29/07/2026
Falar sobre mães narcisistas costuma despertar reações muito intensas. E isso faz sentido. Muitas pessoas carregam marcas profundas de relações em que houve controle, manipulação, invalidação e sofrimento.
Mas existe uma diferença importante entre nomear uma violência e reduzir uma pessoa ao rótulo que damos a ela.
Quando transformamos alguém em um monstro, podemos até encontrar uma explicação rápida para a nossa dor. O problema é que deixamos de perguntar como esse modo de existir foi construído.
Nenhum comportamento humano surge fora da história. A forma como aprendemos a amar, controlar, depender ou buscar reconhecimento também é resultado das relações que vivemos e das condições sociais que atravessam nossa vida.
Isso não significa justificar violência, muito menos dizer que quem sofreu deve compreender antes de se proteger. Colocar limites continua sendo necessário.
Mas compreender é diferente de culpabilizar. É reconhecer que pessoas não nascem prontas e que, se quisermos interromper a repetição desses padrões, precisamos olhar para as condições que os produzem, e não apenas para quem os reproduz.