24/07/2026
A interface clínica entre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a Epilepsia é frequente na infância, mas impõe um grande desafio de diagnóstico. 💙🧠
Estudos apontam que uma parcela significativa de crianças no espectro pode apresentar crises epilépticas ao longo do desenvolvimento. O grande obstáculo no consultório é que, no TEA, episódios de olhar fixo, movimentos repetitivos com as mãos ou momentos de aparente desconexão do ambiente podem ser facilmente interpretados apenas como estereotipias ou comportamentos típicos do próprio espectro.
Contudo, esses mesmos sinais podem, na verdade, mascarar crises epilépticas focais ou crises de ausência.
Por que distinguir um comportamento de uma crise epiléptica é vital? Se uma crise epiléptica passa despercebida ou é tratada apenas como uma característica comportamental, a atividade elétrica anormal crônica e contínua no cérebro interfere de maneira direta no desenvolvimento global da criança. Isso pode resultar em:
✅ Perda ou estagnação de habilidades já adquiridas (como a fala);
✅ Piora inexplicável no padrão de comportamento ou irritabilidade;
✅ Prejuízos acentuados no aprendizado e na cognição.
O mapeamento detalhado por meio de um EEG (Eletroencefalograma) de qualidade é a principal ferramenta neurofisiológica para trazer precisão a esse cenário. Associado a avaliação semiológica, é ele que nos diz, com base em dados, se aqueles segundos de desconexão são uma resposta sensorial ou uma descarga anormal que precisa de tratamento medicamentoso específico.
Garantir o diagnóstico correto é o primeiro passo para que a criança receba o suporte adequado e alcance seu pleno potencial com segurança.
Dra. Taissa Ferrari Marinho | Neurologista e Neurofisiologista CRM-SP 120.785 | RQE 128966/12896