02/06/2026
Garrett da série “Off campus” (prime vídeo) nos mostra um fenômeno muito comum na clínica (e na vida). O sujeito que por medo de um suposto destino que o levaria a inevitavelmente repetir o que mais teme e odeia no comportamento de seus pais paralisa e passa a evitar tudo. Evita relações, conflitos, riscos… Se sente preso em um inevitável destino de repetição e com isso paga uma conta alta, perder também a possibilidade de conquistar algo bom, ser feliz.
Muitas pessoas acreditam que para não repetirem os padrões familiares precisam buscar ser total oposto, mas o oposto é também um espelho (Melanie Klein fala brilhantemente sobre isso). Ao buscar ser total oposto, ainda estamos sendo a partir do outro, não em nossa existência autêntica. Ao buscar negar tudo podemos ter um encontro desagradável também com a repetição.
Pode ser importante trabalhar para compreender que nossos pais estão em nós, são partes de nós e não nos dissolveremos completamente deles, mesmo que se corte o contato. Repetiremos uma coisa ou outra inevitavelmente, mas não somos eles, somos nós. É preciso coragem e maturidade para buscar a separação, a autenticidade.
Buscar o que é diferente e se confrontar também, com coragem com o que é parecido, com o que se repete ao invés de negar por completo.
Compreender quem sabe assim, como diz Caetano, qual a dor e a delícia de ser o que se é (e o que poderá vir a ser.)