22/07/2026
Na segunda-feira, assisti ao documentário sobre Preta Gil e passei os dias seguintes refletindo sobre a vida.
Confesso que não acompanhei de perto a sua trajetória artística. Mas, desde a divulgação da sua doença até a sua despedida, passei a olhar com mais atenção para a sua história.
Foi nesse período, marcado por vulnerabilidade, coragem e exposição, que comecei a enxergar não apenas a artista, mas, sobretudo, a mulher por trás dela.
Uma coisa não saiu da minha cabeça: a música “Drão”, composta por Gilberto Gil para a mãe de Preta e tão marcante na história daquela família.
Ao refletir sobre a canção, percebi que você também foi o “Drão”: a semente que atravessou dores, rupturas e transformações para germinar.
E, ao germinar, fez a sua história alcançar milhões de pessoas, especialmente mulheres.
Você representou tantas mulheres brasileiras: uma mulher preta, fora dos padrões estéticos impostos, gorda, bi*****al e, acima de tudo, dona de uma personalidade intensa, corajosa e segura de quem era.
Mais do que artista, tornou-se símbolo de liberdade, autenticidade e afeto.
Sua trajetória nos ensinou que o corpo de uma mulher não determina o seu valor, que amar livremente não deveria ser motivo de julgamento e que a vulnerabilidade também pode ser uma forma de força.
Talvez esse seja o verdadeiro sentido de germinar: permitir que, mesmo depois de nós, algo continue florescendo na vida dos outros.
Você partiu, Preta, mas deixou sementes por toda parte.
E elas continuarão germinando.
Crédito do vídeo: Billboard Brasil