Cada abordagem parece responder ao sofrimento característico do seu tempo.
Freud nasce quando a moral reprime o desejo. Jung amplia a compreensão da psique. O behaviorismo conversa com uma sociedade industrial. A psicologia humanista e existencial emerge depois da experiência devastadora da guerra. A TCC responde à demanda por intervenções objetivas e mensuráveis.
E hoje?

Vivemos na era da hiperconectividade, dos algoritmos, da atenção disputada a cada segundo e de identidades cada vez mais instáveis.

Parece desafiador escolher qual escola está "certa".

No entanto, esse não é o modo correto de perguntar: quais delas ainda conseguem dialogar com o sofrimento contemporâneo? Mas qual funciona para você.

Tenho a impressão de que Jung e psicologia analítica continuam sendo um interlocutor importante uma vez que mantiveram as portas abertas.

Muito do que que chamamos de personalidade veio de repetição.Repetimos escolhas, relações, reações e até formas de sofre...
08/08/2026

Muito do que que chamamos de personalidade veio de repetição.

Repetimos escolhas, relações, reações e até formas de sofrer sem perceber que existe alguma coisa por trás delas pedindo para ser vista.

Olhar para o inconsciente não é eliminar aquilo que não gostamos em nós. É começar a reconhecer que também somos feitos daquilo que aprendemos a esconder.

A mudança costuma acontecer neste momento: quando aquilo que se repetia sem que percebêssemos começa a ser visto.

Hoje me perguntei, o que continuo repetindo sem perceber? E você?

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