01/11/2016
“Ninguém nasce mulher, torna-se mulher..”
- Simone de Beauvoir.
Ser mulher, não é algo natural, biológico, pronto e acabado.. Isso é ser fêmea, como são as outras espécies. Ser mulher vai muito além de um órgão sexual que te define, rotula ou identif**a, mas é, antes de tudo, ter vários adjetivos e nenhuma definição concreta. Sim, trago um texto sobre ser mulher, plenamente certa de que assim como o amor, somos indefiníveis.
É chorar de rir e sorrir pra não chorar; é ser podada e engessada desde muito cedo “meninas brincam com meninas”, “bolinha de gude não é brinquedo pra você”, “mocinhas não podem se sentar assim”, e isso perdura independente do tempo “mulher não bebe assim”, “não pode chegar nele! Vai pensar que você é puta”, e ainda ouvir dos amigos que fulana é “gostosinha” mas só serve pra pegar enquanto a bonitinha sem sal que é mulher pra namorar..
É aprender, quase concomitante ao “primeiro amor”, que por longos anos, o corpo te lembrará mensalmente que você é mulher, e isso pode ser bastante doloroso!rs
Engraçado, pensando nesse período, acho que isso é uma lição natural que a vida nos traz e a gente ignora: a cólica vem junto ao amor adolescente pra você botar os pés no chão e ver o quanto é trabalhoso ser quem somos, a manutenção é cara e necessária, mas é tudo bastante suportável, pra entender, que não é qualquer sorriso estonteante que vai se tornar “impossível viver sem”, que “não vai passar” ou que vai te matar ter que lidar com o fim.. Cólicas deviam ser encaradas como lição de vida!Haha
Em tempos de um movimento feminista com força considerável, de diversos direitos conquistados e tantos outros por vir a ser, ser mulher ainda é ter de se firmar, se colocar, reafirmar, conquistar, todos os dias e em todas as perspectivas. É travar lutas diárias pra fazer valer seus direitos, pra obter respeito, por ser valorizada, e ainda assim, ouvir que é s**o frágil, que chora atoa, que surta com uma unha quebrada, e pior, ter que discutir em pleno século 21 que roupa não define caráter, que não ter filhos é uma opção e um direito, que não querer se casar é uma decisão (bastante sábia, talvez..rs), e pior: que não merece ser estuprada. É o escambau!
Não somos vítimas de um movimento que, embora tenha contribuído muito para os direitos que hoje temos, queira nos fragilizar ou tão pouco, nos tornar menos responsáveis por defender um extremismo no qual tem se pautado muito além da busca por igualdade mas, se igualado cada vez mais ao machismo repudiado..
Somos e precisamos cada vez mais nos tornar livres de quaisquer aprisionamento de ideias e preceitos que sejam alienáveis e nos ditem como fazer e agir e, que não nos representa mas, sim, nos engajar mais em lutas que sejam a favor do feminismo livre de revanches, que não defenda a ideia marxista de igualdade a todo custo que defendem um banalismo culminantes em abortos como liberdade ou relativismo moral e que nos leve a liberdade livres de muletas.
- Fraan Ferreira.