17/07/2026
Na semana passada, eu concluí minha especialização em Neuropsicologia pelo IPOG Salvador , e fiz um artigo científico - não publicado, foi apenas para a conclusão do curso, ok? - sobre um tema que me é muito próximo e de interesse, e quis compartilhar aqui o que encontrei.
Primeiro, acho essencial, ao pensar e fazer ciência, ter um olhar sobre quem e para quem ela é feita, pois a ciência não é neutra. Ao falar do histórico do autismo até chegar aos critérios que temos hoje, precisamos localizar socialmente: tudo começou, e evoluiu a partir daí, com e para meninos cis, brancos, de classe média a alta.
Como, então, os critérios diagnósticos, formação de profissionais, te**es e diagnósticos podem acontecer de forma assertiva em pessoas fora da apresentação desse grupo “clássico”?
Mulheres tendem a ser menos diagnosticadas, e imaginava-se que era por o autismo ser 3x mais prevalente em meninos. No entanto, tudo indica que é porque a manifestação do autismo em meninas e mulheres é diferente da apresentação clássica e estereotipada.
Há peculiaridades do autismo em mulheres que não são identificadas assertivamente, e o sofrimento causado por falhas diagnósticas e mascaramento é enorme.
E, se pouco se fala sobre o autismo em mulheres, fala-se menos ainda em grupos dissidentes de gênero, LGBTQIAPN+, racializados, com recorte de classe.
Ainda temos que evoluir muito para que todes tenham acesso assertivo a diagnóstico, adaptações e a qualidade de vida.