04/08/2026
Outro dia uma paciente falou “pra vocês isso tudo é tão comum né?”. Na verdade, não.
Eu me emociono com cada uma das histórias que tenho o privilégio de participar.
Não tem como achar comum “tocar” em uma vida tão no comecinho, ser instrumento guia pra um embrião encontrar o caminho de casa…
Na transferência de domingo, um casal com 15 anos de infertilidade pediu para colocar uma música chamada “Jó”. Chorei no carro ouvindo voltando pra casa.
Fiquei pensando na história bíblica de Jó.
Um homem justo que em pouco tempo perdeu bens, saúde e seus filhos, sem jamais compreender o motivo de tanto sofrimento. Entre perguntas, silêncio e lágrimas, recusou-se a abandonar sua fé. No fim, descobriu que nem toda dor tem uma explicação ao alcance humano, mas que, depois do inverno, a vida encontra caminhos para florescer outra vez.
Pensei em quanta estrada esse casal percorreu em 15 anos. Quantas lágrimas, sorrisos, abraços, olhares.
Na tela, escrevi “Bendito seja”, era um trecho da música. Eu espero, com todo o meu coração, que a tempestade deles tenha acabado!
E não, nenhum desses momentos eu considero comuns, ainda que façam parte do meu dia a dia.
Para mim, eles são extraordinários!