25/08/2026
Se a doença de Alzheimer pode começar no cérebro 15 a 20 anos antes dos primeiros sintomas por que não fazer um exame logo e descobrir?
Essa é uma dúvida muito comum principalmente entre filhos e familiares de pessoas com Alzheimer.
Hoje já conseguimos identificar alterações biológicas da doença antes mesmo de a pessoa apresentar perda de memória. Mas isso não significa que todo mundo que tenha essas alterações vá necessariamente desenvolver demência ao longo da vida.
Além disso, existe outro ponto fundamental: os tratamentos modificadores da doença disponíveis atualmente são indicados para pessoas que já apresentam sintomas em fases iniciais, e não para pessoas completamente assintomáticas apenas porque têm biomarcadores positivos.
Por isso, não é recomendado fazer rastreamento de Alzheimer em todas as pessoas que estão cognitivamente bem.
Na prática, esses exames são mais úteis quando existe uma pergunta clínica concreta:
“Essa dificuldade de memória é apenas do envelhecimento?”
“Já existe comprometimento cognitivo?”
“Pode ser doença de Alzheimer?”
“Vale a pena confirmar o diagnóstico com biomarcadores?”
É aí que uma avaliação adequada faz diferença.
Nem toda queixa de memória é Alzheimer. E nem todo biomarcador positivo significa que aquela pessoa terá demência.
O mais importante não é fazer exames cada vez mais cedo sem indicação. É saber quem deve investigar, quando investigar e o que aquela informação vai mudar no cuidado do paciente e da família.
Dra. Ana Paula Real
Clínica e Geriatra (CRM 80284 | RQE 62713)
Especialista em Cognição