27/05/2026
Atender criança não exige só encanto...
O encanto precisa de espaço para surgir firme, precisa de tempo, necessita de tapete macio feito alma que deseja aconchegar. Primeiro a gente senta, experimenta a temperatura, toca na textura, estranha um pouco, depois a gente percebe que é seguro e se esparrama...
O encanto precisa de tempo...
Se é necessário no mínimo 20 minutos para uma criança se regular, 30 minutos de sessão é desencanto...
É necessário que haja tempo, espaço para o vínculo surgir...
É necessário que haja tempo para o terapeuta entender caminho, entender como se aproximar e o que vai funcionar...
Se não existe espaço para o terapeuta construir técnica, a técnica pronta, comprada no mercado não dará fórmula do encanto...
É necessário cada vez mais de tempo.... Cada vez mais de espaço, para a criança se reencontrar diante de se perder em suas emoções. Essa segurança é estabelecida com TEMPO...
É preciso dar tempo ao tempo do sentir. No primeiro choro, no primeiro grito não é só buscar o que diverte, não é só desviar a atenção mas principalmente sustentar o desagradável com ela, não existe botão de reset...
Nós adultos não andamos com tempo, não temos tempo para existir, subsistimos no engolir calado, no ficar no desconforto apertado nos corredores da alma, portanto, criança tem que estar regulada. Sair da sessão sempre regulada, nunca respirar, uma vez que adulto não respira...
O grito da criança é a voz do adulto que não se sustenta mais...
A crise da criança é o descompasso do adulto que não tem espaço e nem tempo para sentir...
É preciso se encontrar para se encantar...
É preciso sentir!!!
É preciso um novo tempo e um novo espaço!