10/05/2026
Uma mãe que trabalha na escala 6x1 tem, na melhor das hipóteses, um dia para fazer tudo que não coube na semana. Mercado, roupa, escola, médico. Quando chega segunda, ela já está cansada de novo.
Não é falta de organização. É uma estrutura que consome o tempo antes que ela possa decidir o que fazer com ele.
14 milhões de brasileiros vivem assim. A maioria é mulher. Muitas são mães. E 80% das mulheres negras nessa escala ganham até R$2.120 por mês, o que significa que o cansaço físico e o financeiro chegam juntos, todo dia.
O que a escala 6x1 rouba não aparece em nenhum contracheque: é a brincadeira que ela não parou para ver, a conversa que ficou para depois, a sensação constante de estar em falta com todo mundo, inclusive consigo mesma.
Na Muitas Psi, esse esgotamento chega todo dia no consultório. Na fala de quem não consegue mais separar o cansaço do trabalho do cansaço de ser mãe. Na culpa por não conseguir estar presente o suficiente. No corpo que parou de funcionar antes da mente admitir que não aguenta mais.
Por isso, nesse Dia das Mães, defendemos a redução da jornada como uma política de saúde mental. Um presente para todos os tipos de mãe: a mãe que sustenta a casa sem rede de apoio, a avó que criou neto como filho, a tia que ficou quando a mãe biológica não pôde, a mãe afetiva que não gerou mas acolheu, a mãe de santo que cuida de uma comunidade inteira, a mãe que ainda está tentando engravidar
Marque uma mãe que merece viver fora da escala 6x1.