11/05/2026
Sem um ambiente facilitador, não há desenvolvimento emocional.
O que vemos como “violência” muitas vezes é o resultado de uma sociedade que falhou em sustentar seus sujeitos. Antes de reduzir a uma lógica de bem e mal, é preciso considerar as estruturas que produzem exclusão, desigualdade e sofrimento.
O ambiente facilitador começa no início da vida, no colo da mãe, especialmente no das mães pretas, que frequentemente sustentam seus filhos sem que elas próprias sejam sustentadas. Mas o desenvolvimento não se dá apenas no âmbito familiar. Ele se amplia nas relações sociais, na escola, na comunidade e nas oportunidades oferecidas.
Quem reconhece essas crianças como sujeitos? Quem valida suas histórias e investe em seus potenciais?
Quando o ambiente falha, não se trata de falta de esforço individual. Trata-se de ausência de suporte. Muitas mães não perdem seus filhos por descuido, mas por uma falha coletiva de cuidado.
Não é possível falar de saúde mental sem considerar a justiça social. O cuidado suficientemente bom, o reconhecimento e o pertencimento são fundamentais para que a vida possa se desenvolver de forma digna.