13/08/2026
Querer ser especial ou importante faz parte da vasta paleta de desejos proporcionados pela experiencia humana. A questão começa quando esse lugar se torna um imperativo e chega a se transformar em comportamentos dissociados e/ou prejudiciais psiquicamente, socialmente, ecologicamente.
E aqui estamos falando principalmente dos risco de isso acontecer quando substancias psicodélicas e bioculturas entram na equação. Nem toda experiência de expansão produz, necessariamente, mais consciência.
Experiências psicodélicas podem ser profundas, simbólicas e transformadoras. Mas o que acontece depois delas também importa, e muito.
Quando um novo insight passa a ser usado para se sentir superior, quando a espiritualidade vira uma forma de escapar de conflitos internos ou quando a pessoa acredita ter “despertado” enquanto todos os outros continuam “dormindo”, talvez seja hora de olhar para aquilo que ainda precisa ser elaborado.
A integração não acontece quando nos tornamos especiais. Ela acontece quando conseguimos transformar aquilo que vivemos em mais presença, humildade, responsabilidade e conexão com o outro e o mundo.
Lembrando que: essa sensação de superioridade e iluminação pode servir como um “abrigo temporário” numa tempestade. Ou seja, para pessoas que passaram muito tempo em sofrimento, ter o respiro de se sentir bem e expandido pode funcionar como uma fase importante na travessia, mas é preciso lembrar de seguir elaborando, e se imaginar para além disso.