08/04/2022
Vida longa e saudável
Avanços em torno do diagnóstico e tratamentos, além do maior acesso à rede de serviços, contribuem para aumentar a longevidade dos brasileiros
Uma verdadeira revolução vem acontecendo na área da saúde e bem-estar. À medida em que pesquisadores desenvolvem tecnologias para tratar ou prevenir doenças, cresce a conscientização acerca daquilo que se pode fazer para viver com qualidade.
Os indicadores mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são de 2020 e apontam que a expectativa de uma pessoa que nascesse no Brasil naquele ano era de 76,8 anos. Seriam, em condições normais, dois meses a mais em relação a 2019. No entanto, com as mortes decorrentes da pandemia, esta projeção tende a cair. Os números definitivos são esperados para o Censo Demográfico que deve ser realizado ainda neste ano.
Em uma condição de normalidade, os avanços são visíveis, conforme se vê na série histórica. Na década de 1940, a expectativa de vida do brasileiro era em torno de 45,5 anos, número que saltou para 69,8 em 2000.
“A expectativa de vida ao nascer nunca foi tão elevada na história da humanidade. Isso passa por uma associação do desenvolvimento tecnológico associado a um espaço em que ainda existem recursos naturais para a vida”, avalia o cardiologista Tiago Fortuna. Um dos motivos, segundo ele, é justamente a constante evolução na área da saúde. Entre elas, as mais importantes estão relacionadas ao controle de doenças infectocontagiosas (com vacinas e antibióticos) e uso de recursos avançados em procedimentos cirúrgicos. “Associado ainda, o desenvolvimento de recursos de segurança e a facilidade de compartilhar conhecimento dá a nossa sociedade expectativas de viver mais e melhor”, observa.
Para o cardiologista, a longevidade passa por uma facilidade de acesso à informação, algo que hoje está facilitado à medida em que os profissionais têm a oportunidade de compartilhar experiências e conhecimento. Soma-se a estes aspectos, ainda a evolução em torno dos recursos médicos que são potencializados graças às tecnologias. “O maior exemplo disso, está no formato em que a medicina e a saúde evoluem. Hoje é possível realizar consultas médicas por meios remotos, acessar exames e fazer o correto diagnóstico com uso de recursos de tele-medicina, além de uso softwares inteligentes que fazem avaliações detalhadas de vários exames”, destaca o médico. Além disso, deve-se considerar que os tratamentos de várias doenças também são modificados e melhorados constantemente. “Nunca se produziu tanta literatura médica com evidência cientifica e que de fato mudam o desfecho de várias doenças”, frisa.
Diante de tantos avanços, até mesmo situações que já eram consolidadas ganham novos formatos e mais recursos que ajudam a potencializar seus benefícios, como ocorre na prática de atividades físicas associadas aos bons hábitos alimentares e ao sono reparador. “Além das tradicionais frases 'comer melhor e fazer mais exercício', hoje sabe-se que longevidade tem relação direta com higiene do sono, controle emocional, controle psicológico, otimização de relacionamento, desenvolvimento religioso e social. A cada passo do desenvolvimento do autocuidado, desenvolve-se um autoconhecimento, e com isso melhora-se o relacionamento com quem mais importa para cada um: o nosso próprio eu”, explica Fortuna.
Novo perfil de paciente
Ao mesmo tempo em que a longevidade vem crescendo, os profissionais da saúde também precisam se adaptar para prestar o melhor atendimento, especialmente diante das mudanças trazidas pela maturidade ao organismo dos seus pacientes. Hoje, identifica-se um aumento na ocorrência de doenças associadas à idade, como aterosclerose, hipertensão, diabetes, neoplasias entre outras que fazem com que os profissionais de saúde tenham um olhar mais técnico e atento.
“O cuidado do idoso, a geriatria, é uma área que cada dia tem recebido mais atenção. Envelhecer sem cuidados normalmente não representa longevidade. Mais do que viver muito tempo, ideal é viver com melhora de longevidade saudável”, diz o médico. E neste cenário, as perspectivas para o futuro são qualidade de vida. Controlar fatores de riscos e manejar as doenças subclínicas são estratégias de animadoras, especialmente diante da tendência de desenvolvimento de tecnologias que vão permitir tratamentos médicos menos invasivos.
Também têm aumentado os estudos em torno da tecnologia molecular, o que pode permitir, em um futuro não muito distante, que se tenha respostas para doenças que ainda representam um desafio para os profissionais. Para o médico, um exemplo neste sentido estará na possibilidade de se basear em informações genéticas ou ainda molecular para as investigações acerca de questões relacionadas a saúde e bem-estar.
Dicas de bem-estar
- Durma bem, tenha uma ótima higiene do sono.
- Tenha equilíbrio entre trabalho, dinheiro e tempo.
- Aproveite a juventude e a fase adulta para fortalecer articulações e músculos.
- Aprenda desde cedo a ter bons hábitos.
- Hidrate-se bem. Água resolve muita coisa.
- Tenha cuidado com tudo que possui código de barras.
- Seja crítico com tudo que você lê, duvide de notícias que vão muito contra o fluxo tradicional.
- Ame e cuide dos seus.
- Aproveite a vida, e tenha dias que todas as regras se resumam em não fazer nada.
Fonte: Tiago Fortuna, cardiologista