Dr. Cristiano Eduardo Busso - Medicina Reprodutiva

Dr. Cristiano Eduardo Busso - Medicina Reprodutiva Especialista em Reprodução Humana Assistida (inseminaçao artificial e fertilizaçao in vitro).

09/08/2026

O espermograma costuma ser um dos primeiros exames solicitados na investigação da infertilidade do casal. E isso tem um motivo simples: é um exame acessível, pouco invasivo e que traz informações fundamentais logo no início da avaliação.

Ele permite analisar parâmetros como concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides, que são essenciais para entender o potencial reprodutivo masculino.

Um ponto importante: um espermograma normal não garante fertilidade, assim como um exame alterado também não significa, isoladamente, infertilidade. O resultado sempre precisa ser interpretado dentro do contexto clínico do casal.

Outro detalhe relevante é que o espermograma apresenta variabilidade natural. Por isso, alterações devem ser confirmadas com uma segunda coleta antes de qualquer conclusão mais definitiva.
Na prática, incluir o fator masculino desde o início da investigação evita atrasos no diagnóstico e ajuda a direcionar melhor a condução do caso.

09/08/2026

O Intralipid é uma emulsão lipídica administrada por via intravenosa, proposta como uma forma de modular o sistema imunológico, especialmente em casos de falha de implantação ou abortos de repetição.

A hipótese é semelhante à dos corticoides: reduzir a atividade de células do sistema imune que poderiam interferir na implantação do embrião.

Mas o que mostram as melhores evidências?

Na revisão publicada pelo Lancet, foram identificados 11 estudos potencialmente elegíveis, mas após a avaliação da qualidade, apenas um estudo randomizado pôde ser incluído na análise.

Com base em um único estudo pequeno e com limitações metodológicas, a qualidade da evidência foi classificada como muito baixa, o que impede qualquer conclusão confiável sobre benefício.

Ou seja, não há evidência robusta de que o Intralipid aumente a chance de nascimento de um bebê na FIV.

Esse é um ponto importante: não é que existam vários estudos mostrando que não funciona — o problema é que não temos estudos confiáveis suficientes para saber se funciona.

Na prática, isso significa que o uso dessa estratégia ainda carece de base científica sólida para ser recomendado de forma rotineira.

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09/08/2026

Quando investigar infertilidade?

Menos de 35 anos: até 12 meses de tentativa.

35 anos ou mais: 6 meses.

40 anos ou mais: investigação imediata.

E não é só tempo.

Se já existe alguma alteração conhecida, a investigação deve ser antecipada.

Irregularidade menstrual, endometriose ou fator masculino.

09/08/2026

Vai começar a tentar engravidar?

Antes de tentar, vale fazer o básico bem feito.

Consulta, exames gerais, rotina ginecológica em dia e vacinas atualizadas.

Iniciar suplementação de ácido fólico, rever hábitos de vida.

Incluir o homem desde o começo.

Revisão dos hábitos de vida DELE. E por quê não já fazer um espermograma?

Espermograma é simples e faz parte da avaliação inicial.

06/08/2026

O PRP intrauterino tem sido utilizado com o objetivo de melhorar a receptividade do endométrio, principalmente em casos de falhas repetidas de implantação ou endométrio fino. A proposta é que os fatores de crescimento presentes nas plaquetas favoreçam um ambiente mais propício para a implantação do embrião.

Mas o que mostram as melhores evidências?

Na revisão publicada pelo Lancet, apenas quatro estudos randomizados preencheram os critérios de qualidade para serem incluídos. Esses estudos eram pequenos, incluíram populações diferentes e a qualidade da evidência foi considerada muito baixa.

Por isso, não foi possível demonstrar que o PRP intrauterino aumente a chance de nascimento de um bebê ou estabelecer uma conclusão confiável sobre sua eficácia.

Isso significa que o PRP intrauterino não funciona?

Não. Significa que ainda não existem evidências científicas suficientes para afirmar que ele funcione. São necessários estudos maiores e metodologicamente mais robustos antes que essa estratégia possa ser recomendada de forma rotineira.

Na medicina baseada em evidências, uma intervenção promissora precisa demonstrar benefício clínico antes de ser incorporada à prática. No caso do PRP intrauterino, essa resposta ainda está em construção.

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Loki & Jura
02/08/2026

Loki & Jura

02/08/2026

Gravidez após os 40 superou a de adolescentes. Mas calma: isso não significa que ficou mais fácil engravidar aos 40.

Essa notícia tem gerado muita confusão.

O que mudou não foi a biologia feminina. A fertilidade continua diminuindo com a idade, principalmente após os 35 anos, e a chance de gravidez espontânea aos 40 ainda é muito menor do que aos 20 ou 30.

O que aconteceu foi uma mudança demográfica: cada vez mais mulheres adiam a maternidade por motivos pessoais, profissionais ou financeiros, enquanto a gravidez na adolescência caiu de forma importante nas últimas décadas.

O resultado é que, pela primeira vez, houve mais nascimentos de mães com 40 anos ou mais do que de adolescentes. Isso reflete uma transformação da sociedade, e não uma melhora da fertilidade após os 40 anos.

Por isso, a mensagem mais importante continua sendo a mesma: se você deseja ter filhos um dia, vale a pena se informar sobre como a idade influencia a fertilidade. Planejamento reprodutivo é conhecimento, não pressão.

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02/08/2026

O PRP ovariano tem sido proposto como uma forma de estimular a função dos ovários, especialmente em mulheres com baixa reserva ovariana. A ideia é que os fatores de crescimento presentes nas plaquetas possam favorecer a atividade do tecido ovariano.

Mas o que mostram as melhores evidências?

Na revisão publicada pelo Lancet, foram encontrados apenas dois estudos randomizados considerados metodologicamente confiáveis. Destes, apenas um avaliou o desfecho mais importante: a taxa de nascidos vivos. Ambos os estudos eram pequenos, e a qualidade da evidência foi classificada como muito baixa.

Por isso, não foi possível concluir que o PRP ovariano aumente a chance de nascimento de um bebê após a fertilização in vitro.

Isso não significa que o PRP seja ineficaz. Significa que, com as evidências disponíveis hoje, ainda não sabemos se ele realmente traz benefício clínico.
Na reprodução humana, é natural que novas estratégias despertem entusiasmo. Mas antes de incorporá-las à prática clínica, precisamos demonstrar que elas são eficazes e seguras em estudos bem conduzidos.

Esse é exatamente o papel da medicina baseada em evidências.

Infertilidade MedicinaBaseadaEmEvidências Lancet

31/07/2026

A incubadora time-lapse permite acompanhar o desenvolvimento dos embriões por meio de imagens captadas continuamente, sem a necessidade de retirá-los da incubadora para observação.

Isso significa que o embrião permanece em um ambiente mais estável, enquanto a equipe pode analisar detalhes do seu desenvolvimento que não seriam vistos apenas nas avaliações tradicionais.

É importante lembrar que a tecnologia, por si só, não garante maiores taxas de gravidez ou de nascimento. O principal benefício está em fornecer mais informações para auxiliar a avaliação embrionária e permitir um acompanhamento mais completo do desenvolvimento.

Na reprodução assistida, cada avanço tecnológico deve ser utilizado quando faz sentido para aquele caso, sempre com base nas melhores evidências científicas.

Você já tinha ouvido falar na incubadora time-lapse?

Fertilidade MedicinaReprodutiva

29/07/2026

O PICSI é uma técnica de seleção espermática que utiliza a ligação do espermatozoide ao ácido hialurônico como um marcador de maturidade. A hipótese é que a seleção de espermatozoides mais maduros possa melhorar os resultados da fertilização.

Na revisão publicada pelo Lancet, apenas dois estudos randomizados foram considerados metodologicamente confiáveis para avaliar essa técnica.

Os resultados mostraram que o PICSI não aumentou a taxa de nascidos vivos nem a taxa de gravidez clínica. Por outro lado, foi observada uma redução na taxa de abortos.

Como interpretar esses achados?
Embora a redução dos abortos seja um resultado relevante, o principal objetivo de um tratamento de reprodução assistida é aumentar a chance de nascimento de um bebê. Até o momento, as evidências disponíveis não demonstraram esse benefício.

Isso não significa que o PICSI nunca tenha indicação, mas reforça que seu uso rotineiro ainda não é sustentado por evidências robustas, e que novos estudos são necessários para identificar se existe algum grupo específico de pacientes que realmente possa se beneficiar dessa estratégia.

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