14/09/2026
Como o neurologista programa a Estimulação Cerebral Profunda com Adaptive DBS?
Na estimulação cerebral profunda convencional, o neurologista define os parâmetros de estimulação e o sistema mantém essa estimulação de forma contínua.
No Adaptive DBS, damos um passo além: o próprio eletrodo implantado no cérebro pode registrar a atividade neural, enquanto o neuroestimulador utiliza esse sinal para ajustar a estimulação de acordo com o estado do paciente.
Mas como fazemos essa programação?
Primeiro, identificamos um biomarcador cerebral confiável, frequentemente uma atividade na faixa beta, que pode estar relacionada ao estado motor na Doença de Parkinson.
Depois, realizamos o streaming do sinal cerebral e avaliamos como esse biomarcador se modifica durante diferentes situações: repouso, movimento, uso da medicação e diferentes níveis de estimulação.
A partir desses registros, definimos limiares — os thresholds — que vão orientar o algoritmo adaptativo.
Também programamos uma faixa de estimulação, estabelecendo amplitudes mínima e máxima e a velocidade com que a estimulação pode aumentar ou diminuir.
A partir daí, o sistema passa a acompanhar continuamente a atividade cerebral.
Quando o biomarcador ultrapassa determinados limites, a estimulação pode aumentar. Quando essa atividade diminui, a estimulação pode reduzir.
Ou seja: em vez de o cérebro receber exatamente a mesma estimulação durante todo o dia, o Adaptive DBS permite que a terapia responda dinamicamente ao sinal cerebral de cada paciente.
E um ponto fundamental: o sistema não “decide sozinho” qual tratamento fazer. É o neurologista que seleciona o biomarcador, define os thresholds, estabelece os limites de estimulação e ajusta o algoritmo de forma individualizada.
O objetivo é transformar o DBS em uma terapia cada vez mais personalizada, dinâmica e baseada na própria atividade cerebral do paciente.
Adaptive DBS: quando a estimulação começa a acompanhar o cérebro em tempo real.