16/03/2018
Bom dia 🙃
Diante da tragédia humana alguns são mobilizados por dentro, tendem a se “colocar” no lugar do outro, e em seguida concluir com um juízo de valor. Daí falamos, nos posicionamos oralmente contra as injustiças sociais, contra a desigualdade, contra a violência, a favor da mudança.
Parece que o movimento se encerra ali, naquele momento catártico da responsabilização.
Por que é tão difícil mudar?
A psicanálise fala da compulsão e repetição, será essa a nossa sina? O que nos falta no campo do real ou representativo?
O que pode mudar uma realidade ou uma representação?
As questões podem fazer refletir sobre caminhos possíveis, mas não há nenhum caminho único para todos, o que pode existir é o exercício de significação (representação) por parte do sujeito.
Vamos à contextualização!
Uma realidade de famílias em extrema pobreza. Uma composta por 3 filhos entre 0-5 anos de idade, a mãe e o pai. O pai faz uso do álcool indiscriminadamente, a mãe com baixa escolaridade e pouca saúde, as crianças desnutridas e vulneráveis à doenças.
Como lemos isso?
Esse tema perpassa basicamente os âmbitos da política, economia, educação, consciência, saúde pública e cidadania.
O que é ser cidadão? É votar nas eleições ou exercer direitos e deveres próprios?
Ser solidário é ser cidadão. Não assistencialista.
Não há cidadania sem solidariedade, as relações perpassam o campo do coletivo e do privado, mas a direção para às mudanças desejáveis não começam de cima para baixo, antes de baixo para cima, do micro para o macro.
Deleuze e Guatarri escrevem brilhantemente acerca das possibilidades de criação. Fazer cartografias (mapeamento das relações sociais entre indivíduos e instituições) da realidade, e daí assumir uma postura de criação a partir da micropolitica.
Micropolítica – Definição: de nossa perspectiva, o significante não tem qualquer relevância fundamental, bem como uma colcha de retalhos onde os retalhos são os significados, o significante é nada mais que as formas, as cores e as posições dos retalhos; se mudarmos os retalhos, a colcha não é mais a mesma.
(Artigo: QUE POLÍTICA É POSSÍVEL COM O PENSAMENTO DELEUZIANO? Daniel Dutra Trindade e Tania Mara Galli Fonseca).
Faça um trabalho de formiguinha, interno e externo, embasado na solidariedade onde seus direitos e deveres sejam interdependentes dos outros e transforme suas linhas de atravessamentos.
Dê sentido (direção) à sua vida, a todo momento!