Dr. Rodrigo Lemos

Dr. Rodrigo Lemos Sócio e Obstetra de Parto Humanizado na Clínica Iluminare

“Perdi o tampão, doutor. Preciso correr pro hospital?”O tampão mucoso é uma secreção espessa, que pode vir acompanhada d...
27/02/2026

“Perdi o tampão, doutor. Preciso correr pro hospital?”

O tampão mucoso é uma secreção espessa, que pode vir acompanhada de sangue, e funciona como uma barreira natural que protege o colo do útero durante a gravidez.

Sua eliminação pode ser um sinal de que o corpo está se preparando para o parto, mas, na maioria das vezes, isso não significa que ele vá acontecer imediatamente.

Algumas mulheres perdem o tampão dias (ou até semanas) antes do início do trabalho de parto.

Então, quando é hora de procurar atendimento?

Se você perdeu o tampão sem dor ou contrações ritmadas, não precisa ir ao hospital imediatamente.
Mas, se vier acompanhado de sangramento intenso, líquido claro e contínuo (como ruptura da bolsa) ou contrações regulares, é importante buscar avaliação.

Cada gestação tem seus sinais. O ideal é estar informada e acolhida para atravessar esse momento com tranquilidade.

“E se o bebê não encaixar até o final da gestação?”Essa é uma pergunta muito comum nas últimas semanas de pré-natal. É i...
25/02/2026

“E se o bebê não encaixar até o final da gestação?”

Essa é uma pergunta muito comum nas últimas semanas de pré-natal. É importante saber que o encaixe do bebê pode acontecer a qualquer momento, inclusive durante o trabalho de parto.

O encaixe acontece quando a cabeça do bebê se posiciona na pelve, preparando-se para o nascimento. Em algumas gestantes, isso ocorre antes mesmo das contrações começarem. Em outras, acontece apenas com o progresso do trabalho de parto, quando o corpo já está ativo no processo.

Cada corpo tem seu tempo. Nem sempre o fato de o bebê não ter encaixado antes do parto representa um problema. O mais importante é a avaliação cuidadosa da equipe obstétrica, que observa outros sinais de evolução, o bem-estar fetal e as possibilidades de condução de forma individualizada.

Confiança, escuta e acompanhamento fazem toda a diferença nesse momento. É isso que garante segurança e tranquilidade para seguir respeitando o tempo do corpo e do nascimento.

Dr., o que acontece se o cordão umbilical estiver enrolado no pescoço do bebê?Essa é uma dúvida muito comum e, felizment...
18/02/2026

Dr., o que acontece se o cordão umbilical estiver enrolado no pescoço do bebê?

Essa é uma dúvida muito comum e, felizmente, também é uma situação bastante frequente e, na maioria das vezes, sem riscos.

O cordão pode se enrolar no pescoço do bebê durante a gestação ou o parto, e isso não significa necessariamente sofrimento fetal. O cordão é flexível e protegido por uma substância chamada gelatina de Wharton, que ajuda a evitar compressões importantes. Além disso, o bebê não respira pelos pulmões dentro do útero : a placenta garante o oxigênio.

Durante o trabalho de parto, a equipe monitora os batimentos do bebê e qualquer sinal de alerta é identificado com antecedência. Em casos em que o cordão está tensionado ou causando alteração nos batimentos, existem condutas seguras que podem ser tomadas. E se for necessário, a equipe está preparada para agir de forma rápida e cuidadosa.

Informação clara e acolhimento reduzem o medo. E isso também faz parte do cuidado.

O pré-natal humanizado começa muito antes dos exames, dos protocolos e das condutas. Ele começa na escuta. A consulta nã...
15/02/2026

O pré-natal humanizado começa muito antes dos exames, dos protocolos e das condutas. Ele começa na escuta. A consulta não é apenas um momento de avaliar resultados, mas um espaço de encontro, onde a mulher pode falar, perguntar, expor medos, expectativas e vivências.

Quando a escuta clínica é verdadeira, ela cria vínculo, confiança e segurança. E isso muda completamente a forma como a gestação é vivida. Ouvir com atenção permite compreender contextos, histórias e necessidades que não aparecem em um laudo. Permite individualizar o cuidado e respeitar o tempo de cada mulher.

No pré-natal humanizado, a escuta não é passiva. Ela orienta decisões, acolhe emoções e fortalece a autonomia da gestante. É assim que a consulta deixa de ser apenas técnica e se transforma em cuidado.

Porque acompanhar uma gestação não é apenas seguir parâmetros. É caminhar junto, com presença, responsabilidade e respeito à singularidade de cada história.

"Dr., e se eu não conseguir fazer força na hora do expulsivo?"Essa é uma dúvida muito comum conforme o parto se aproxima...
11/02/2026

"Dr., e se eu não conseguir fazer força na hora do expulsivo?"

Essa é uma dúvida muito comum conforme o parto se aproxima. Muitas mulheres se perguntam se vão dar conta desse momento, como se tudo dependesse apenas de força física. Mas o corpo que pari funciona de forma mais complexa, sutil e inteligente do que isso.

A força do parto não vem apenas dos músculos. Ela vem do ritmo das contrações, do encaixe do bebê, da respiração que organiza, da postura que favorece e do ambiente que acolhe. Quando a mulher está segura e bem orientada, seu corpo encontra caminhos naturais para conduzir o nascimento, mesmo quando ela acredita que não vai conseguir.

O expulsivo não é um ato isolado. É o resultado de um processo que acontece ao longo de horas, às vezes dias, em que o corpo vai se preparando progressivamente. Muitas mulheres relatam que, na hora, o corpo “assume”, como se soubesse exatamente o que fazer. E ele sabe.

Como obstetra, meu papel é proteger esse processo. É orientar, apoiar, ajustar posições, aliviar tensões e lembrar que não existe uma forma única de fazer força. Cada mulher encontra a sua, e todas merecem um ambiente que permita que essa força apareça de maneira segura e respeitada.

Parir não é sobre potência. É sobre sabedoria corporal.

Nem todo cuidado começa dentro da sala de parto. Muitas vezes, ele nasce no silêncio do preparo, no afinar da escuta, no...
06/02/2026

Nem todo cuidado começa dentro da sala de parto. Muitas vezes, ele nasce no silêncio do preparo, no afinar da escuta, no exercício da presença.

A medicina obstétrica é também sobre o tempo. O tempo de chegar, de observar, de respeitar os ritmos de quem vai nascer e de quem vai parir. É sobre estar inteiro antes de entrar, com o corpo e com o olhar, mesmo que, por alguns instantes, seja possível fazer uma pausa, respirar, se alimentar e, ainda assim, permanecer disponível.

Num mundo acelerado, a pausa pode parecer improdutiva. Mas no nascimento, ela é essencial. O corpo que pari precisa de acolhimento. E o corpo que cuida também.

Antes de cada nascimento, eu também me preparo. Porque não entro apenas como médico. Entro como alguém que carrega histórias, que traz vivências, que entende que cada parto é único e exige, além de técnica, presença real.

A presença começa antes do toque, antes da condução. Começa na consciência de que cada nascimento é sagrado e merece ser assistido com respeito, escuta e humanidade.

Estar presente, de verdade, transforma o cuidado.

Quando falamos em respeito no nascimento, não estamos nos referindo apenas a palavras gentis ou boas intenções. Estamos ...
03/02/2026

Quando falamos em respeito no nascimento, não estamos nos referindo apenas a palavras gentis ou boas intenções. Estamos falando de uma prática clínica intencional, que se revela nos detalhes.

Respeitar o nascimento é acolher a mulher em sua totalidade. É escutar antes de decidir. É adaptar o cuidado ao corpo e às emoções de quem está parindo, e não o contrário. É permitir presença, movimento, luz baixa, silêncio ou música. É permitir o que for importante para que ela se sinta segura.

É conduzir com técnica e sensibilidade. Proteger o bebê sem desrespeitar o processo. Respeitar, na prática, é entender que por trás de cada escolha existe uma história, um desejo, uma potência que precisa ser cuidada com responsabilidade.

Essa é a base do que defendo como assistência ao parto: uma medicina que une conhecimento técnico, presença e humanidade.

Porque nascer com respeito é mais do que um ideal. É um compromisso que se traduz em atitudes concretas, minuto a minuto, gesto a gesto.

"Dr., é verdade que a bolsa pode estourar sem eu perceber?"Essa é uma pergunta muito comum no consultório e a resposta é...
15/01/2026

"Dr., é verdade que a bolsa pode estourar sem eu perceber?"

Essa é uma pergunta muito comum no consultório e a resposta é: sim, pode acontecer. A ruptura da bolsa nem sempre é dramática como vemos nos filmes, com um grande jato de líquido. Em alguns casos, especialmente quando há pequenas fissuras na bolsa amniótica, o rompimento pode ser discreto, com o líquido escorrendo aos poucos. Por isso, algumas mulheres não percebem imediatamente que a bolsa se rompeu.

Geralmente, o líquido é claro, sem cheiro forte, e pode ser confundido com urina ou um aumento na secreção vaginal. O mais importante é observar a persistência desse líquido, se ele continua saindo mesmo em repouso, ou se há outros sinais associados, como redução dos movimentos do bebê ou cólicas.

Se houver qualquer dúvida, a melhor atitude é procurar o serviço de saúde. A avaliação clínica e, se necessário, exames complementares vão esclarecer se houve mesmo a ruptura.

Cada corpo se comunica de um jeito e merece ser escutado com atenção. Não existe exagero quando se trata de proteção e cuidado. Na dúvida, busque ajuda.

Na assistência ao parto, é comum que os olhos se voltem para a mulher e seu bebê. E é exatamente assim que deve ser. Afi...
12/01/2026

Na assistência ao parto, é comum que os olhos se voltem para a mulher e seu bebê. E é exatamente assim que deve ser. Afinal, são eles os protagonistas desse momento. Mas existe uma dimensão silenciosa, menos visível, que também sustenta o cuidado: o vínculo entre os profissionais envolvidos.

A confiança mútua entre os membros da equipe não se constrói apenas com técnica, mas com escuta, presença e afeto. É no olhar atento do colega, no gesto sutil de apoio, no respeito aos espaços de cada um que o ambiente se torna verdadeiramente seguro.

Em uma sala de parto, cada pessoa tem um papel específico. Mas é quando esses papéis se harmonizam com empatia que a assistência floresce. Isso não acontece por acaso. Acontece quando se escolhe estar presente com corpo, mente e coração.

É possível cuidar melhor quando há conexão entre quem cuida. E esse cuidado entre pares reverbera na forma como a mulher é acolhida, como a dor é compreendida, como cada escolha é respeitada.
Porque no fundo, a essência da humanização começa antes mesmo do nascimento. Começa nas relações que sustentam a experiência de nascer.

Às vezes, o que transforma a assistência acontece longe dos holofotes. É no silêncio entre um batimento e outro, na escu...
09/01/2026

Às vezes, o que transforma a assistência acontece longe dos holofotes. É no silêncio entre um batimento e outro, na escuta que vai além das palavras, no olhar que acolhe sem precisar dizer.

A assistência obstétrica exige mais do que conhecimento técnico. Ela exige percepção. E isso significa escutar com o olhar, ler o silêncio, perceber a respiração, a tensão no ombro, o cansaço escondido atrás de um “tá tudo bem”.

Esse cuidado, que acontece de forma quase invisível, é o que muitas vezes garante segurança emocional para a mulher seguir. Porque não se trata apenas de conduzir um parto. Trata-se de estar presente, de forma inteira, durante todo o processo.
Não existe protocolo que substitua sensibilidade. E não existe tecnologia capaz de captar o que a escuta ativa pode revelar.

Humanizar o nascimento é entender que cada detalhe importa. Que cada pausa tem sentido. Que cada mulher carrega uma história. E que respeitar essa história é parte essencial de qualquer prática baseada em evidência.

Porque cuidar, em sua forma mais plena, também é um ato de escuta.

Endereço

Ed. Central Pinheiro/Avenida Anita Garibaldi, 1211/sala 702/Ondina
Salvador, BA
40170-130

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