23/06/2026
Acabei de ler The Father, Love, and Banishment da Julia Kristeva (vocês não imaginam como foi difícil achar esse texto) que analisa o conto Primeiro Amor do Beckett, sob uma perspectiva psicanalítica e semiótica, focando na figura do sujeito falante e na sua relação com a linguagem. Kristeva argumenta que a narrativa representa a morte do pai e o colapso da civilização cristã ocidental, onde o sentido permanece exilado em um reino de morte e decadência. O protagonista experimenta um amor de banimento, um estado de isolamento onde o afeto só é possível através do distanciamento da autoridade paterna e da aceitação do objeto amado como algo trivial ou residual. Kristeva observa que, enquanto o homem busca coerência no nome do Pai e da Morte, a figura feminina é frequentemente relegada ao não-ser ou ao balbucio reprimido. Dessa forma, a escrita de Beckett revela a tensão entre a lei simbólica paternal e o desejo de sobreviver ao vazio deixado por essa autoridade ausente. A análise conclui que o ato de escrever e amar surge dessa orfandade simbólica, consolidando uma existência pautada pelo luto permanente e pela busca de signif**ado em um mundo desencantado.
O que nos leva diretamente à adaptação cinematográf**a que Balabanov fez nas ruínas da União Soviética de 1991. No pós guerra Beckett escreveu novelinhas/contos que foram amalgamadas nessa Happy Days do Balabanov, inclusive Primeiro Amor, então dá sim para fazer um paralelo do que Beckett vivera nas ruínas da Europa da Segunda Guerra e a decorrocada da União Soviética nos anos 90.