28/07/2026
“Eu confio mais no meu corpo do que na minha cabeça” - escrevi essa frase no bloco de notas do celular após o primeiro mês da avaliação neuropsicológica, em maio.
Naquela semana, seguia com os te**es de inteligência e cheguei em casa dorsalizada. Algo me colocou em hipoativação. Fiquei intrigada - o que pode ter sido tão ameaçador? No colapso postural, deitei por um tempo que não sei, faltava tônus, senti um enjoo fortíssimo e entendi que algo tinha saído da janela de tolerância. Minha cabeça estava em ebulição, apertada, exaurida. Parecia que tinha feito um esforço para além do que queria ou podia. Esgotada. Mas, com movimentos bilaterais, me regulei para ter condições de trabalhar naquela terça. Deu certo.
No dia seguinte, ao acordar, me veio esse insight: “é porque na minha experiência, estar no corpo sempre foi mais seguro”. Quando criança, eu não podia pensar muito, porque não podia fazer perguntas. Precisava resolver sozinha as minhas curiosidades, mas não tinha os meios e desisti dos meus questionamentos por muitos anos, mantendo-me silenciosa. Lembro que mainha até comprava revistas e livros de conhecimentos gerais, e eu os devorava com um grande apetite, lendo e relendo. Porém, os questionamentos ficavam desabrigados.
Mas olha só a importância de ter me colocado no processo de avaliação... essa devolutiva recente de AH/SD já ampliou alguns cuidados, a partir de um grau a mais de autopercepção. Por exemplo, entendi que não quero mais desistir das minhas perguntas nem as categorizar desimportantes ou bobas por não terem utilidade, muitas vezes; notei que se não reconhecer a aceleração dos pensamentos antes de ficar esgotada, vou soterrar minha vitalidade com frequência, e estou dedicada a criar recursos nisso; senti que quero uma relação mais amistosa com a minha cabeça também, sobretudo, sendo compassiva com o velho-conhecido-conflito-frustrante entre meu raciocínio e a expressão verbal.
Eu sou grata ao corpo, que mesmo através de tanta sensibilidade, foi o lugar no mundo mais seguro para estar durante todos os meus trinta e cinco anos. A minha escolha por estudá-lo não foi aleatória, e ele já sabia. Sigo contigo, corpo, e sou grata! 💛