20/09/2026
Às vezes a mulher percebe que está fazendo praticamente as mesmas coisas de antes, mas o corpo já não responde da mesma maneira. Isso não significa falta de disciplina. Significa que vale entender o que mudou.
É comum ouvir: “Dra., eu não estou comendo mais do que antes, mas comecei a ganhar peso.” E esse relato merece investigação. A balança é só uma parte da história.
Sono ruim interfere muito mais no metabolismo do que muita gente imagina. Quando você passa a dormir pior, também pode recuperar pior do treino, sentir mais fome e ter menos disposição durante o dia.
O peso pode até permanecer parecido, enquanto a composição corporal muda. Menos músculo e mais gordura, principalmente abdominal, fazem diferença para metabolismo, força e saúde futura.
Na transição para a menopausa, os hormônios participam de várias mudanças. Sono, apetite, distribuição de gordura, sensibilidade à insulina e gasto energético podem ser afetados. Mas nada disso acontece de forma isolada.
Depois dos 40, é muito fácil colocar toda dificuldade para emagrecer na conta da menopausa. Só que, na prática, precisamos olhar além dela antes de chegar a qualquer conclusão.
Tireoide, resistência insulínica, alimentação, sedentarismo, medicamentos, estresse, sono e massa muscular fazem parte dessa avaliação. Quanto mais individualizada a investigação, melhor a estratégia.
Essa pergunta aparece muito no consultório. E quase nunca existe um único hormônio responsável. O metabolismo é resultado da interação de vários fatores.
Eu prefiro entender o que mudou no organismo daquela mulher e o que, de fato, podemos modificar. É a partir daí que o tratamento começa a fazer sentido.
Seu corpo aos 45 não precisa responder exatamente como respondia aos 30. O cuidado também precisa amadurecer. O objetivo não é lutar contra o tempo, e sim preservar saúde, força, composição corporal e autonomia ao longo dos anos.