Psicóloga Natália Marques

Psicóloga Natália Marques *Atendimento clínico;
* Região da Mooca;

Garrett da série “Off campus” (prime vídeo) nos mostra um fenômeno muito comum na clínica (e na vida). O sujeito que por...
02/06/2026

Garrett da série “Off campus” (prime vídeo) nos mostra um fenômeno muito comum na clínica (e na vida). O sujeito que por medo de um suposto destino que o levaria a inevitavelmente repetir o que mais teme e odeia no comportamento de seus pais paralisa e passa a evitar tudo. Evita relações, conflitos, riscos… Se sente preso em um inevitável destino de repetição e com isso paga uma conta alta, perder também a possibilidade de conquistar algo bom, ser feliz.

Muitas pessoas acreditam que para não repetirem os padrões familiares precisam buscar ser total oposto, mas o oposto é também um espelho (Melanie Klein fala brilhantemente sobre isso). Ao buscar ser total oposto, ainda estamos sendo a partir do outro, não em nossa existência autêntica. Ao buscar negar tudo podemos ter um encontro desagradável também com a repetição.

Pode ser importante trabalhar para compreender que nossos pais estão em nós, são partes de nós e não nos dissolveremos completamente deles, mesmo que se corte o contato. Repetiremos uma coisa ou outra inevitavelmente, mas não somos eles, somos nós. É preciso coragem e maturidade para buscar a separação, a autenticidade.

Buscar o que é diferente e se confrontar também, com coragem com o que é parecido, com o que se repete ao invés de negar por completo.

Compreender quem sabe assim, como diz Caetano, qual a dor e a delícia de ser o que se é (e o que poderá vir a ser.)

Um pouco de mim, um pouco da vida em maio ✨
01/06/2026

Um pouco de mim, um pouco da vida em maio ✨

13/05/2026

Cuidado pra não achar que pra combater o suposto novo que não está funcionando, o antigo é a solução !

Ainda não encontramos essa “masculinidade saudável” que é vendida por aí.

É preciso perder pra construir !
iaconelli fez pontuações importantíssimas!

Os homens precisam aprender a PERDER
13/05/2026

Os homens precisam aprender a PERDER

Hoje é o meu segundo Dia das Mães.No primeiro, você tinha apenas 1 mês, cabia perfeitamente nos meus braços; hoje, com 1...
10/05/2026

Hoje é o meu segundo Dia das Mães.

No primeiro, você tinha apenas 1 mês, cabia perfeitamente nos meus braços; hoje, com 1 ano e 1 mês, ainda se acomoda bem no meu colo, mas anda pela casa toda. Estou pensando em coisas para escrever sobre meu maternar desde que acordei às 7:00, e fui interrompida todas as vezes que tentei para fazer as coisas que eu gostaria de escrever.

Não me sinto mais uma mãe recém-nascida apavorada. Não tenho mais medo de não saber trocar suas fraldas, já faço isso automaticamente. Há 1 ano, estava ainda lidando com a hiperlactação na amamentação; ainda doía, empedrava e eu morria de medo que você engasgasse. Hoje, esses dias eu achei que você ia desmamar (mas era apenas a gripe) — eu percebi que não estava preparada para isso, mas, se você quisesse, eu precisaria estar.
Não me sinto mais uma mãe recém-nascida, mas, ao mesmo tempo, me sinto todos os dias. Mãe recém-nascida de um bebê de 1 ano, de um bebê que anda, que tenta colocar o dedo na tomada toda hora, que aprende a dizer as primeiras palavras e nomear o mundo.

Serei a mãe recém-nascida de uma criança, de um adolescente, de um adulto. Todo dia acharei que já sei o que fazer e serei surpreendida com o desconhecido, que encanta e apavora.

Hoje, já respirei fundo para não me estressar umas 15 vezes e sorri com você 25. E a maternidade é meio que isso.

Fico toda orgulhosa quando dizem que você é minha cara; é impagável (e narcísico, rs, claro) te ver crescer e me ver em você. É um encanto te ver parecer e um alívio te ver diferenciar.

Giovani, eu amo ser sua mãe. Te escolheria todas as vezes que pudesse, exatamente do jeitinho que é.
Que eu possa ser sempre sua mãe suficientemente boa.

Feliz Dia das Mães para todas as mães, na beleza e no caos de nossos corações.

Muito longe de ter todas as respostas, esta série reflexiva (foram 3 posts no total) buscou dar voz às angústias de quem...
30/04/2026

Muito longe de ter todas as respostas, esta série reflexiva (foram 3 posts no total) buscou dar voz às angústias de quem cria meninos e enxerga a cultura violenta chegar sorrateira. É um desafio constante competir com uma cultura patriarcal que se manifesta nas escolas, nos grupos de amigos, nos pais de colegas, na mídia e em todo lugar.

Acreditamos no poder da educação como ferramenta transformadora, mas ela sozinha não “faz milagre”. Precisamos trabalhar no desmonte desse sistema que produz homens violentos, mas não detemos esse poder; é um trabalho coletivo. Os homens precisam abrir mão de privilégios e se responsabilizar pelas suas ações individuais e enquanto classe sexual, vir para a discussão e para a construção de uma nova realidade.

A máxima de que “mãe feminista não tem filho machista” é uma falácia que culpabiliza, mais uma vez, as mulheres. A educação e o exemplo têm poder, mas o esforço precisa ser coletivo.

Gostou desta série?

Que reflexões você acha que podemos construir juntos daqui para frente?

Este é o segundo post de uma série reflexiva. No primeiro discutimos sobre as variáveis na formação dos meninos e pergun...
23/04/2026

Este é o segundo post de uma série reflexiva. No primeiro discutimos sobre as variáveis na formação dos meninos e perguntamos se realmente podemos salvá-los da cultura.

Hoje damos mais um passo e questionamos o que de fato seria “menino melhor para o mundo?”.

Lavar louça? Dividir as tarefas domésticas? Saber trocar uma fralda quando se tornar pai? Não agir com violência? E as demandas emocionais, o cuidado com o sentir? E a tal carga mental? Realmente estamos evoluindo ou exigindo o mínimo e nos contentando que “eles estão melhores do que ja foram”?

E essencialmente: ser bom, habilidoso, crítico e não violento não retira o acesso a estrutura de privilégio que a cultura oferece.

Então essa é uma discussão sobre escolhas individuais ou trata-se de uma questão coletiva?

Precisamos de meninos melhores para o mundo ou de um mundo melhor para os meninos?

Conta pra gente o que essa reflexão te provoca e como tem sido sua experiência 👇

Somos três mães de meninos reflexivas sobre a pergunta que vem ganhando voz e corpo:Como podemos criar meninos melhores?...
20/04/2026

Somos três mães de meninos reflexivas sobre a pergunta que vem ganhando voz e corpo:

Como podemos criar meninos melhores?

A gente faria qualquer coisa para salvá-los, mas será que está nas nossas mãos?

Este é o primeiro post de uma série reflexiva.

Vem com a gente?

Conte aqui como essas perguntas te tocaram.

Fiz um ensaio de dia das mães com a  (recomendo muito, ela é incrível!) e no ensaio falamos sobre como era importante fa...
16/04/2026

Fiz um ensaio de dia das mães com a (recomendo muito, ela é incrível!) e no ensaio falamos sobre como era importante fazer também fotos das mães sozinhas, pois a mãe era quem mais tirava fotos, do filho, do pai com o filho, do filho com todos e menos era fotografada, com o bebê e ainda menos, sozinha.

Quando nos tornamos mães, experienciamos uma espécie de sensação de “reconfiguração do sistema”, é como se quem fôssemos antes da maternidade estivesse léguas e léguas distante de nós, mesmo que esse antes seja há apenas um mês. É uma mudança profunda, definitiva, radical. É quase como a sensação de viver duas vidas em uma.

Demoramos bastante em meio há um mundo novo, livre demanda de amamentação, sonecas, fraldas, cólicas e choro que aquela lá que habitava antes, ainda somos nós, que os gostos e nossa personalidade está ali. Que muitos desejos ainda vivem e outros mudaram de lugar. Que muitas certezas caíram por terra (e ainda bem). Mas que nós, a criança assustada que fomos ainda está ali, vive e grita.

A mãe em puerpério recente que fui parece demasiada distante hoje. Assim ainda mais a Natália de antes da maternidade, mas todas elas estão aqui.

Mães, tirem fotos, de vocês com os filhos, gravem, registrem tudo. Tirem fotos também de si mesmas, mesmo que não estejam gostando das olheiras de pouco sono ou da barriga, ou estranhando o próprio corpo. É tudo tão rápido que precisamos de registros pra lembrar.

Que possamos acolher com carinho todas as mães que fomos, somos e seremos, assim como todas as mulheres.

Se acolham.
Acolham outras mães.

Parafraseando , “toda mãe é de colo”.

O filme “Se eu tivesse pernas te chutaria” é uma obra-prima e tem tantas camadas… A sobrecarga e a culpabilização matern...
31/03/2026

O filme “Se eu tivesse pernas te chutaria” é uma obra-prima e tem tantas camadas… A sobrecarga e a culpabilização materna, a ausência paterna, o peso de ser analista quando não se está bem, o questionamento dessa posição fria clássica do analista… dariam cinco posts, no mínimo, para falar sobre tudo.

O filme é escuro, sombrio, assim como Linda (a protagonista) está se sentindo: à beira de um colapso sem ser vista por ninguém. Sendo cobrada para cuidar de sua filha, da casa e de seus pacientes, ela não é cuidada nem por seu analista. O buraco que Linda vê repetidamente é o buraco no qual ela se sente: sem borda, sem luz no fim do túnel, apenas um buraco sombrio interno. Assim como muitas mães sem rede de apoio, sem olhar, sem colo.

Chamou-me muito a atenção a relação do analista de Linda com ela — a fez um post belíssimo sobre essa relação, com o qual concordo muito. Então, vou me focar também mais neste ponto. Ali, Linda estava colapsando, só, sentindo-se “sem recursos internos”, pedindo desesperadamente ajuda, colo, olhar, cuidado. E a análise estava somente focada na responsabilização, no “devolver de perguntas”, no manter a postura fria, rígida e distante do analista.
As perguntas desesperadas de “O que eu faço?” eram lidas somente como “demandas histéricas de busca de um mestre que lhe diga o que fazer”, mas eram, na verdade, naquela situação, um pedido desesperado de socorro para conseguir manter-se viva.

E aí f**a a reflexão de quão perigosa pode ser uma análise na qual não se diferencia a demanda de cada paciente no “um a um”, em cada momento; na qual tratamos todos como “neuróticos clássicos” em busca do olhar de responsabilização, muitas vezes lidando com quem tem um Eu demasiado fragilizado e precisa primeiro regredir, ter colo, para depois caminhar rumo à independência. Ou mesmo quem está à beira de um colapso e precisa de cuidado, de colo, de um analista vivo que a ajude a sobreviver.

O analista de Linda reproduziu mais um abandono em sua vida, no pior momento, em nome de uma suposta ética de analista. A quem serve uma psicanálise feita dessa maneira?

(Continua👇

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03113010

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