Geriatra Dra. Ana Paula Bernardes Real

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Geriatra Dra. Ana Paula Bernardes Real Minha convivência com meus avós despertou meu amor pela Geriatria. Minha missão é cuidar e acompanhar com amor meu pacientes e familiares.

Formada pela UFMG, com experiências na USP e na Universidade McGill (Canadá), sou geriatra especialista em Demencia.

25/08/2026

Se a doença de Alzheimer pode começar no cérebro 15 a 20 anos antes dos primeiros sintomas por que não fazer um exame logo e descobrir?

Essa é uma dúvida muito comum principalmente entre filhos e familiares de pessoas com Alzheimer.

Hoje já conseguimos identificar alterações biológicas da doença antes mesmo de a pessoa apresentar perda de memória. Mas isso não significa que todo mundo que tenha essas alterações vá necessariamente desenvolver demência ao longo da vida.

Além disso, existe outro ponto fundamental: os tratamentos modificadores da doença disponíveis atualmente são indicados para pessoas que já apresentam sintomas em fases iniciais, e não para pessoas completamente assintomáticas apenas porque têm biomarcadores positivos.

Por isso, não é recomendado fazer rastreamento de Alzheimer em todas as pessoas que estão cognitivamente bem.

Na prática, esses exames são mais úteis quando existe uma pergunta clínica concreta:
“Essa dificuldade de memória é apenas do envelhecimento?”
“Já existe comprometimento cognitivo?”
“Pode ser doença de Alzheimer?”
“Vale a pena confirmar o diagnóstico com biomarcadores?”

É aí que uma avaliação adequada faz diferença.

Nem toda queixa de memória é Alzheimer. E nem todo biomarcador positivo significa que aquela pessoa terá demência.

O mais importante não é fazer exames cada vez mais cedo sem indicação. É saber quem deve investigar, quando investigar e o que aquela informação vai mudar no cuidado do paciente e da família.



Dra. Ana Paula Real
Clínica e Geriatra (CRM 80284 | RQE 62713)
Especialista em Cognição

Isso não é um pé de bananeira.Sempre fui fascinada por gente. Pelas histórias, pelos comportamentos, pelas emoções, pela...
14/08/2026

Isso não é um pé de bananeira.

Sempre fui fascinada por gente. Pelas histórias, pelos comportamentos, pelas emoções, pelas escolhas e por tudo aquilo que faz uma pessoa ser quem ela é. Encontrei uma forma de exercer a Medicina que faz muito sentido para mim para cuidar da doença, primeiro preciso conhecer a pessoa.

Gosto de saber quem é aquele paciente antes mesmo de saber tudo o que ele tem. De onde veio, o que fez durante a vida, do que se orgulha, quem ama, o que gostava de fazer, o que ainda lhe dá prazer. Gosto das histórias que aparecem no meio de uma consulta e que, aparentemente, não caberiam em nenhum prontuário. Porque ninguém começa a existir quando recebe um diagnóstico.

E isso se torna ainda mais importante quando cuidamos de pessoas com demência. Essa foto foi tirada durante uma visita domiciliar. Fui até a casa de um paciente que acompanho e que, pela progressão da demência, já não consegue mais ir ao meu consultório. Em algum momento da visita, olhei para esse pé de bananeira e pensei no privilégio que a minha profissão me dá. Para quem olha a foto, talvez seja só um pé de bananeira. Para mim, não é.

É o quintal de alguém. É um pedaço do lugar onde uma vida inteira aconteceu. É parte de uma história que começou muito antes da demência e que continua existindo apesar dela. Quando a doença avança, muitas vezes o paciente já não consegue nos contar quem foi como antes. E então sua história começa a aparecer de outras formas.

Nas fotografias pela casa. Nos objetos guardados. Nas histórias que a família conta. Nos hábitos que permaneceram. No que ainda faz sorrir. No que acalma. No que ainda desperta alguma lembrança. Até nas coisas aparentemente simples de um quintal. A demência pode levar muitas coisas. Mas ela não apaga a vida que existiu antes dela nem diminui o valor da vida que ainda existe. Talvez seja por isso que eu goste tanto de conhecer a história dos meus pacientes.

No fim essa foto nao é sobre um pé de banana, é sobre nunca deixar a doença ocupar um espaço maior que a pessoa por trás dela🧡

Cheguei hoje em casa depois de quase 13 horas de trabalho no Ambulatório de Geriatria do Hospital das Clínicas cansada. ...
05/08/2026

Cheguei hoje em casa depois de quase 13 horas de trabalho no Ambulatório de Geriatria do Hospital das Clínicas cansada. A cabeça latejando lombar doendo. Mas o sentimento que tomou conta de mim não foi de exaustão.

Às vezes esquecemos que a nossa história começou muito antes de nós. Em 1949, meu avô atravessou os portões desta instituicao.. Antes disso, mascateava pelas roças, estudava à noite, à luz de lamparina, acreditava que a educação era a unica forma de mudar sua vida. Conseguiu o improvável, vindo de familia humilde passou em Medicina naquela epoca. Teve q trabalhar durante todo o curso mas conseguiu se formar e se tornou um grande médico.

Décadas depois, foi a vez do meu pai escrever sua história aqui. Cresci ouvindo suas histórias sobre esses corredores muito antes de conhecê-los, aulas de Anatomia, pediatria, diretório acadêmico...

Em 2012, chegou a minha vez. Foi aqui que tbm aprendi a ser médica, que fiz Clínica Médica e Geriatria. Foi aqui que aprendi sobre fragilidade humana, dor, compaixão.

Mas hoje é diferente. Continuo voltando para o mesmo lugar que formou meu avô, meu pai e eu.

Mas agora em 2026 já não sou aluna. Hoje ensino. Formo residentes e cuido de pacientes no hospital que transformou a história da minha família.

Talvez seja isso que mais me emocione. Alguns sonhos não pertencem apenas a uma pessoa. Eles atravessam gerações. Às vezes imagino meu avô estudando à luz de uma lamparina, sem imaginar que, décadas depois, sua neta pisaria nesses mesmos corredores.

Por isso hoje nao sinto cansaço. Sinto privilegio. Sinto gratidao. Sinto meu avô e meu pai pertinho de mim. Sinto amor. Porque significa que continuo escrevendo uma história que começou muito antes de mim.

A educação mudou a vida do meu avô.Mudou a do meu pai. Mudou a minha. E todos os dias continua mudando a vida de tantas outras pessoas

Algumas instituições formam médicos. Outras também formam gerações❤️

28/07/2026

Esquecer onde colocou a chave significa demência? Nem sempre.

Problemas de memória podem ter várias causas, e muitas delas são tratáveis.

Falta de vitamina B12, alterações da tireoide, depressão, ansiedade, estresse, privação de sono e até alguns medicamentos podem causar dificuldade de memória e concentração.

Por isso, quando alguém começa a apresentar esquecimentos, o primeiro passo não é concluir que se trata de demência, e sim investigar a causa.

A demência é apenas uma das possíveis explicações para alterações cognitivas. Fazer uma avaliação adequada é essencial para identificar o que está acontecendo e indicar o melhor tratamento.

Nem toda perda de memória é demência. Memória alterada merece investigação.

20/07/2026

Musicoterapia na demência: muito além do entretenimento.

A música ativa áreas do cérebro que permanecem preservadas por mais tempo, mesmo quando a memória já está comprometida.

Estudos mostram que a musicoterapia pode: • Reduzir a agitação e a agressividade. • Diminuir sintomas de ansiedade e depressão. • Melhorar a apatia e estimular a participação nas atividades. • Favorecer a comunicação e a interação social. • Resgatar memórias autobiográficas e emoções. • Promover relaxamento e melhorar a qualidade de vida. • Reduzir a sobrecarga dos cuidadores ao diminuir sintomas comportamentais.

Ela não interrompe a progressão da doença. Mas pode transformar a forma como a pessoa vive cada dia, preservando conexões, emoções e momentos de bem-estar.

Porque, às vezes, quando as palavras já não encontram o caminho, a música encontra💜💜💜

20/07/2026

Musicoterapia na demência: muito além do entretenimento.

A música ativa áreas do cérebro que permanecem preservadas por mais tempo, mesmo quando a memória já está comprometida.

Estudos mostram que a musicoterapia pode: • Reduzir a agitação e a agressividade. • Diminuir sintomas de ansiedade e depressão. • Melhorar a apatia e estimular a participação nas atividades. • Favorecer a comunicação e a interação social. • Resgatar memórias autobiográficas e emoções. • Promover relaxamento e melhorar a qualidade de vida. • Reduzir a sobrecarga dos cuidadores ao diminuir sintomas comportamentais.

Ela não interrompe a progressão da doença. Mas pode transformar a forma como a pessoa vive cada dia, preservando conexões, emoções e momentos de bem-estar.

Porque, às vezes, quando as palavras já não encontram o caminho, a música encontra💜💜💜

Durante a minha formação como Geriatra sempre  quis entender com mais profundidade o mundo das demências. Fiz uma residê...
17/07/2026

Durante a minha formação como Geriatra sempre quis entender com mais profundidade o mundo das demências. Fiz uma residência maravilhosa no HC-UFMG, que me deu uma base da qual tenho muito orgulho. Mas eu sentia que ainda faltava alguma coisa. E quando isso acontece vou atrás, conhecimento é meu combustível.
Foi assim que encontrei o caminho da cognição. Primeiro em São Paulo e depois no Canadá. Com muita persistência consegui o privilégio de aprender diretamente com alguns dos maiores pesquisadores e médicos do mundo em Alzheimer. Assistir às aulas deles, discutir casos, conversar durante um café... experiências que pareciam impossíveis para a Ana Paula de alguns anos atrás.

Hoje olho para trás com gratidão por não ter me acomodado. Pela inquietação que me fez continuar estudando e buscando mais. Ela me trouxe até aqui. Hoje me sinto muito segura e preparada não só para diagnosticar, tratar e acompanhar pessoas com demência. Tive o privilégio de cuidar de pacientes em Minas, SP e no Canadá, conhecendo histórias, culturas distintas. E cada uma delas me moldou de alguma forma.

Participar do AAIC, maior Congresso de Alzheimer foi consequência dessa caminhada. Mais um passo na construção da minha base sólida em cognição. Um privilégio poder aprender com pesquisadores que sempre admirei e reencontrar amigos que essa jornada me deu.

A demência é uma doença cruel, nao romantizo. Ver alguém perder, aos poucos, sua identidade fere a alma. Mas o diagnóstico precoce também pode ser uma oportunidade: de reorganizar prioridades, criar memórias e aproveitar quem amamos da melhor forma.
Enquanto a ciência corre atrás de tratamentos cada vez melhores, a minha missão é caminhar ao lado dos pacientes e das famílias. Ajudá-los a atravessar esse processo da forma mais leve possível. Leve não significa fácil. Nunca será. Mas informação, acolhimento e planejamento fazem toda a diferença.

Engraçado. era para este ser um post sobre como o AAIC foi incrível, sobre o quanto a ciência me encanta e tudo o que aprendi nesses dias. Mas acabou virando sobre persistência, sobre seguir nossa voz interior e ir caminhando e acreditando.

Como geriatra, convivo diariamente com um fato: no fim da vida, as pessoas contam histórias. E é curioso, se a gente par...
17/07/2026

Como geriatra, convivo diariamente com um fato: no fim da vida, as pessoas contam histórias.

E é curioso, se a gente para reparar, as histórias quase nunca são coisas da rotinas.  Mas historias daqueles momentos que romperam com o dia a dia. As histórias que mais lembramos e contamos sao aquelas que foram atreladas a emocoes mais fortes.

Talvez, por isso, viajar tenha tanto significado para mim. Por tirar da rotina e produzir emoções tão fortes.

Viajar é um dos poucos momentos em que paro de funcionar no automático.
É quando saio dos papéis que desempenho todos os dias. Quando viajo, sou somente Ana Paula. Nao tenho rotulos.

Viajar me faz lembrar que o mundo é imensamente maior do que minhas preocupações, medos e dúvidas. Viajar me encanta porque me devolve a curiosidade. Me faz observar, ouvir, provar, me perder, me surpreender. Viajar é um convite constante à humildade. Afinal, somos tão pequenos diante do mundo, e o mundo é tão maior do que imaginamos.
Não acredito que viajar sirva apenas para colecionar lembranças.

Como geriatra, sou obrigada a diariamente estar de frente para finitude, para a fragilidade. Sou lembrada que o tempo é implacável para todos.

Quando viajo tenho a sensacao que consigo dar uma pausa no tempo, consigo expandi lo. O que muda é o que fazemos com ele. Viajar para mim é colocar mais vida no meu tempo, mais tempo na minha vida.

E você... o que viajar significa para você? O que tem feito para ter histórias para contar?

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São Paulo, SP
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