30/07/2026
Não precisamos nos desculpar por existir além do papel de mãe. Dizer aos nossos filhos que somos mulheres inteiras, com sonhos e projetos profissionais, é ensinar a eles que o amor materno não exige o nosso aniquilamento.
A Fátima Bernardes lembrou de quando ficou sozinha com três bebês de 7 meses. Ninguém elogiou. Era só uma mãe sendo mãe. Quando o marido ficou com as crianças mais velhas por alguns dias, os aplausos vieram de todos os lados.
Essa assimetria dói. Ela cria um abismo onde a mulher se doa até o limite da sua saúde mental e, ainda assim, vai para a cama de noite perguntando se “está sendo o suficiente”.
A fala que Déborah Bloch resgatou escancara essa ferida: “Se eu fosse pai, vocês me amariam”. A verdade nua e crua é que a sociedade perdoa, e até justif**a, o pai ausente que se dedica à carreira, enquanto condena a mãe que tenta não perder a própria identidade no caminho.
O resultado disso não é apenas cansaço físico. É o apagamento da mulher, a perda do senso de self e um adoecimento psíquico silencioso que a gente tenta disfarçar com sorriso no rosto e café gelado.
Nenhuma estrutura de apoio, por melhor que seja, apaga o peso de sentir que o mundo espera que você seja impecável em tudo. A gente não precisa de mais cobrança e nem de palmas esporádicas para os homens pelo básico. A gente precisa de corresponsabilidade real. De espaço para existir além da maternidade.
A culpa que a Fátima sentiu, e que faz tantas de nós pensarem em desistir da carreira, não é uma falha individual. É o resultado de uma estrutura que exige que a gente trabalhe como se não tivesse filhos e crie os filhos como se não trabalhasse.