06/02/2022
Muitas pessoas percebem a época de Natal e Ano Novo como uma comemoração e celebração, de alegria pelo (re)encontro com a família, o momento de matar a saudade pelas distâncias da vida, impostas ou necessárias, em que a aproximação é um resgate dos afetos de amor, carinho, conforto.
Mas nem sempre o encontro familiar é saudável.
Muitas pessoas tem sentimentos variados ativados e despertados, faz emergir aquilo que não vai bem, o que provoca tristeza, angústia e ansiedade, algumas com tal intensidade que mobiliza pela procura de psicoterapia.
Pode reativar memórias de abusos (de infância) entre familiares, conflitos que se mantiveram ao longo do ano todo e que neste momento se finge nada ter acontecido, ou ainda vivenciar brigas “fresquinhas”, recentes ali-naquele-momento, por intolerâncias, desconfortos, heranças, etc.
Há aqueles que:
- Sustentam um rancor, por alguma desavença mal resolvida, mágoas por sentir-se deixado de lado ou ofendido(a) por algum parente.
- Tem de experimentar a Ausência de uma pessoa querida, por distância ou morte, o que desperta melancolia e nostalgia, por lembrar-se de épocas em que as celebrações eram mais intensas na família, ou de épocas em que ocorriam na própria casa.
- Sofrem pela Comparação, concorrência e competição: aparece a percepção de diferenças de sucesso e felicidade entre seus familiares, e ativar sentimentos de infelicidade e incapacidade, de menos valia.
- Estão sozinhos, perderam seus familiares, tem poucos ou nenhum descendente (filho, neto), e não encontram conforto ou acesso a outros lares, que não tem com quem dividir memórias de suas experiências de vida.
Obrigar-se a estar bem nessa época só fará as coisas piorarem. Para quem está perto de quem sofre, basta respeitar o espaço da pessoa.
Mas, se a tristeza atrapalha, atravanca o andamento da vida e o fluir das relações, este período serve como um indicativo de que tudo isto precisa de uma intervenção psicológica.
Aliviar o sofrimento, identificar o conflito e desfazer o desconforto emocional é o que uma psicoterapia pode proporcionar, antes mesma da chegada do próximo Natal, como forma de impedir a revivência e a repetição do já conhecido.